CEZAR CANDUCHO

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

PT deve trocar mandato de Dilma pela cassação de Eduardo Cunha?

cunha

O Blog consultou parlamentares do Congresso Nacional e cientistas políticos e chegou a uma conclusão: dificilmente Eduardo Cunha será cassado mesmo que o Conselho de Ética aprove abertura de processo de cassação contra ele.
Na verdade, a força do presidente da Câmara é tanta que até o STF, que inovou pedindo a prisão de um senador da República – fato inédito na história do país -, encolhe-se diante dele.
Cunha intimida testemunhas, faz ameaças públicas a Deus e o mundo, usa o cargo para atrapalhar as investigações – muito mais do que descobriu-se que Delcídio do Amaral fazia -, mas continua no cargo.
Quem deveria agir contra ele (o Ministério Público e o STF), não o faz. Por que? Mesmo após a pesquisa Datafolha que revelou que 81% dos brasileiros querem que Cunha seja cassado, a tendência é a de que tanto o Legislativo quanto o Judiciário, bem como o Ministério Público, não derrubem o poderoso presidente da Câmara dos Deputados.
Por que Cunha inspira tanto terror nos três Poderes da República?
Segundo os parlamentares com os quais o Blog conversou, essa “cunhofobia” deriva do fato de que uma eventual delação premiada do presidente da Câmara atingiria em cheio o dito “baixo clero”.
Ou seja: a chantagem que Cunha faz ao governo (sobre deflagrar o processo de impeachment caso o processo de cassação de seu mandato seja aberta) não é a única. A maioria parlamentar que o elegeu presidente da Câmara tem medo do que ele possa dizer se perder o mandato e for preso.
Mas não é só. Há quem diga que setores do STF e do MP também temem revelações de Cunha que ele ainda não fez para ter moeda de troca com esses órgãos.
Apesar de Cunha ter sido apoiado fortemente pelo PSDB e pela banda antipetista do PMDB por ser considerado “o único que pode derrubar Dilma”, agora a mídia joga o presidente da Câmara no colo do PT em vez de cobrar do MP e do STF que ajam com ele como agiram com Delcídio do Amaral.
Cunha sabe muito bem que o governo Dilma não tem poderes para interromper ou promover investigações. Porém, culpa Dilma pelas acusações de que é alvo sob um cálculo elementar: ela pressionaria o PT a aliviar contra si.
É possível que o Conselho de Ética, que tem poucos membros, aceite o processo contra Cunha, sobretudo se ele tiver votos favoráveis do PT. Porém, no plenário da Câmara a história será outra.
Mesmo em votação aberta, o medo das revelações que ele pode fazer o livrará da cassação.
Ao votar pela abertura de processo contra Cunha, o mais provável é que o PT veja Dilma ser derrubada e o presidente da Câmara ficar impune.
Por outro lado, é inaceitável o que ele está fazendo. Se este fosse um país sério, se essa pretensa nova postura da Justiça de não distinguir ninguém ao tomar decisões fosse verdadeira, MP e STF já deveriam ter pedido a prisão do presidente da Câmara pelo mesmo motivo que pediram a de Delcídio: atrapalhar as investigações.
Essa Justiça é a mesma que mantém paralisados há mais de um ano o mensalão tucano e o escândalo dos trens de São Paulo. É uma Justiça que é uma leoa com o PT e uma gatinha com o PSDB.
Há mais um fato a considerar: ninguém duvida de que se acrescentarmos um governo provisório – decorrente do afastamento de Dilma por 180 dias após abertura de um processo de impeachment – às atuais incertezas sobre o país, a economia irá afundar muito mais rapidamente, com aumento exponencial do desemprego, da inflação e da recessão.
Apoiar ou não o voto do PT contra Cunha no Conselho de Ética, portanto, é uma escolha de Sofia. Para o PT.
Alguns dirão que, com o mandato sob risco devido a sofrer um processo de cassação, Cunha “não terá moral para conduzir o impeachment”. Bobagem. Não mudará nada. Ele terá o cargo, a caneta e apoio para levar o processo adiante.
Como Cunha gosta de dizer, ele não cairá sozinho…
E é óbvio que a oposição e a militância antipetista, que apoiaram Cunha até um minuto atrás, agora têm todo interesse em que o PT derrube Dilma votando contra o presidente da Câmara, de modo que votarão de modo oposto.
É difícil não ficar dividido.
Por um lado, se o PT votar contra Cunha é muito provável que Dilma seja afastada por 180 dias – e, se isso ocorrer, ela não volta mais. Além disso, a economia vai entrar em coma. Por outro lado, ceder à chantagem de Cunha é ceder a tudo que este país precisa combater.
Este Blog atua formando opinião há cerca de uma década. Pela primeira vez, porém, é a vez do leitor de formar a opinião do Blog.
O que você acha? Vale a pena o PT trocar o mandato de Dilma e o naufrágio da economia pela cassação de Cunha? Por outro lado, vale a pena o partido se submeter a um chantagista barato como esse, que, lá na frente, poderá fazer novas chantagens?
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Pressão da sociedade inviabiliza chantagem de Cunha e acelera sua queda.



