segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Jean Wyllys parte e o clã Bolsonaro naufraga - Wyllys sempre foi contra uma política sectária e propôs uma aliança dos setores progressistas, numa frente ampla que deveria apresentar-se como uma alternativa a este governo entreguista e antinacional.

Jean Wyllys anunciou que vai abrir mão do mandato de deputado federal e deixar o Brasil (AFP/BBC News Brasil)
Créditos da foto: Jean Wyllys anunciou que vai abrir mão do mandato de deputado federal e deixar o Brasil (AFP/BBC News Brasil)


Por Luiz Alberto Gómez de Souza


Jean Wyllys foi uma das valentes vozes no Congresso Nacional em defesa dos LGBT. Três vezes deputado federal pelo PSOL, renuncia agora a seu mandato e parte para o exterior. Ficou conhecido ao cuspir no então deputado Jair Bolsonaro quando este, na sessão do impeachment de Dilma Rousseff, homenageou o coronal Brilhante Ustra, condenado como torturador de presos políticos, entre outros da própria presidenta.
À diferença de outros deputados, alguns do próprio PSOL, Wyllys sempre foi contra uma política sectária e propôs uma aliança dos setores progressistas, numa frente ampla que deveria apresentar-se como uma alternativa a este governo entreguista e antinacional.
Desde a morte de Marielle Franco, sua amiga, Wyllys vive com escolta policial. Tem sido muito atacado nas redes sociais e venceu um processo de difamação contra o artista pornô Alexandre Frota, que o acusara falsamente de pregar a pedofilia. Relata que Pepe Mujica lhe teria dito: "Rapaz, se cuide. Os mártires não são herois". Deixa o país por sua segurança pessoal e para dedicar-se a um doutorado.
O substituto de Wyllys, na Câmara, é o até então vereador David Miranda, negro, favelado e gay, casado com o jornalista norte-americano Glenn Greenwald. A causa LGBT segue em outras mãos.
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Por outro lado, a situação política vai se liquefazendo, com a atuação do clã Bolsonaro. O pai, lá de Davos, tenta defender seu filho Flávio, "meu menino", envolvido em caixa dois na Assembléia estadual do Rio e agora com suas ligações com a milícia. Recentemente se descobriu que um possível chefe das milícias do Escritório do Crime, o ex-capitão do Bope, Adriano Magalhães da Nóbrega, foragido e procurado no caso Marielle, teve anteriormente suas mulher e mãe nomeadas como assessoras parlamentares do então deputado estadual, agora senador eleito, Flávio Bolsonaro. Este homenageou, na Assembléia do Rio de Janeiro, policiais que viriam a ser acusados de integrar milícias.
Para aqueles que, ingenuamente, votaram em Jair Bolsonaro esperando um clima de transparência, paz e segurança, é um momento de perplexidade e de necessária revisão.
Aliás, o vice Mourão acaba de promulgar uma medida pela qual, burocratas menores podem considerar, como secretas ou ultra secretas, informações por um período de 15 ou 25 anos. Um atentado à liberdade de informação e que fortalecerá a impunidade de membros do governo. O contrário da transparência. Pior do que nos governos militares e seus agentes da censura.
Aliás, em Davos, Bolsonaro mostrou sua enorme incapacidade. Leu mal um discurso vazio de seis minutos, sem usar os quarenta à sua disposição, como alguém que aprende a ler e escande palavras num mesmo tom inexpressivo. Sob pretexto de saúde, anulou encontros públicos programados com anterioridade. Lula, em Davos, falou hora e meia em 2003 e terminou ovacionado. Novamente falou em 2005 e 2007. Dilma em 2014.
Os governos de Jânio, com sua vassoura e Collor com seus marajás, caíram fruto de suas contradições entre o que proclamavam e o que fizeram. Este governo se esfarela, fruto de despreparo, inabilidade e duplicidade. Até quando se manterá?
A feroz campanha de O Globo indica que os setores dominantes não confiam nele. Tentam preparar o quê? Se Bolsonaro e Mourão caírem, assumirá provisoriamente o presidente da Câmara. Daí ser tão importante para o sistema a eleição de Rodrigo Maia, político para ele confiável. Competiria a este chamar a eleições.
Quem viria depois? Para esse sistema, Moro seria talvez o mais seguro, preparado nos Estados Unidos, fiel executor do que lhe tem sido pedido, desde sua atuação na lava-jato, usada antes de tudo para tirar Lula e o PT da vida política. Em Davos, Moro se cala e se esconde. Quer preservar-se diante de uma possível crise governamental? Outro candidato seria Dória, com ambição desmedida de sempre querer galgar mais um degrau no poder.
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O trágico é que os setores progressistas estão imobilizados ou empantanados em disputas menores, rancores e passos em falso, como a ida de Gleisi à Venezuela.
Em contrapartida, Fernando Haddad entrou em contato com Bertie Sanders dos Estados Unidos e Yanis Varoufakis, ex-ministro grego, na tentativa de articular uma Internacional Progressista em defesa da democracia. Recentemente encontrou dirigentes de Podemos espanhol. Terá liberdade dentro do PT para essa grande abertura? E este partido aceitará construir, como no Uruguai, uma frente ampla sem hegemonias? E como se posicionarão o PSOL, o PC do B, o PSB ou o PDT?
Mais importante do que partidos, será a presença de forças e movimentos sociais na base de um país em terrível crise. Na Espanha tudo começou com o M15 irreverente em Madri e com os Indignados em Barcelona, para chegar ao Podemos. O Giles Jaunes da França escapou ao controle do governo e dos partidos, como um grande movimento de protesto. Poderá coagular em algo sério adiante? A experiência da aliança da Geringonça em Portugal mostra bons frutos. E a eleição de López Obrador no México.
Que nos espera no Brasil pela frente? João XXIII falou, numa Igreja que envelhecia, de uma "flor de inesperada primavera". Antes de tudo não perder a esperança, procurar sinais em práticas criadoras portadoras de futuro, "utopias surgindo no meio de nós", cultivar o desabrochar incipiente de um possível amanhã. Carlos Drummond cantou:
Uma flor nasceu na rua!

Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.

Carta Maior

Flávio Bolsonaro está na capa das revistas e não é por boniteza - O simpático rosto de Flávio – filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro – estampa as edições de todas as quatro revistas semanais de informação do país neste final de semana. Veja, Época, IstoÉ e CartaCapital destacam as lambanças e suspeitas de crimes envolvendo o senador eleito do PSL e analisam os impactos do escândalo na incipiente era bolsonarista.

 



A reportagem de capa de Época desta semana mostra a trajetória de Flávio, de 37 anos, tido como o menos radical entre os irmãos e, até então, como o mais promissor dos filhos de Jair Bolsonaro na política. Senador eleito pelo Rio de Janeiro com quase 4,5 milhões de votos, tinha planos ambiciosos.

A revista também mostra como surgiu o Escritório do Crime e as suspeitas do envolvimento dessa quadrilha de matadores com os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Época diz ainda que novas revelações sobre Fabrício Queiroz emparedam o governo.

Na revista IstoÉ, a reportagem de capa aponta que “movimentações financeiras atípicas, com características de lavagem de dinheiro, suspeitas de apropriação dos salários de assessores, ligações de seu gabinete com milicianos do Rio e enriquecimento desproporcional são alguns dos questionamentos que envolvem o senador eleito Flávio Bolsonaro, o primogênito do presidente”

Já a revista Veja fala das “lambanças” do “filho pródigo” do presidente e afirma que teve acesso a trechos inéditos do relatório do Coaf sobre ações do ex-assessor Fabrício Queiroz que levanta suspeita sobre conta do próprio senador eleito.

Num destes trechos, diz a revista, “o conselho informa que Flavio Bolsonaro movimentou, entre 1º de agosto de 2017 e 31 de janeiro de 2018, a quantia de 632 229 reais, valor considerado incompatível com sua renda. Foram 337 508 reais em créditos e 294 721 em débitos. O Coaf resumiu assim a situação: “Suspeição: nossa comunicação foi motivada em razão de o cliente movimentar recursos superiores a sua capacidade financeira”. Trocando em miúdos: entendeu-se que as rendas de Bolsonaro não eram suficientes para explicar aquele volume de dinheiro em sua conta bancária.”

CartaCapital, a única das revistas semanais com viés mais progressista, destaca os “laços sombrios” de Flávio com milicianos do Rio de Janeiro. A reportagem de capa destaca que, como deputado estadual no Rio, Flávio empregou a mãe e a esposa de um dos chefes da milícia das favelas de Rio das Pedras e Muzema, propôs condecorações e fez discursos a favor de milícias.

“Há mais razões para desconfiar de vínculos do primogênito do presidente Jair Bolsonaro com a milícia que acaba de ser denunciada pelo Ministério Público (MP)? Há: a eleição do atual governador do Rio, Wilson Witzel, do PSC, em outubro passado. Na reta final da campanha no primeiro turno, Flávio e Witzel aliaram-se. Participaram unidos de compromissos eleitorais. Em 22 de setembro, por exemplo, estiveram em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Era um ato de Flávio. “Agradeço também a presença aqui do candidato Wilson Witzel, que estamos acompanhando em algumas agendas”, disse o então concorrente ao Senado”, diz a reportagem.


Portal Vermelho


domingo, 27 de janeiro de 2019

Bolsonaro: Entre a Degola e a Coleira. - A incompetência, mediocridade, ignorância, arrogância e violência só podiam gerar o caos. Depois de Davos, a desmoralização do governo brasileiro tornou-se definitivamente internacional.

(Stringer/Reuters)


Por Liszt Vieira


Após 3 semanas de (des)governo, aconteceu o que se esperava. A incompetência, mediocridade, ignorância, arrogância e violência só podiam gerar o caos. O baixo nível do Ministério só contribui para piorar. Depois de Davos, a desmoralização do governo brasileiro tornou-se definitivamente internacional.

 Em meio a esse pântano de irracionalidade, há alguns segmentos racionais. São eles: 

1) Alguns generais de direita que põem limites às alucinações presidenciais, como foi o caso da base militar americana no Brasil ou da transferência da embaixada para Jerusalém.

2) Sergio Moro, embora muito enfraquecido, porque se vê obrigado a engolir a corrupção e a cumplicidade da famiglia bolsonaro com o crime organizado das milícias, 

3) Paulo Guedes, representando o Deus Mercado que acha ótimo o presidente não entender nada de economia.

Temos pela frente duas possibilidades. Alguns jornalistas afirmaram que o governo se aproxima do final, pelo impeachment ou renúncia. Creio que ainda é cedo para essa previsão. Não sabemos ainda se o Governo vai conseguir maioria para aprovar as chamadas Reformas, principalmente a da Previdência. A desmoralização do Executivo provoca, indiretamente, o fortalecimento do Legislativo, onde tem peso o baixo clero, a turma do "toma lá, dá cá".

