segunda-feira, 24 de outubro de 2011

DITADURA

A Comissão da Verdade investigará os crimes e abusos cometidos durante a ditadura militar


.A semana que começa no Senado promete um encontro do Brasil com seu passado recente. Duas das votações previstas para esta semana remetem a uma época em que pessoas mataram e morreram, ou desapareceram. Uma época que, porém, em boa parte permanece secreta. Os senadores se preparam para votar o Projeto de Lei da Câmara 88/2011, que cria a Comissão Nacional da Verdade – colegiado incumbido de, no prazo de dois anos contados a partir de sua instalação, elaborar um “relatório circunstanciado” sobre registros de violação de direitos individuais contra opositores do regime militar entre 1946 e 1988. A matéria foi aprovada por unanimidade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na última quarta-feira (19), e segue ao plenário em regime de urgência (prioridade de votação).
O projeto foi aprovado sem muita polêmica na CCJ, onde foi relatado pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que foi militante na luta armada pela Aliança Libertadora Nacional (ALN). O tucano manteve o texto aprovado na Câmara em 22 de setembro, e operou apenas emendas de redação, procedimento que não implica retorno à Casa de origem.
Familiares de vítimas da ditadura e representantes de entidades de classe queriam alterações no texto, como a publicidade no transcorrer dos trabalhos – o projeto prevê apenas a divulgação de um “relatório circunstanciado” ao final dos dois anos de funcionamento da comissão. A ampliação desse prazo foi outra sugestão apresentada em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos, mas nenhuma emenda foi incorporada ao texto pelo relator. Há a possibilidade de que emendas de plenário sejam formalizadas no dia da votação.
A outra matéria que remonta a atos oficiais recentes e um tanto obscuros é o Projeto de Lei da Câmara 41/2010, que está emperrado na Comissão de Relações Exteriores (CRE) graças à ação do presidente do colegiado, o ex-presidente da República Fernando Collor. O PL regulamenta a Lei de Acesso a Informações Públicas e, entre suas disposições, definirá o grau de sigilo de documentos sob a guarda do Estado e os prazos para que tais registros deixem de ser sigilosos.
Apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) em abril de 2010, a proposição já recebeu diversas emendas na CRE do Senado (leia o relatório), onde tramita atualmente, mas recebeuparecer favorável em outras três comissões. O mais recente desdobramento da matéria é um voto em separado formalizado em 13 de setembro.
A depender dos termos de sua eventual aprovação, o projeto pode acabar com o sigilo eterno de determinados documentos – para Collor, isso pode repetir no Brasil o fenômeno do WikiLeaks, veículo de internet especializado em informações secretas que abalou a diplomacia de diversos país, a partir dos Estados Unidos.

CONGRESSO EM FOCO
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