Quando reuniu-se com Lula em Londres, em 2011, Hobsbawn afirmou que o ex-presidente “ajudou a mudar o equilíbrio do mundo ao trazer os países em desenvolvimento para o centro das coisas”
Eric Hobsbawn certa vez afirmou ao jornal argentino, Página 12 que “Lula é o verdadeiro introdutor da democracia no Brasil. No Brasil há muitos pobres e ninguém jamais fez tantas coisas concretas por ele”.
Esta entrevista foi postada por este blog [clique AQUI para visualizar] e republicada em outubro de 2012 em decorrência de seu falecimento.
Neste final de semana o professor e sociólogo, Emir Sader, compartilhou em sua pagina no Facebook esta postagem, o que provocou um expressivo acesso ao blog.
A afirmação de Hobsbawn está baseada no fato de que o Brasil durante o governo Lula conseguiu alcançar o que nenhuma outra administração havia obtido em nossa história: reduzir, em tão pouco tempo, a desigualdade social e a miséria.
Lula retirou da pobreza mais de 40 milhões de pessoas e a geração de novos empregos com carteira assinada superou a marca de 15 milhões, tornando o Brasil um país, majoritariamente, de classe média. Isto não foi pouco, é algo espetacular e reconhecido internacionalmente. Políticas públicas inclusivas, como o Bolsa Família e o Pro-Uni ajudam a compreender o que tem ocorrido neste país recentemente.
O Estado tem priorizado os mais pobre e oferece as oportunidades que antes eram rejeitadas para quem mais precisava delas.
Isto não é suficiente, o avanço tem que ser contínuo.
Precisa-se ainda muito mais, isto não se discute. É preciso aprofundar as mudanças e alcançar mais pessoas, resgatá-las do fosso da desigualdade, que oculta mazelas sociais repugnantes, como a fome, o trabalho escravo e o analfabetismo.
Mas fechar os olhos para o que já foi conquistado e posicionar-se radicalmente contra estes dados, só pode ser compreendido, por entre outras coisas, como incompreensão de nossa história, especialmente a recente e/ou resultado de preconceito de classe.
O Brasil não era um país mais justo, desenvolvido e democrático, em seu sentido mais estrito, até 2002.
Os problemas sociais que ainda persistem não foram criados no pós-Lula, já existiam em maior escala do que atualmente.
O que presenciamos até 2002 era uma nação entregue aos caprichos e experimentos ortodoxos do FMI, subserviente aos interesses dos países centrais e envolto em uma grave crise econômica. O desemprego rondava as famílias brasileiras, atingindo principalmente os mais jovens, e aniquilava a esperança do povo em um Brasil próspero e com justiça social. Posso falar disso com a tinta carregada, porque vivi este período, no auge de minha juventude, subempregado e mal remunerado ou, constantemente, desempregado. Tempos duros e de desesperança.
Se é certo afirmar que o governo FHC consolidou a vitória sobre a hiperinflação, arquitetada no governo Itamar Franco.
Também é correta a constatação de que as políticas empregadas para combater a inflação, estagnaram a economia, reduziram as oportunidades de emprego, arrocharam salários e fizeram a carga tributária brasileira e as dívidas públicas dispararem. O projeto neoliberal em curso até aquele momento, objetivava atingir a flexibilização das leis trabalhistas, com o ataque aos benefícios dos trabalhadores, e a entrega dos bancos públicos e do setor elétrico estatais para o capital privado.
A lógica do mercado não foi capaz de incluir os mais pobres, mesmo com a hiperinflação derrotada. E nisso Hobsbawn foi conclusivo:
O fato é que a postagem sobre a afirmação de Hobsbawn, gerou uma dura disputa entre comentaristas favoráveis e contrários à tese do historiador britânico.
Seleciono algumas opiniões contrárias, reproduzidas pela necessária percepção do que pensam setores da sociedade que parecem não compreender [ ou não querem compreender] o que representa o Novo Brasil da Era Lula e a necessidade das mudanças em curso avançarem. Mudanças estas que levam tempo e consomem energias políticas e recursos materiais e humanos de médio/longo prazo.
Entendo que o desconhecimento é terreno fértil para o preconceito e engenho basilar para a desconstrução de uma ideia ou projeto.
Confiram alguns dos comentários que condenam o pensamento expresso por Hobsbawn, com destaques nossos:
Max Ferreira Machado
PAULO
Marineide Macedo Parker
Vinicius Silva
Paulo
O uso corrente de expressões como “bolsa esmola”, para se referir ao Bolsa Família, e “analfabeto”, para se referir a Lula, não são termos usados ao acaso, ou meras coincidências, mas indícios, sérios e concretos, de motivação preconceituosa para a desqualificação do que é contraditório. Não menos significante que tais palavras são empregadas em larga escala, sem nenhuma surpresa, pelos meios de comunicação tradicionais e conquistam corações e mentes conservadoras como difusores destes pensamentos no varejo.
Por fim reiteramos nosso compromisso com a diversidade de opiniões, com o contraditório, mesmo àquelas desprovidas de respeito, porque entendemos que tais manifestações precisam ser expostas para que seja possível conhecer como pensam e como agem setores mais conservadores da nossa sociedade.
Esta análise não busca desqualificar, mas apenas contrapor tais comentários.
Palavras Diversas |
TERRAS ALTAS DA MANTIQUEIRA = ALAGOA - AIURUOCA - DELFIM MOREIRA - ITAMONTE - ITANHANDU - MARMELÓPOLIS - PASSA QUATRO - POUSO ALTO - SÃO SEBASTIÃO DO RIO VERDE - VIRGÍNIA.
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