A hipótese de renúncia é improvável. Ninguém renuncia ao poder se não for forçado a isso. O caso, já citado, do ex presidente Jânio Quadros foi diferente. Ele fez uma manobra achando que o Congresso ia votar a seu favor e que ele voltaria ao Poder nos braços do povo. Por proposta do então deputado Almino Afonso, o Congresso decidiu que renúncia é um ato unilateral de vontade e que não cabia votação. Aprendiz de feiticeiro, o feitiço de Jânio voltou-se contra ele.

Por outro lado, ainda não se conhece a correlação de forças na Câmara dos Deputados. E os deputados do partido do presidente fazem parte todos do baixo clero. Viajaram à China, contrariando o guru do presidente, Olavo de Carvalho, que dos EUA, onde mora, reclamou e excomungou os parlamentares do PSL.

A outra possibilidade é a de um presidente fantoche, segurado na coleira pelos generais do governo. Vai ficar falando sobre armas, escola sem partido, criticando o PT, as terras indígenas etc, sempre imitando Trump com frases curtas via twitter ou whatsapp, mas não vai decidir nada de importante.

Essa hipótese supõe um controle estrito sobre a fala e as ações do presidente. Sobre a fala não parece haver problema. Ele diz uma coisa, os militares vetam, e ele desdiz. Já ocorreu várias vezes, vai continuar ocorrendo. 

No que se refere às ações, o problema será mais difícil de resolver. Nenhuma coleira conseguirá controlar os impulsos emocionais e completamente irracionais do presidente eleito. Em seus 27 anos chafurdando no baixo clero da Câmara dos Deputados, ele se destacou apenas por defender tortura, estupro, guerra civil, violência das milícias e grupos de extermínio, e por discriminar mulher, negro, gay e índio. Assim, se ele ultrapassar o limite, a coleira pode converter-se em degola.

Outro fator que certamente vai desgastar o (des)equilíbrio emocional do presidente é o conflito entre a agenda econômica neoliberal do Guedes e seu passado "sindicalista" de defender aumento de salário para militares e policiais. A reforma da Previdência será o primeiro confronto, mas não o único.

Ainda é cedo para dizer qual dessas duas hipóteses - degola ou coleira - é a mais provável. Ambas são possíveis. E ambas descortinam um horizonte sombrio. Basta ver o recente decreto do presidente em exercício, general Mourão, publicado em 24/1 passado, alterando as regras da Lei de Acesso à Informação e permitindo que assessores com cargo de comissão DAS-6 imponham sigilo a dados do governo que podem tornar-se secretos por 25 anos. E Moro continua fazendo cara de paisagem.

Vão varrer a corrupção para baixo do tapete. Quanto menor a transparência, maior o autoritarismo e menor a democracia. Mas é bom não esquecer que tudo isso, paradoxalmente, pode fortalecer as forças democráticas que serão obrigadas a redobrar esforços e lutar com mais afinco para assegurar a sobrevivência da democracia no Brasil.

Liszt Vieira é Professor da PUC-Rio


Carta Maior


Brumadinho – a lógica do lucro que prevalece sob Bolsonaro.

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O desastre ocorrido nesta sexta-feira (25), em Brumadinho (MG), que já foi descrito como uma “tragédia anunciada” poderá infelizmente ser o prenúncio de outras calamidades, prevalecendo no governo brasileiro a orientação imprudente e funesta que só favorece o lucro empresarial e rejeita a fiscalização rigorosa sobre as atividades das empresas, principalmente daquelas cuja atividade atinge populações e o meio ambiente. Tudo indica que a concepção que rompe com o necessário equilíbrio entre proteção ambiental e desenvolvimento prevalece num governo onde o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles - que, em tese, deveria implementar a fiscalização - considera o órgão responsável por ela, o Ibama, uma "fábrica de multas".

O desastre ocorrido em Brumadinho atingiu várias cidades da região, com impacto na vida de milhares de pessoas, e indica que centenas de vítimas fatais agravará ainda mais a tragédia - a lista de desaparecidos divulgada pela empresa responsável pela Mina do Feijão, pela barragem e pelo desastre, a mineradora Vale, relaciona o nome de quatrocentas pessoas desaparecidas. A exemplo do que ocorreu em Mariana, há pouco mais de três anos, as consequências ambientais, econômicas e sociais ainda se estenderão por muito tempo e algumas de modo irreversível.

Fundada em 1942, no primeiro governo de Getúlio Vargas, a Vale, que originalmente denominava-se Companhia Vale do rio Doce (CVRD), foi privatizada em 1997, no governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. Seu lucro, em 2017, que superou os 17 bilhões de reais, a coloca entre as maiores mineradoras do mundo. No entanto, apesar das promessas, o que se vê é o lucro aumentar e os cuidados ambientais e com as condições de trabalho de seus funcionários diminui.

Além da trágica dimensão humana, o rompimento da barragem em Brumadinho – que acontece há pouco mais de 3 anos após desastre semelhante ocorrido em Mariana (MG), igualmente envolvendo a Vale - tem outra terrível conseqüência: a destruição do meio ambiente. Vazaram cerva de 14 milhões de metros cúbicos de dejetos, lançados na bacia hidrográfica, e que atingiram o rio Paraopeba, um importante afluente do Rio São Francisco – cujo leito, já martirizado pelo descaso ambiental e pelo desmatamento, poderá ficar comprometido com a poluição resultante de mais essa tragédia, com graves consequências ambientais.

