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sábado, 1 de outubro de 2016

São Paulo: o que está em jogo no próximo domingo - Defendendo uma São Paulo mais justa, onde haja 'ocupação do espaço público e interação humana', Haddad garantiu que não abrirá mão desse sonho.

Paulo Pinto / AGPT


Tatiana Carlotti

O auditório da Casa de Portugal estava lotado na última terça-feira (27.09.2016), na capital paulista. Militantes, lideranças de movimentos populares e sociais, artistas, parlamentares e intelectuais se reuniram em um grande ato de apoio à reeleição de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo.

A poucos dias das eleições, Haddad contou sobre o cotidiano de campanha e mostrou confiança ao lembrar que, em 2012, às vésperas do primeiro turno, todos os institutos de pesquisa o colocavam fora da disputa eleitoral. “Até domingo, a bola está rolando em campo. O juiz não apitou”.

Explicitando as conquistas de sua gestão, Haddad frisou a ruptura do seu governo com o paradigma arcaico e elitista na administração da cidade. “São Paulo pode liderar um processo importante de transformação da vida urbana”, em sintonia com as experiências verificadas em outras capitais mundiais.

Haddad falou sobre sua ambição enquanto gestor público. “Eu sonhava com a ideia de colocar o pé na rua e continuar me sentindo em casa” e “que todas as pessoas que moram nesta cidade pudessem, ao sair de suas residências, continuar [se sentindo] nas suas casas”. 
 
Um objetivo, frisou, que “exige um esforço extraordinário e uma educação permanente de todos nós”. 
 
São Paulo mais humana
 
“Da mesma maneira que você não aceita injustiça dentro da sua casa, para se sentir em casa na cidade, você não pode tolerar injustiça fora de casa. Isso exige de todos um olhar dedicado a outro tipo de interação”, complementou, citando exemplos dessa agenda civilizatória, “que não pode ser destruída”.
 
Entre as políticas públicas implementadas neste sentido, Haddad relatou o impacto de programas como o Transcidadania, De Braços Abertos, Ruas Abertas, a nova política de mobilidade urbana, o Plano Diretor, entre outros. Defendendo uma São Paulo mais humana e mais justa, onde haja “ocupação do espaço público, interação humana e curtição da cidade”, ele garantiu que não abrirá mão desse sonho.
 
Os avanços citados por Haddad foram destacados e complementados por várias personalidades que se manifestaram durante o ato. Entre elas, o ex-presidente Lula que destacou duas razões fundamentais pelas quais Haddad precisa ser reeleito em São Paulo. 
 
Importância da reeleição de Haddad
 
A primeira, apontou: “é da responsabilidade do Temer”: “o Temer e o governo estão anunciando a PEC 241. A PEC 241 significa conter gastos durante 20 anos na educação, na saúde e outras coisas”.
 
O ex-presidente explicou, por exemplo, o impacto dessa PEC no setor da educação: 
 
“Qualquer pessoa – e não precisa ter mais do que o ensino fundamental – sabe perfeitamente bem que não é possível você melhorar a educação sem dinheiro para fazer mais escolas, para contratar mais professores, para pagar salário melhor e para manter as escolas com cada vez mais qualidade”, afirmou o ex-presidente.
 
O mesmo, ponderou, vale para a Saúde: 
 
“Como é que alguém pode imaginar e dizer que o problema da Saúde é um problema de gestão? ”, questionou, frisando que o problema da Saúde é “um problema grave do Brasil inteiro e em São Paulo” e que para ser resolvido, também “precisa de dinheiro”.
 
Dinheiro “não apenas para construir as Unidades Básicas de Saúde, as UPAS, a Hora Certa, tudo o que precisa”, mas para que “pessoas mais pobres desse Estado, das periferias, tenham acesso à alta complexidade que só os ricos têm nos principais hospitais desse país. Se a gente não fizer essa discussão a gente não vai resolver o problema da Saúde”, complementou.
 
Democracia 
 
O ex-presidente Lula também comentou a importância da vitória de Haddad em São Paulo na resistência democrática contra o campo golpista, representado por candidatos que defendem o ajuste fiscal regressivo - que aprofunda o desemprego – e a destruição das políticas sociais.
 
Destacando a importância de se ter um “prefeito sério, responsável, governando a cidade mais importante da América Latina”, capaz de fazer frente ao “pessoal que por não saber governar só sabem cortar o orçamento”, ele alertou: “eles vão começar a vender patrimônio público para poder se sustentar, como já fizeram em outros momentos”.
 
E mais:
 
“Se preparem. Se preparem porque logo vem aí um pacote para se desfazerem do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, para vender a Petrobras, para vender a BR. Porque quem não sabe governar, só sabe terceirizar. E nós temos consciência de que o prefeito da cidade de São Paulo pode ser uma forma de enfrentamento a essa política de desmonte que se pretende fazer no país”.
 
Ele também mandou um recado ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. 
 
Citando várias personalidades presentes no evento, o ex-presidente Lula lembrou quando o tucano atribuiu a vitória de Dilma Rousseff, “ao povo mais atrasado do país”, em 2014. Ao economista Bresser-Pereira, apoiador de Haddad e presente no ato, o ex-presidente Lula pediu: 
 
“É importante dizer para ele [FHC] que não é possível que São Paulo tenha tanta gente atrasada para votar no Dória e no Russomano. Diga para ele tentar politizar essas pessoas”.
 
Comparação entre ministérios
 
O ex-presidente também aproveitou a presença do escritor Raduan Nassar, que recebeu o prêmio Camões de Literatura (2016), para relatar a saga do escritor, que durante mais de três de anos, tentou doar uma fazenda sua à USP, sem sucesso.
 
“Isso chegou na boca do Gilberto Carvalho, que passou para o Fernando Haddad e nós aceitamos o terreno que o nosso querido Raduan deu para a gente fazer a Universidade Federal aqui em São Paulo”, contou o ex-presidente.
 
Chamando a atenção para o “baixo nível do ministério de Temer”, o ex-presidente criticou o ministro da Educação José Mendonça Bezerra, citando os cortes da grade curricular de cursos como os de sociologia, filosofia, educação física (leia mais aqui). 
 
“Olha a qualidade dos nossos ministros e olha a qualidade do Mendoncinha. A única coisa que ele fez no Brasil foi a lei que aprovou a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. A que preço, a gente não sabe. Foi a última coisa que ele fez e já faz tempo”, criticou.
 
E concluiu:
 
“Os mesmos que achavam que iam me derrubar em 2006, achavam que iam derrubar a Dilma em 2010, derrotar Haddad em 2012, derrotar a Dilma em 2014, agora pensam que vão derrotar o Haddad. Vão cair do cavalo. Haddad será prefeito outra vez para terminar a obra que ele começou”.

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