sábado, 27 de julho de 2013

Pode o PT implodir?

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Por Rui Martins(*)
Berna (Suiça) – A presidenta Dilma se desculpou mas não foi ao importante encontro da direção do PT em Brasília. O afastamento dos líderes José Dirceu, José Genuíno e João Paulo Cunha da direção do PT pela corrente Construindo um Brasil Novo é o prenúncio de uma implosão do Partido dos Trabalhadores ?
Rui Falcão, ao sair do encontro em Brasília, falou que unidade não significa unanimidade, e é de se esperar, porém, punir os fundadores históricos do PT, pode ser interpretado como tentativa de agradar os que colocaram o chamado mensalão nas recentes manifestações, aceitando como final e verdadeira sentença (ainda não passada em julgado e nem concluída) do ministro Joaquim Barbosa do STF, que, pelo jeito, também tem o rabo preso, com as denúncias de escapar ao fisco na compra de uma casa em Miami.
A ausência da presidenta Dilma na reunião do PT teria sido para evitar os três líderes históricos ali presentes e o risco de ser considerada como frequentadora de más companhias pela grande imprensa ? Simples manobra política consentida pelas duas partes para proteger sua imagem na próxima campanha presidencial ou uma decisão unilateral de autoproteção, capaz de criar ressentimentos e rachaduras?
Seja o que for, não é segredo que a maioria dos militantes do PT esperava da presidenta uma modificação no setor das comunicações da presidência e no Ministério das Comunicações, setores praticamente ausentes durante as manifestações. Ao contrário, Helena Chagas, cujo passado Globo não é perdoado, parece ter sido promovida a ajudante de ordens da presidenta. E o ministro, esposa da chefe da Casa Civil, faz de conta não saber ou ouvir os reclamos de uma outra política que impeça o monopólio das comunicações, do qual se beneficia o grupo Globo.
Foi justamente a grande mídia que, em 2005, deu ao « mensalão » o caráter de corrupção, desdenhando o seu lado de financiamento de partido e criando no grande público a impressão de se tratar de enriquecimento pessoal ilícito. O julgamento do « mensalão » seguiu pelo mesmo caminho, de tal forma que os parlamentares corruptíveis quase se tornam vítimas inocentes.
Quem teria sido mais visado nas primeiras manifestações, o PT com seu « mensalão » ou a presidenta Dilma, que, embora continue aplicando o iniciado por Lula, é uma tecnocrata sem o carisma, a dinâmica e o jogo de cintura do sindicalista ex-presidente ? Ou ambos ?
A impressão é a de que tanto o PT como a presidenta Dilma acabaram se preocupando com as repercussões das primeiras manifestações a  um ano da campanha pela reeleição. O PT querendo se desfazer dos seus líderes históricos numa tentativa de « limpar a barra ». A presidente evitando contato com os « condenados » para « não sujar a barra ».
Parece que o setor favorável ao licenciamento dos líderes históricos, na verdade comprometidos por terem imaginado uma forma operacional do PT, é majoritário, porém isso não silencia o descontentamento dos solidários com Dirceu e Genoíno, os verdadeiros artífices do Partido. Isso poderá levar a um racha, como já ocorreu no passado, mas sempre envolvendo pessoas ou pequenos grupos, no caso de Erundina ou do PSol ?
Em que clima se poderá levar uma campanha presidencial marcada por ressentimentos, injustiças e mesmo frieza entre o PT e a presidenta, conhecida por sua maneira rígida de dirigir sem a flexibilidade de Lula ?
Para a direita, tudo isso é um inesperado prato feito. Jogaram na convulsão social e na possibilidade de provocarem, como no Paraguai e no caso Collor, um impeachment ou destituição da presidenta e estão colhendo uma divisão dentro do PT e entre o PT e a presidenta. Será que Lula poderá colmatar as brechas surgidas ? Será que Lula tem saúde para isso?
*Rui Martins é jornalista e colabora com o “Quem tem medo da democracia?“, onde mantém a coluna “Estado do Emigrante“.

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