A tragédia de Brumadinho pode ser vista como uma infeliz metáfora da caótica situação vivida pelo Brasil desde o golpe do traidor Michel Temer, que tomou o governo de assalto 2016. Situação que prossegue agravada sob o comando do direitista ultraliberalJair Bolsonaro. Como em Brumadinho, é sobre o povo e o meio ambiente que recai o custo da lógica imperante, que favorece a ganância do capital e o lucro empresarial. Bolsonaro é um crítico ferrenho das políticas sociais, trabalhistas e ambientais de governos anteriores. Em Brumadinho as vítimas são os trabalhadores e o meio ambiente. O desastre, ocorrido no mês inicial do governo de Jair Bolsonaro, pode ser, infelizmente, um retrato de seu descaso com o povo, os trabalhadores... e o meio ambiente.

Portal Vermelho


sábado, 26 de janeiro de 2019

Ameaçado de morte por seguidores de Bolsonaro, Jean Wyllys abandona seu mandato e vai embora do Brasil - Wyllys se encontra de férias fora do país, e assegurou que não pensa em voltar, devido às constantes ameaças recebidas. O agora ex-deputado citou uma conversa que teve com o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica para justificar sua decisão: ''me disse que os mártires não sempre são recordados como heróis, e que eu tenho o direito de priorizar minha vida diante dessas ameaças''


Eleito com 24.295 votos nas eleições de outubro no Rio, Wyllys fez despedida em sua conta de Twitter (Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

Créditos da foto: Eleito com 24.295 votos nas eleições de outubro no Rio, Wyllys fez despedida em sua conta de Twitter (Luis Macedo/Câmara dos Deputados)




As informações são do diário Folha de São Paulo, que publicou nesta quinta-feira (24/1) uma entrevista onde afirma que o deputado federal brasileiro Jean Wyllys, um dos mais conhecidos e relevantes ativistas políticos da causa LGBTI em seu país, e recentemente eleito para seu terceiro mandato no Congresso, decidiu abandonar seu cargo por causa das constantes ameaças de morte dirigidas a ele pelos seguidores do novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

Eleito pela terceira vez como deputado pelo Estado do Rio de Janeiro, Wyllys se encontra de férias fora do Brasil (não foi revelado em que país), mas afirmou que não pensa em regressar, porque precisa cuidar de sua integridade física, e citou uma conversa que teve com o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica para justificar sua decisão: “ele me disse que os mártires nem sempre são recordados como heróis, e que eu tenho o direito de priorizar minha vida diante dessas ameaças”, contou o agora ex-deputado.

É importante destacar que Wyllys é integrante do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), o mesmo de Marielle Franco, a vereadora carioca que foi assassinada em março de 2018, após dois anos sendo ameaçada de morte por impulsar uma agenda de defesa dos direitos humanos. Ademais, nesta semana se descobriu um vínculo entre Flávio Bolsonaro, filho maior do presidente, e o principal suspeito de assassinar Marielle.

Além das ameaças de morte, Jean Wyllys conviveu também com diferentes ataques contra si por parte das redes de difusão de notícias falsas dos seguidores de Jair Bolsonaro. Em uma das tantas falsidades promovidas com seu nome está a de que ele “defende a pedofilia”, afirmada pelo ator pornô e deputado federal bolsonarista Alexandre Frota.

O caso, muito parecido ao que envolve a deputada comunista chilena Camila Vallejo e o âncora da Rádio Agricultura, Gonzalo de la Carrera, também terminou na Justiça e com sentença favorável a Wyllys: Frota foi condenado por calúnia e difamação, se sua pena foi uma multa de 295 mil reais. “Não sei se saiu barata, mas o preço que pago pelos danos à minha imagem são muito maiores, e irreversíveis”, comentou o ativista sobre o caso.

Longe da política, Wyllys afirmou na mesma entrevista que pretende se dedicar à sua carreira acadêmica, e assegurou que não abandonará o ativismo em favor da causa LGBTI.

*Publicado originalmente em eldesconcierto.cl | Tradução do autor


Carta Maior

A essência da lista de metas do governo Bolsonaro.

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Convencionou-se dizer que os primeiros cem dias de governo são determinantes para se ter uma base sobre como será a sua gestão. Esse período seria tempo suficiente para traçar as metas dos próximos anos e divulgar balanços das primeiras ações da administração. E assim fica-se sabendo se o que foi prometido na campanha e registrado no plano de governo faz parte das metas e quais são as ações de curto, médio e longo prazos. Nesse tempo também é possível conhecer a equipe do governo e quais são suas ações efetivas para dar cumprimento ao que foi anunciado. 

Foi com base nessa convenção — que tem a marca do período do retorno do imperador francês Napoleão I ao poder e do início do governo Franklin Roosevelt para enfrentar a Grande Depressão nos Estados Unidos — que a Casa Civil divulgou suas 35 metas para os cem dias iniciais do governo Bolsonaro. Em lugar de falar sobre o que vem sendo feito, como fez Roosevelt em julho de 1933, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, anunciou um amontoado de intenções que têm muito mais a ver com marketing do que com plano de metas. 