Durante a terça-feira, 1 de dezembro de 2015, ocorreu um fenômeno no país que, ao fim e ao cabo, pode terminar mostrando que a democracia pode não ser lá uma maravilha, mas é o sistema que melhor funciona. A pressão da sociedade SEPULTOU uma chantagem asquerosa.
Nos últimos dias, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, vinha chantageando o governo Dilma e o PT com a possibilidade de abrir processo de impeachment caso o PT não votasse a seu favor no Conselho de Ética, ou seja, contra a abertura de processo de cassação do peemedebista.
Informações obtidas pelo Blog deram conta de que o partido e o próprio governo se deixaram abalar pela ameaça e já faziam pressão sobre os três deputados petistas que integram o Conselho de Ética para que votassem a favor de Cunha.
Eis que a chantagem de Cunha desencadeou um processo bonito – e raro – de se ver. A sociedade brasileira se uniu contra a chantagem dele.
Redes sociais, blogs, os sites jornalísticos ferveram com uma tsunami de comentários desafiando Cunha a cumprir sua ameaça. E o que é melhor: foi a militância do PT quem desencadeou esse processo.
Ao longo do dia, por toda parte a chantagem de Cunha começou a naufragar. Para que se possa mensurar o que aconteceu, presidentes de todas seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil nos 27 estados e no Distrito Federal cobraram afastamento imediato do presidente da Câmara, liderados pelo presidente nacional da entidade, Marcus Vinicius Furtado Coêlho.
Eis que, no meio da tarde, começa a sessão do Conselho de Ética da Câmara com finalidade de deliberar sobre a admissibilidade do processo contra o presidente da Câmara. Ao chegar em casa, sintonizo a tevê e começo a assistir aos debates.
O que vi foi uma das mais alentadoras surpresas que tive nos últimos anos.
Os deputados, acuados pelos pares decididos a cassar Cunha, começam a convergir para a decisão pela admissibilidade do processo contra ele. Alguns deputados que eram tidos como favoráveis a Cunha renegam essa posição, demonstrando medo de serem confundidos com apoiadores dele.
O presidente do PT, que até então vinha sendo cauteloso sobre o tema, divulga, no Twitter, que confia nos deputados de seu partido no sentido de que votarão pela abertura do processo contra Cunha.
Fonte com a qual conversei pela manhã desse dia glorioso para a democracia, envia mensagem via Whats App:
“As coisas mudaram. A chantagem de Cunha está inviabilizada. Se ele reagir com pedido de cassação de Dilma, será derrotado”.
O fato é que a pressão da sociedade e a chantagem desavergonhada do presidente da Câmara terminaram de enterrá-lo. Com voto aberto, pouquíssimos deputados terão coragem de defendê-lo.
E, pelo visto, nenhum deles será do PT.
Se insistir em pedir abertura de processo de impeachment, pela ilegitimidade que construiu com a sua arrogância e com a sua desfaçatez Cunha será derrotado. A Câmara não aceitará que ele promova essa farsa. Não por seus pendores éticos, mas por medo da sociedade.
Quanto ao processo contra Cunha, em votação aberta – como a que autorizou o STF a manter a prisão de Delcídio do Amaral – muito poucos votarão por absolvê-lo. Quem o fizer, estará cometendo um suicídio político.
O Brasil está para dar um grande passo no aperfeiçoamento de sua democracia. Se tudo isso se mantiver na votação no Conselho de Ética – que ocorrerá nesta quarta-feira -, além de o golpismo sofrer um golpe mortal, o Brasil começará a se livrar de um de seus piores políticos.
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