quarta-feira, 26 de outubro de 2011

São impressionantes as últimas palavras de Kadafi: ele adivinhou o desfecho

Com 8 mil soldados, aos 28 anos Kadafi liderou a revolução
que tirou a monarquia do poder, sem derramar uma gota de sangue

Foi no final de agosto que Kadafi escreveu oficialmente suas últimas palavras aos cidadãos líbios. O desfecho ocorreu como previa; vale ler até o fim
Aos meus compatriotas

Os assaltantes imperialistas que querem usurpar a terra de vocês, querem ver-me morto e já ofereceram um prêmio pela minha cabeça. Não sabem que minha cabeça, minha alma e o martírio pertencem a Alá, o grande deus. Mostrei ao mundo onde está o ninho da maldade.

Pensam vocês, meu irmãos, que o que acontece ao meu país acontece por minha culpa? Não. Por isso lhes digo que defendam a liberdade de vocês. Ganhamos essa batalha e outras ganharemos. Deus é grande. Vocês têm casa, saúde e escola gratuitos.

Ajudei o Chifre da África e, aqui, nenhum imperialismo imperou. Mas não fiz o bastante. Agora, vocês sofrem. Lutei muito para que, agora, vocês percam tudo. Lutem, lutem, não descansem nem se acovardem.

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Somos milhões no mundo que já vimos que as coisas são como eu sempre disse que eram: imperialismo é igual a escravidão. Não nos submeteremos. Meu legado há de servir também a outras nações. Não estou morto, porque muitos ainda me querem vivo.

Estou com vocês nesses dias e nas noites escuras. Estamos com Alá.

Meus irmãos, levem a guerra a cada rincão da opulência, da vaidade, da vida lasciva. Não se deixem seduzir pelos dólares de sangue. Os líbios são seres luminosos. Tenham todos a certeza de que vocês estão do lado da grandeza.

Deixem passar o tempo. Há forças no interior de vocês. Libertem-se dos demônios do mundo, vivam e deixem viver.

Todos sabem onde estou. Nos oásis mais belos de nosso país. Não destruam a Líbia. Já sobrevivemos a seis meses de martírio e dor. Mas essa é a terra de vocês. Não a vendam.

Minha alma está com vocês. Temos democracia participativa na Líbia. O povo, para o povo. E por que dizem que não? Porque eu estou aqui. Uma voz de revolução? Não. Nem pensam nisso. É tudo pelo petróleo.

Estou em Sirte, em Trípoli, em Benghazi...

O imperialismo está acabado. Irmãos da Revolução Verde, não caiam na mentira capitalista. Para que algum império sobreviva hoje, precisa de guerra eterna.

Vocês não veem que ainda estando eu vivo e combatendo essa batalha infernal, eles já brigam entre eles, disputando o butimda nossa Líbia amada?

Os dissidentes supõem que os colonialistas lhes darão o que eu lhes dei? Pois esperemos, para ver.

Minha família e eu estamos bem, lutando pela verdade. Sofro, apenas, por haver líbios matando líbios. Mas foi o que conseguiram os sediciosos. Eu nunca lutei luta que não fosse por meus princípios, ajudando o povo, o povo líbio e os povos africanos. E eles? O que têm a dizer? Nada! Todos os capitalistas racistas são iguais. São aves de rapina!

Eles e seus slogans de caridade: Ajudem as crianças da África? E que criança da África ganha deles alguma coisa? As doações vão para banqueiros e multinacionais e para as empresas que eles criam para lucro deles. Algum africano alguma vez foi beneficiado pelas empresas que eles criam? Não.

O Chifre da África sofre o que sofre por causa do imperialismo. Sou líder e tenho o poder nas mãos. Vivo porque meu povo vive. Por isso querem calar-me. Kadafi aqui, hoje e sempre.

Povos do mundo levantem-se e façam fugir esses meios-homens que querem escravizar vocês.

Agora estou em Sirte. Nasci aqui. Sou filho humilde desse deserto líbio que me viu nascer. Estou em Trípoli, em Benghazi e no mundo. E daqui, falo. E os ianques, onde estão? O que têm a dizer?

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Acaso a civilização e a cultura ianque querem pendurar-me numa forca, como o líder do Iraque?

Pois se acontecer, que seja. O martírio honra quem mostra a verdade ao mundo.

Muammar El-Gaddafi - 27 de agosto de 2011

PRAGMATISMO POLÍTICO

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