O anúncio faz parte da retórica vazia desse governo, especialmente nesse período de turbulências decorrentes de malfeitos do clã Bolsonaro, uma prática que vem da campanha eleitoral de falar de generalidades para não dar explicações sobre as consequências das medidas ultraliberais e neocoloniais, o principal ponto do seu programa. Na lista das metas consta itens sobre problemas sociais e morais, meras reproduções da campanha eleitoral, mas estão também questões como “cessão onerosa” de uma parte da área do petróleo do pré-sal e “redução da máquina administrativa”.

Na parte da lista diretamente ligada à administração da economia está a essência desse governo. Seus integrantes que recentemente participaram do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suiça, deixaram isso absolutamente claro. Ela aparece envolta ao que se pode chamar de “perfumaria” exatamente para se diluir na salada de metas alicerçadas em ideias sem nexo e equações incompreensíveis. Como equalizar, por exemplo, estímulo à agricultura familiar, expansão do benefício do Bolsa Família e melhorias na educação com um programa de governo centrado no ataque ao Estado e no arrocho orçamentário?

As metas falam também de medidas punitivas, flagrantemente ineficazes, como o Decreto de facilitação da posse de armas, uma tentativa de institucionalizar a violência como instrumento único de combate à violência. Esse conceito se estende à promessa de um Projeto de Lei “para aumentar a eficácia no combate ao crime organizado, ao crime violento e à corrupção” e “apoio à Operação Lava Jato”. Como se sabe, esse conceito afrontou o Estado Democrático de Direito, resultando em condenações e prisões com viés nitidamente ideológico e político, a mais notória delas a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

O sentido marqueteiro das metas não pode ser ignorado, mas a sua essência — o que de fato vem ao caso — merece mais atenção. Ela não deixa margens para dúvidas de que esse governo tem, sim, um programa bem definido, não sem motivos apresentado de forma nebulosa, recheada de tergiversações, como essa lista de metas. O marketing da retórica tem o objetivo de desviar as atenções dessa essência e, consequentemente, amenizar a rejeição popular. Os objetivos inatingíveis entram como elementos para dourar a pílula, o amargo remédio anunciado para entregar o patrimônio público, cortar direitos e solapar as bases do que resta da democracia restaurada com o fim da ditadura militar. 


Portal Vermelho


sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Carta de Caracas: Estados Unidos e seus cúmplices reconhecem um presidente fantasma.

 




No mundo da pós-verdade tudo é possível. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e vários dos governos latino-americanos cúmplices, reconheceram o autoproclamado Juan Guaidó, presidente de uma Assembleia Nacional em rebeldia, e que não tem sequer um voto, como presidente interino da Venezuela, com o aval de Washington. A reação (inesperada?): Maduro rompeu relações com os Estados Unidos.

Este 23 de janeiro foi apresentado pela oposição como o “Dia D”, em releases para a imprensa internacional. Acabou sendo o dia da desmobilização de uns e de outros. Dia da demonstração da apatia e da passividade que os venezuelanos, cansados de uma oposição sem ideias nem credibilidade e de um governo que não consegue tirar o país da grave crise econômica e social em que se encontra. É verdade que o governo não convocou uma mobilização, mas tampouco é fácil organizar um movimento genuíno em apoio a Maduro.

Os meios cartelizado se encheram de fake news, de mentiras e meias verdades sobre um presidente fantasma, que talvez instale o seu governo em Washington ou Bogotá.

Romper relaçõesO presidente Nicolás Maduro anunciou a decisão de romper relações diplomáticas com Washington. “O governo imperialista dos Estados Unidos dirige uma operação para impor um governo títere através de um golpe de Estado. Pretendem eleger e designar o presidente da Venezuela por vias extraconstitucionais”, expressou o mandatário, em discurso transmitido do Palácio de Miraflores.

“Fora! Vão embora da Venezuela. Aqui há dignidade, caralho! Aqui há um povo disposto a defender esta terra”, agregou o governante, indicando que os integrantes da sede diplomática estadunidense têm 72 horas para abandonar o país. “Os nossos problemas se resolvem em casa, sempre contando com o povo”, reiterou Maduro, assegurando que não permitirá que países estrangeiros se intrometam em assuntos internos da Venezuela.

“Hoje, vimos um silêncio informativo brutal. Os meios de comunicação internacionais, mais uma vez, censuram o povo da Venezuela, todos os meios internacionais atuam para invisibilizar para o mundo que aqui há um povo bolivariano governando”, comentou Maduro em seu discurso.

Uns são cúmplices, outros são soberanosO secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, disse que o processo de dois anos iniciado pela Venezuela em abril de 2017 para abandonar o organismo foi interrompido. “Obviamente, o relógio está parado a partir de hoje”, disse o diplomata, um dos impulsores da estratégia do governo paralelo, e que provavelmente terá que alojar o suposto “presidente interino” nos escritórios da organização que lidera, em Washington.

Como era previsível, o mandatário colombiano, Iván Duque, também reconheceu Juan Guaidó como presidente interino autoproclamado. A Colômbia “acompanha este processo de transição à democracia, para que o povo venezuelano se libere da ditadura”, disse, durante sua passagem pelo Foro Econômico de Davos. A mesma postura se espera do governo do Canadá, que também segue o roteiro de Washington.

“Confiamos, como os demais países do Grupo de Lima, que a decisão da Assembleia e do seu Presidente conduza ao restabelecimento da democracia, através de eleições livres e transparentes, com plena vigência da Constituição e a participação de líderes da oposição”, disse o argentino Mauricio Macri, fazendo coro ao ditado de Washinton.

