quarta-feira, 10 de julho de 2013

Comentários conservadores repudiam Hobsbawn sobre Lula.




Quando reuniu-se com Lula em Londres, em 2011, Hobsbawn afirmou que o ex-presidente “ajudou a mudar o equilíbrio do mundo ao trazer os países em desenvolvimento para o centro das coisas”

Eric Hobsbawn certa vez afirmou ao jornal argentino, Página 12 que “Lula é o verdadeiro introdutor da democracia no Brasil.  No Brasil há muitos pobres e ninguém jamais fez tantas coisas concretas por ele”.
Esta entrevista foi postada por este blog [clique AQUI para visualizar] e republicada em outubro de 2012 em decorrência de seu falecimento.
Neste final de semana o professor e sociólogo, Emir Sader, compartilhou em sua pagina no Facebook esta postagem, o que provocou um expressivo acesso ao blog.
A afirmação de Hobsbawn está baseada no fato de que o Brasil durante o governo Lula conseguiu alcançar o que nenhuma outra administração havia obtido em nossa história: reduzir, em tão pouco tempo, a desigualdade social e a miséria.
Lula retirou da pobreza mais de 40 milhões de pessoas e a geração de novos empregos com carteira assinada superou a marca de 15 milhões, tornando o Brasil um país, majoritariamente, de classe média.  Isto não foi pouco, é algo espetacular e reconhecido internacionalmente.  Políticas públicas inclusivas, como o Bolsa Família e o Pro-Uni ajudam a compreender o que tem ocorrido neste país recentemente.
O Estado tem priorizado os mais pobre e oferece as oportunidades que antes eram rejeitadas para quem mais precisava delas.
Isto não é suficiente, o avanço tem que ser contínuo.
Precisa-se ainda muito mais, isto não se discute.  É preciso aprofundar as mudanças e alcançar mais pessoas, resgatá-las do fosso da desigualdade, que oculta mazelas sociais repugnantes, como a fome, o trabalho escravo e o analfabetismo.
Mas fechar os olhos para o que já foi conquistado e posicionar-se radicalmente contra estes dados, só pode ser compreendido, por entre outras coisas, como incompreensão de nossa história, especialmente a recente e/ou resultado de preconceito de classe.
O Brasil não era um país mais justo, desenvolvido e democrático, em seu sentido mais estrito, até 2002.
Os problemas sociais que ainda persistem não foram criados no pós-Lula, já existiam em maior escala do que atualmente.
O que presenciamos até 2002 era uma nação entregue aos caprichos e experimentos ortodoxos do FMI, subserviente aos interesses dos países centrais e envolto em uma grave crise econômica.  O desemprego rondava as famílias brasileiras, atingindo principalmente os mais jovens, e aniquilava a esperança do povo em um Brasil próspero e com justiça social.  Posso falar disso com a tinta carregada, porque vivi este período, no auge de minha juventude, subempregado e mal remunerado ou, constantemente, desempregado.  Tempos duros e de desesperança.
Se é certo afirmar que o governo FHC consolidou a vitória sobre a hiperinflação, arquitetada no governo Itamar Franco.
Também é correta a constatação de que as políticas empregadas para combater a inflação, estagnaram a economia, reduziram as oportunidades de emprego, arrocharam salários e fizeram a carga tributária brasileira e as dívidas públicas dispararem.  O projeto neoliberal em curso até aquele momento, objetivava atingir a flexibilização das leis trabalhistas, com o ataque aos benefícios dos trabalhadores, e a entrega dos bancos públicos e do setor elétrico estatais para o capital privado.
A lógica do mercado não foi capaz de incluir os mais pobres, mesmo com a hiperinflação derrotada.  E nisso Hobsbawn foi conclusivo:
“Se se mira a história e o presente, não há dúvida alguma de que os problemas principais, sobretudo no meio de uma crise profunda, devem e podem ser solucionados pela ação política. O mercado não tem condições de fazê-lo.”
O fato é que a postagem sobre a afirmação de Hobsbawn, gerou uma dura disputa entre comentaristas favoráveis e contrários à tese do historiador britânico.
Seleciono algumas opiniões contrárias, reproduzidas pela necessária percepção do que pensam setores da sociedade que parecem não compreender [ ou não querem compreender] o que representa o Novo Brasil da Era Lula e a necessidade das mudanças em curso avançarem. Mudanças estas que levam tempo e consomem energias políticas e recursos materiais e humanos de médio/longo prazo.
Entendo que o desconhecimento é terreno fértil para o preconceito e engenho basilar para a desconstrução de uma ideia ou projeto.
Confiram alguns dos comentários que condenam o pensamento expresso por Hobsbawn, com destaques nossos:
Max Ferreira Machado
“Concordo plenamente. Ao invés de se perpetuar essa bolsa esmola, poderia sim, ter propiciado à população de baixa renda e mais desassistida, uma distribuição de renda melhor e uma educação que permitisse à sociedade a possibilidade de ter um futuro melhor e mais digno. Essa bolsa família me soa como um aviso: olha fica aí quientinho que eu já estou te permitindo viver. Isso sim é discriminar.”
PAULO
“O TAL DE HOBSBAWN, FICOU PIRÓCA DA CABEÇA NO QUE SE REFERI AO ANALFABETO DO LULA! COISA DE GENTE SENIL!”
Marineide Macedo Parker
“Concordo com Vinicus Silva…a esmola nao lhe faz sentir digno, mas sim apenas um miseravel!!”
Vinicius Silva
“Esse personagem não pode ser mesmo brasileiro. Se fosse entenderia mais sobre nossa historia política. Isso aí é facilmente questionável já que o governo do FHC não atuou de forma autoritária como o atual. Existem ainda muitos fatos que ocorreram no Governo FHC que sobrepoem ao governo Lulista. Aliás, não podemos dizer que o Lula fez mais. O Brasil com Lula ou sem Lula andaria para frente deste o governo FHC. O que o Lula não fez é se meter a mudar a filosofia economica do FHC. Ela não seria doido. Recomendou o controle da inflação subindo e descendo juros. E só !!! Fora isso os bolsas familias se tornaram a estampa do governo Petista. Dizer que Lula foi o verdadeiro introdutor da democracia no Brasil soa como piada sem graça.”
Paulo
“Se ao invés de dar esmolas tivesse dado boas oportunidades de emprego, eu poderia concordar com vc, Hobsbawn. As coisas concretas que se refere, as bolsas, são esmolas de 70 reais ou pouco mais.”
O uso corrente de expressões como “bolsa esmola”, para se referir ao Bolsa Família, e “analfabeto”, para se referir a Lula, não são termos usados ao acaso, ou meras coincidências, mas indícios, sérios e concretos, de motivação preconceituosa para a desqualificação do que é contraditório.   Não menos significante que tais palavras são empregadas em larga escala, sem nenhuma surpresa, pelos meios de comunicação tradicionais e conquistam corações e mentes conservadoras como difusores destes pensamentos no varejo.
Por fim reiteramos nosso compromisso com a diversidade de opiniões, com o contraditório, mesmo àquelas desprovidas de respeito, porque entendemos que tais manifestações precisam ser expostas para que seja possível conhecer como pensam e como agem setores mais conservadores da nossa sociedade.
Esta análise não busca desqualificar, mas apenas contrapor tais comentários.

Palavras Diversas

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