terça-feira, 16 de julho de 2013

Corporativismo da velha imprensa preserva Globo.

O Dia, concorrente da Globo na mídia impressa carioca, tergiversou em sua matéria, escondida no miolo do jornal.  Nem o nome da concorrente, tampouco o crime de sonegação foi citado na chamada.  Corporativismo?
O Dia, concorrente da Globo na mídia impressa carioca, tergiversou em sua matéria, escondida no miolo do jornal. Nem o nome da concorrente, tampouco o crime de sonegação foi citado na chamada. Corporativismo? 

A explosão de um dos maiores escândalos da história da imprensa brasileira, a bilionária sonegação fiscal da Globo, passou praticamente incólume pelas páginas da própria imprensa.
Se é certo afirmar que “todos” temem a Globo, a sua concorrência também se inclui neste bolo.
Esta semana o jornal carioca O Dia publicou matéria tratando do assunto, de maneira tímida.  Sua chamada nem fazia referência a emissora do Rio de Janeiro, preferiram manchetar chamando a atenção do leitor para a servidora da Receita Federal que deu sumiço ao processo de sua concorrente.
Mas não seria preciso o título dizer que o processo era sobre a sonegação fiscal da Globo?
Esta notícia não mereceria destaque na capa?
Um leitor desatento nem saberia que aquela matéria enxertada no miolo do jornal nem se tratava do caso levantado pelo blogueiro independente, Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho, de um processo sobre a sonegação global.
No box que complementa a matéria, o nome da Globo segue omitido
No box que complementa a matéria, o nome da Globo segue omitido.
Um resumo da ópera.
Segundo o que foi apurado, a emissora da família Marinho, teria pago R$274 milhões de multa ao fisco brasileiro, referentes a sonegação fiscal da compra dos direitos da copa do mundo de 2002.  O valor total dos débitos alcançaria, corrigidos neste período, cerca de R$1,2 bilhão de reais!  Os indícios apontam também para o crime de evasão fiscal, com a abertura de uma empresa de fachada, a Empire, nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal e paradeiro mundial de dinheiro de origem suspeita.
Nada mal, não?  Um furo espetacular, escândalo para abalar as estruturas de uma das maiores empresas de comunicação do planeta e detentora de quase 60% da verba publicitária brasileira destinada ao setor.
Mas a imprensa calou-se, sentou em cima da gravidade dos fatos.  Assim como fizeram no caso do escândalo da Veja/Cachoeira/Demóstenes Torres/Marconi Perillo… Modo operante do corporativismo midiático acima de tudo, até mesmo da função maior de informar à sociedade.
O Dia é, há anos, o maior concorrente de O Globo no Rio de Janeiro, apesar de sofrer com práticas desleais de concorrência por parte do diário das organizações Globo, preferiu agir de forma tacanha e sem provocar alarde na divulgação do caso.
Somente o temor poderia explicar este procedimento?  Creio que não apenas…
A TV Record chegou a publicar uma matéria, a cargo de Rodrigo Viana, demonstrando que a Globo está atolada em um mar de lama, em um caso que, aparentemente, surge como corruptora para livrar-se do crime de sonegação e evasão fiscal, através da prescrição dos ilícitos cometidos.
Mas a investigação jornalística da maior concorrente televisiva da rede de tv do Rio de Janeiro, não deu sequência.  Foi estancada nesta única matéria.
A Record e a Globo são mais que concorrentes, são inimigas declaradas.
A Record teme a reação da Globo?
Desse episódio é possível tirar uma importante lição.
A grande imprensa brasileira não investiga seus coirmãos, preservam-se, ou quando o fazem, interrompem suas apurações para, possíveis, acertos de contas nos bastidores.
No meio dessa história fica a audiência, sem ter a certeza de que será informada corretamente, tal como merece, por causa de poderosos interesses corporativos.
E tem mais.  Foi descoberto que a Globo deve cerca de R$1,5 bilhão de reais ao ECAD e recorreu a justiça para não pagar este débito.
Ah, isto também não foi notícia…

Palavras Diversas

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