Guiadó, um jovem quase desconhecido pelos venezuelanos, assumiu como presidente interino diante de centenas de pessoas congregadas na avenida Francisco de Miranda, em Caracas, durante uma mobilização em respaldo ao parlamento e contrária ao governo do presidente Nicolás Maduro.

“O presidente Donald Trump reconhece oficialmente o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como o presidente interino da Venezuela”, anunciou o porta-voz da Casa Branca, agregando que se usará “todo o peso diplomático e econômico dos Estados Unidos para pressionar pela restauração da democracia venezuelana”, e estimulou a que “outros governos do hemisfério ocidental reconhecem Guaidó como presidente da Venezuela”.

Porém, nem tudo foi cor-de-rosa para o presidente estadunidense neste dia. O governo do México afirmou que reconhece o governo de Maduro, apesar da jogada de Juan Guaidó. “Nós reconhecemos as autoridades eleitas de acordo à Constituição venezuelana”, disse o porta-voz da Presidência mexicana, Jesús Ramírez. “Até o momento, não há nenhuma mudança em suas relações diplomáticas com este país ou com o seu governo”.

Por sua parte, o presidente boliviano expressou: “nossa solidariedade com o povo venezuelano nestas horas decisivas, quando as garras do imperialismo buscam novamente ferir de morte a democracia e a autodeterminação dos nossos povos da América do Sul. Nunca mais aceitaremos ser o quintal dos Estados Unidos”.

Bolivarianos em vigíliaO vice-presidente do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), Diosdado Cabello, afirmou que “hoje, os lacaios do império dizem que Nicolás Maduro deixou de ser o presidente. E quem colocaram no lugar? Quem votou nesse sujeito escolhido por Washington? E por quem votou o povo? Fazemos um chamado à unidade das forças revolucionárias, dos partidos do Grande Polo Patriótico. A unidade é o que garante o triunfo da revolução. Que ninguém se renda!”.

Para ele, a oposição “acredita em um país de fantasia, nós acreditamos na realidade das ruas, na pátria e em um futuro de paz. Alguns companheiros estão nervosos. Não nos angustiemos, porque aqui os angustiados são eles (a oposição). Tentarão nos provocar, para que caiamos em suas armadilhas. Não, são eles os que estão presos à sua própria armadilha”, enfatizou em seu discurso. Também pediu aos militantes que se mantenham em vigília diante do Palácio de Miraflores.

A guerra sob mando militar estadunidenseNesta terça-feira (22/1), o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, divulgou um vídeo dedicado aos venezuelanos para estimular que protestem contra o mandatário Nicolás Maduro, destacando o forte respaldo de Washington ao líder opositor Juan Guaidó, e foi reproduzido por mais de 2 mil meios de imprensa em todo o mundo.

Com respeito aos meios latinos, se contrataram os espaços e tempos mais vistos, escutados e destacados de vários países. O “discurso” de Pence foi preparado por 25 assessores muito bem escolhidos da Espanha, México, Colômbia, Argentina e Brasil, sob a coordenação de especialistas da OEA e da organização Human Rights Watch.

Pence treinou seu discurso durante 12 horas, nos dias 17, 18 e 19 de janeiro, um trabalho árduo e muito exigente. Para os generais do Comando Sul, já não existem partidos nem dirigentes na oposição venezuelana que sejam capazes de manter uma luta pelo poder contra os chavistas através da via eleitoral ou democrática. Por isso, foi Pence quem teve que fazer o discurso em nome da oposição venezuelana.

O Comando Sul, em combinação com o chamado Grupo de Lima e a direção da OEA participam do plano para uma intervenção externa na Venezuela, que visa criar um agonizante e assustador quadro interno de crise social, que permita uma reação da comunidade internacional disfarçada de “ajuda humanitária”.

Diante deste futuro quadro “agonizante e assustador”, os Estados Unidos assumiriam um papel mais protagonista. No dia 27 de dezembro, junto com um grupo de opositores venezuelanos, se decidiu em Washington iniciar o golpe mortal para desatar uma verdadeira guerra civil na Venezuela, similar ao realizado contra o líbio Muammar al-Gaddafi, e agendaram o início da operação para este 23 de janeiro.

O plano do Pentágono até agora consiste em estimular a “briga de cachorros” entre os venezuelanos, a Fase 1 de uma estratégia que vem sendo aplicada há quase duas décadas, e que é seguida pelo assédio internacional, sanções e bloqueios. A Fase 3 é a da intervenção direta, por meio de mercenários ou forças militares de países vizinhos (como Colômbia e Brasil).

Porém, não aparece na Venezuela uma figura como a de Pinochet, já que as forças armadas não se forjaram exclusivamente por uma casta “muito refinada, imbuída profundamente nos valores da sociedade ocidental”, segundo definições do Comando Sul. E ninguém acredita que a oposição venezuelana possa vender ao país sua imagem de “heróis da liberdade”.

Álvaro Verzi Rangel é sociólogo venezuelano, codiretor do Observatório de Comunicação e Democracia, e colaborador do Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE)

*Publicado em estrategia.la | Tradução de Victor Farinelli 


Carta Maior


Cúpula militar reafirma apoio a Maduro e acusa Guaidó de golpe - Alerto o povo da Venezuela que está acontecendo um golpe de Estado contra a institucionalidade, diz Vladimir Padrino.

Ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino
Ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino

O ministro da Defesa da Venezuela, o general Vladimir Padrino, voltou a afirmar nesta quinta-feira, 24, que a autoproclamação do líder parlamentar opositor Juan Guaidó como presidente interino é um "golpe de Estado" em marcha.

"Aqueles que favorecem essa figura de um governo paralelo de fato são muito perigosos. Nós, homens e mulheres uniformizados, seríamos indignos de usar nosso uniforme, mas defender nossa Constituição e soberania ", disse ele em uma aparição na televisão e cercado pelo alto comando militar.

"Alerto o povo da Venezuela que está acontecendo um golpe de Estado contra a institucionalidade, contra a democracia, contra a nossa Constituição, contra o presidente Nicolás Maduro, presidente legítimo", assegurou o ministro.

Padrino denunciou que a oposição e os Estados Unidos haviam empreendido um plano para destituir o sucessor de Hugo Chávez. "Há muito tempo vem se preparando um golpe vulgar (...), e ontem veio em níveis altamente perigosos." 

Padrino advertiu que a proclamação de Guaidó é "altamente perigosa" e apelou ao diálogo para resolver o conflito político. "É extremamente perigoso o que aconteceu em 23 de janeiro (...) Ontem nós vimos um evento repreensível: um homem se auto-proclamando presidente, esse é um assunto muito sério", disse ele. Segundo o ministro da Defesa, a oposição violou a Constituição do país. "Estamos aqui para evitar uma guerra entre venezuelanos ... A sustentabilidade jurídica usada para jurar em um governo de fato não tem destino feliz", acrescentou.

Ontem, Padrino deu apoio a Maduro por meio do Twitter. "O desespero e a intolerância atentam contra a paz da nação. Os soldados da pátria não aceitam um presidente imposto pela sombra de interesses escusos e autoproclamado à margem da lei", disse.

Após a autoproclamação de Guaidó, Maduro rompeu relações diplomáticas com os Estados Unidos. O presidente também pediu que a Justiça tome medidas contra Guaidó. "Cabe aos órgãos responsáveis atuar como diz a lei, já que esse é um tema de Justiça para preservar o Estado e a ordem democrática", diz Maduro diante de simpatizantes no Palácio de Miraflores. 


Portal Vermelho

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Caso Coaf prejudica agenda brasileira em Davos.


Discurso Especial de Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil e Klaus Schwab, Fundador e Presidente Executivo do Fórum Econômico Mundial durante a sessão: “Discurso Especial de Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil” na Reunião Anual de 2019 do Fórum Econômico Mundial em Davos, 22 de janeiro de 2018 Centro de Congressos - Salão de Congressos. Copyright do Fórum Econômico Mundial / Christian Clavadetscher


Os Divergentes


Filho é filho, e pai não joga filho ao mar. Mas Jair Bolsonaro escolheu a TV Bloomberg hoje pela manhã, em Davos, para dar o recado que seu entorno militar esperava: se Flávio Bolsonaro errou, e isso for provado, vai ter que pagar o preço por seus atos. Não foi a primeira vez que o presidente deu declaração esse sentido, e trata-se até de certa obviedade, mas tem seu peso em meio a revelações em série sobre o filho e seus assessores.

Desde o fim de semana, os auxiliares mais próximos do presidente estavam preocupados em demarcar distância entre o presidente e a situação enrolada de Flávio Bolsonaro, e suspiraram aliviados nesta manhã. Sabem, porém, que o cordão de isolamento só vai funcionar se a sangria de vazamentos e revelações diárias sobre o filho for estancada – o que, pelo tom da mídia, parece difícil.

Entrevista com Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro. Foto Reprodução/SBT Brasil

Até porque há pontos do caso Coaf em que o próprio presidente é mencionado, como o fato de a filha de Fabrício Queiroz ter trabalhado para ele e o empréstimo que ele teria feito ao funcionário.
O fato concreto é que a crise Coaf atrapalhou a agenda de Bolsonaro em Davos. O cancelamento da coletiva e do pronunciamento presidencial previstos para esta quarta em Davos — algo inédito no Fórum — é sinal disso. O prejuízo se estendeu também aos ministros Paulo Guedes e Sérgio Moro, que fariam a coletiva que acabou cancelada e acabaram perdendo a oportunidade de ter maior contato com a imprensa internacional — que anda cética em relação ao Brasil.

PCdoB condena ameaça de intervenção na Venezuela - Nota do Partido Comunista do Brasil diz que a escalada golpista tem a batuta dos Estados Unidos e que o governo brasileiro, ao se subordinar à Casa Branca, rompe com a tradição centenária da diplomacia nacional de respeito à autodeterminação dos povos e ao princípio do não intervencionismo.

 


O Itamaraty proclamou em nota oficial o reconhecimento de um pretenso e autoproclamado “Presidente Encarregado da Venezuela”, Sr. Juan Guaidó. Alega isso se dar “de acordo com a Constituição daquele país, tal como avalizado pelo Tribunal Supremo de Justiça”.

Nicolás Maduro foi empossado presidente em 10 de janeiro, fruto de eleições legitimamente convocadas, acompanhadas por dezenas de delegações internacionais, em 10 de maio de 2018. A posse, expressamente nos termos constitucionais segundo o artigo 231, foi efetuada pelo Tribunal Supremo de Justiça. A Venezuela tem uma Constituição aprovada pela soberania popular e democrática, da qual emana o mandato legítimo de Nicolás Maduro.

