sexta-feira, 25 de novembro de 2011

As novas “fórmulas mágicas” da burguesia estão fadadas ao fracasso


O aumento das “ajudas” pelo FMI e emissão de Eurobônus mostram o aprofundamento da crise e dos ataques dos especuladores que querem aumentar as taxas de juros

Nos últimos dias, a crise capitalista tem se aprofundado, apesar de todas as manobras imperialistas para tentar minimizá-la. Uma parte dos países imperialistas tem cogitado duas “novas” fórmulas mágicas nos últimos dias: o fortalecimento do papel do FMI (Fundo Monetário Internacional) a emissão dos chamados Eurobônus.
O FMI passou a oferecer novas linhas de crédito, que poderão ser usadas para enfrentar problemas financeiros no curto prazo (seis meses) relacionados com a crise capitalista conforme tinha sido alinhado na reunião dos G-20 no início deste mês. O limite inicial dos empréstimos seria de no máximo cinco vezes a quota do país receptor no FMI, e estuda-se a possibilidade de aumenta-la para dez vezes e estender o prazo para dois anos. Os problemas óbvios desta “solução” para a crise são a falta de recursos do FMI necessários para enfrentar os resgates devido às enormes quantias envolvidas. O FMI possui hoje em caixa em torno de US$ 360 bilhões, muito longe dos volumes envolvidos no resgate das dívidas dos governos da Itália e da Espanha. O governo da Espanha poderia resgatar € 23,250 bilhões por ano, mas os seus vencimentos em 2012 serão de € 120 bilhões. O governo da Itália poderia resgatar € 85 bilhões por ano, mas os seus vencimentos em 2012 serão de € 300 bilhões. Os governos da Grécia, Irlanda e Portugal são considerados insolventes e, portanto, não teriam acesso a essas linhas de crédito.
O objetivo alegado para a emissão dos Eurobônus seria permitir maior “liquidez e profundidade” tendo como modelo o Tesouro dos EUA. Na prática, o real objetivo seria preparar o caminho para a tomada de decisões mais ágeis e de maneira centralizada, que possibilitem a monetização acelerada da dívida, que, de fato, é o único paliativo com que o imperialismo europeu conta para acelerar o repasse do custo da crise capitalista para as massas trabalhadoras. Entre as alternativas que estão sendo discutidas estão a troca dos bônus nacionais pelos Eurobônus, o que implicaria na necessidade da reforma do artigo 125 do Tratado de Maastricht que explicitamente impede essa operação, a substituição parcial dos bônus nacionais, que não poderia ser superior a 60% do PIB de cada país e a simples emissão complementar de Eurobônus. O imperialismo francês é o mais interessado nessa manobra. Apesar do aumento do poder dos imperialistas franceses e alemães sobre os demais países europeus, o imperialismo alemão se posicionou contra, pois teria que assimilar a maior parte dos custos financeiros em momentos em que a sua economia entrou em forte desaceleração. A chanceler Angela Merkel declarou, durante o debate no parlamento sobre o orçamento alemão, que “a idéia de que através da coletivização da dívida poderiam ser superados os problemas estruturais da União Monetária não pode funcionar”.
O Tesouro da Alemanha tinha se capitalizado nos últimos meses em cima do aumento da crise nos demais países europeus mediante a migração dos investimentos dos especuladores para os seus títulos públicos. Mas, nos últimos dias, somente conseguiu vender € 3,6 bilhões dos € 6 bilhões ofertados, a dez e dois anos, devido às taxas de juros praticadas estarem abaixo inclusive da inflação atual, 2% e 0,4% respectivamente, mesmo após ter sido aumentadas em relação ao leilão anterior. O Bundesbank (banco central) acabou comprando € 3 bilhões desses títulos.
Aumenta a pressão dos especuladores financeiros para forçar o aumento das taxas de juros
O novo governo da Espanha do direitista PP (Partido Popular), liderado por Mariano Rajoy, iniciou o seu mandato pagando as maiores taxas de juros dos últimos 25 anos. Os 2,012 bilhões de títulos a três meses, subastados nos últimos dias, pagaram 5,22%, a taxa mais alta desde 1993; os títulos a seis meses pagaram 5,33% contra 3,35% no mês passado, representando a maior taxa desde 1997 e superando, inclusive, as taxas pagas pelos governos da Grécia e Portugal. Os títulos com vencimento em 2016 chegaram a pagar 6,168% no mercado secundário, o que evidencia uma intensa atividade especulativa já que os títulos a dez anos pagam 6,6%. O novo plano de austeridade pactuados com a UE (União Europeia), que o governo direitista tentará implementar, pretende arrecadar € 17 bilhões com cortes nos programas sociais, mas eles serão insuficientes para manter os pagamentos dos serviços da dívida em cima das novas taxas de juros.
O novo governo “tecnocrata” da Grécia, chefiado pelo representante direto das principais potências imperialistas, o primeiro ministro Papademos, declarou que não conseguirá pagar os vencimentos da dívida pública do mês de dezembro se não receber a sexta parcela do primeiro resgate financeiro. O BCE (Banco Central Europeu) exige uma carta de compromisso dos principais partidos políticos burgueses do País.
Na Itáliao governo do novo primeiro ministro imposto pelos especuladores financeiros, Mario Monti, enfrenta novamente taxas de juros de 7% para os bônus com vencimentos a dez anos. A prima de risco ultrapassou os 500 pontos básicos, voltando ao patamar no qual a Grécia, Irlanda e Portugal foram resgatados.
A dívida pública da França encontra-se à beira do seu rebaixamento pelas agências de risco devido à disparada das taxas de juros apesar da sua classificação atual de AAA. A prima de risco já ultrapassou os 175 pontos básicos, apesar das intervenções do BCE no mercado secundário. O resgate do Banco Dexia terminou por afundar as frágeis finanças dos governos da França, Bélgica e Luxemburgo, após terem assumido € 90 bilhões de dívida do Banco no mês de outubro.
A prima de risco do governo da Bélgica ultrapassou os 320 pontos; os juros dos títulos a dez anos no mercado secundário ultrapassaram o seu maior nível desde 2002, 5%.
O governo da Áustria anunciou que os bancos Erste Group, Raiffeisen Bank International e Bank Austria não farão novos empréstimos acima de 110% dos seus depósitos. A exposição dos bancos austríacos às dívidas públicas dos países do Leste europeu equivale ao PIB da Áustria, além de terem alta exposição à dívida italiana. A prima de risco da dívida pública ultrapassou os 200 pontos básicos, após o governo da Hungria ter solicitado ajuda do FMI.
O sistema bancário da Grã Bretanha encontra-se à beira de uma segunda crise de crédito devido à sua exposição à dívida pública europeia e ao forte estancamento da economia previsto em menos de 1% para este o próximo ano. O nível de financiamento dos bancos caiu, no terceiro trimestre deste ano, ao seu pior nível desde setembro de 2008, quando quebrou o banco norte-americano Lehman Brothers e serão necessários £ 200bilhões a £ 300 bilhões no próximo ano para manter os níveis atuais de empréstimos. De acordo com o governador do Banco da Inglaterra, Sir Mervyn King, a economia do País deve entrar em recessão em 2012, pois “ela tem sido muito fraca nos últimos trimestres.”
A economia dos países imperialistas continua se deteriorando e caminha a passos largos para a recessão. As massas trabalhadoras estão enfrentando os ataques da burguesia e, cada vez mais, estão direcionando a sua luta contra o capitalismo e os especuladores financeiros imperialistas que transformaram o mundo num verdadeiro cassino.

CAUSA OPERÁRIA

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