A posição do governo brasileiro subordina-se à posição dos Estados Unidos, e soma-se à de outros países que agem pela desestabilização da Venezuela, bem como a Organização dos Estados Americanos (OEA). 

Tal posição representa uma mudança qualitativa e profundamente negativa no papel do Brasil no mundo. Mais que a falsa justificativa, o ato alimenta intentos de intervenção militar de Donald Trump, presidente dos EUA, na Venezuela, o qual se utiliza de um vizinho do porte do Brasil na América do Sul para dar justificativa a tais intentos. Representa, portanto, gravíssimo perigo de um conflito militar na América Latina, em região vizinha à Amazônia, em torno de interesses inconfessáveis relacionados à disputa geopolítica.

O Brasil há 140 anos não tem conflitos militares com seus vizinhos. Ao contrário, sempre adotou os caminhos negociados e equilíbrio pragmático nas relações internacionais, em especial com os vizinhos latino-americanos e caribenhos, como fator estabilizador no Continente. 

O PCdoB condena veementemente tal posição e se mantém solidário com os preceitos de respeito à autodeterminação, não-intervenção e solução pacífica dos conflitos como princípio pétreo do ordenamento nas relações exteriores de nosso país.

A Comissão Política Nacional do PCdoB
São Paulo, 23 de janeiro de 2019


quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Para pavor dos Bolsonaro, imprensa sabe o que eles ''fizeram no verão passado'' - A situação dos Bolsonaro se agravou sobremaneira. Eles estão vivendo, na vida real, a agonia representada no filme.

Flavio gravou vídeo 'chorando' quando seu pai foi esfaqueado, durante a campanha para as eleições presidenciais (Reprodução/Youtube)
Créditos da foto: Flavio gravou vídeo 'chorando' quando seu pai foi esfaqueado, durante a campanha para as eleições presidenciais (Reprodução/Youtube)





A estratégia do clã Bolsonaro no escândalo Queiroz é de um primitivismo rudimentar e até pueril. Eles se iludem que, fugindo e se escondendo da justiça, o escândalo pode desaparecer, cair no esquecimento ou deixar de existir. Pensamento mágico.

Considerando os detalhes escabrosos descobertos até aqui, é compreensível a dificuldade da família conseguir apresentar uma versão coerente e consistente, que consiga ficar em pé. Por isso eles precisam fugir.

O caso Queiroz é como a metáfora citada pelo falecido juiz do STF Teori Zavascki: “a gente puxa uma pena e vem uma galinha”. Ou seja, o “rolo” do Queiroz é apenas uma pequena ponta de um icebergmuito mais profundo, abrangente e antigo.

O R$ 1,2 milhão movimentado atipicamente por Queiroz mediante o desvio do salário de funcionários laranjas e fantasmas [inclusive filhas e esposa] é, presumivelmente, a falcatrua mais branda a que os Bolsonaro estão chamados a esclarecer.

As ilicitudes praticadas nos gabinetes parlamentares dos Bolsonaro não são “apenas” as conhecidas e condenáveis práticas de “caixinhas” que financiam atividades dos mandatos.

Existem fortes indícios de movimentação milionária de dinheiro. Em 3 anos, só pelas contas do Queiroz passaram R$ 7 milhões. Suspeita-se de associação criminosa e negócios imobiliários que encobrem ilícitos de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito.

E, mais grave que tudo isso, é a revelação de laços que supostamente vinculam o clã dos Bolsonaro ao submundo das milícias e da criminalidade do Rio de Janeiro.

No GGN, Luis Nassif mencionou a Operação Quarto Elemento [ler aqui], que investiga a participação de agentes da PM e paramilitares no assassinato da Marielle e do Anderson e cujos integrantes da organização criminosa atuaram como segurança de Flávio Bolsonaro e de atos de campanha do governador eleito, o bolsonarista Willson Witzel.

O jornalista Lauro Jardim, no O Globo, divulgou que Queiroz se escondeu na favela de Rio das Pedras, que “É a segunda maior favela da cidade e dominada da primeira à última rua pela milícia mais antiga do Rio de Janeiro” [ler aqui]. Como fugiu de depoimentos e se refugiou no aparelho das milícias, o gesto do Queiroz caracteriza clara afronta ao Estado de Direito.

Em resposta à nota que a defesa de Queiroz lhe enviou mentindo que o ex-motorista ficara na casa da filha no Itanhangá, Lauro Jardim fulminou: “Queiroz passou alguns dias, sim, na favela de Rio das Pedras (entre os dias 17 e 20 de dezembro)”.

A situação dos Bolsonaro se agravou sobremaneira. Eles estão vivendo, na vida real, a agonia representada no filme “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”.

No filme, adolescentes retornam à cidade onde no verão anterior haviam cometido e ocultado um assassinato, e são recepcionados com um bilhete dizendo “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”. A partir daí o enredo se estabelece, o inferno se instala e um a um dos jovens implicados no assassinato é justiçado.

A sobrevivência do Bolsonaro é incerta. A imprensa sabe muito aquilo que a família esconde. A imprensa sabe o que os Bolsonaro “fizeram no verão passado”. Os Bolsonaro pensam que estão driblando todo mundo, mas na realidade estão tropeçando nas próprias pernas.

*Publicado originalmente no blog do autor


Carta Maior