O aumento das “ajudas” pelo FMI e emissão de Eurobônus mostram o aprofundamento da crise e dos ataques dos especuladores que querem aumentar as taxas de juros Nos últimos dias, a crise capitalista tem se aprofundado, apesar de todas as manobras imperialistas para tentar minimizá-la. Uma parte dos países imperialistas tem cogitado duas “novas” fórmulas mágicas nos últimos dias: o fortalecimento do papel do FMI (Fundo Monetário Internacional) a emissão dos chamados Eurobônus. O FMI passou a oferecer novas linhas de crédito, que poderão ser usadas para enfrentar problemas financeiros no curto prazo (seis meses) relacionados com a crise capitalista conforme tinha sido alinhado na reunião dos G-20 no início deste mês. O limite inicial dos empréstimos seria de no máximo cinco vezes a quota do país receptor no FMI, e estuda-se a possibilidade de aumenta-la para dez vezes e estender o prazo para dois anos. Os problemas óbvios desta “solução” para a crise são a falta de recursos do FMI necessários para enfrentar os resgates devido às enormes quantias envolvidas. O FMI possui hoje em caixa em torno de US$ 360 bilhões, muito longe dos volumes envolvidos no resgate das dívidas dos governos da Itália e da Espanha. O governo da Espanha poderia resgatar € 23,250 bilhões por ano, mas os seus vencimentos em 2012 serão de € 120 bilhões. O governo da Itália poderia resgatar € 85 bilhões por ano, mas os seus vencimentos em 2012 serão de € 300 bilhões. Os governos da Grécia, Irlanda e Portugal são considerados insolventes e, portanto, não teriam acesso a essas linhas de crédito. O objetivo alegado para a emissão dos Eurobônus seria permitir maior “liquidez e profundidade” tendo como modelo o Tesouro dos EUA. Na prática, o real objetivo seria preparar o caminho para a tomada de decisões mais ágeis e de maneira centralizada, que possibilitem a monetização acelerada da dívida, que, de fato, é o único paliativo com que o imperialismo europeu conta para acelerar o repasse do custo da crise capitalista para as massas trabalhadoras. Entre as alternativas que estão sendo discutidas estão a troca dos bônus nacionais pelos Eurobônus, o que implicaria na necessidade da reforma do artigo 125 do Tratado de Maastricht que explicitamente impede essa operação, a substituição parcial dos bônus nacionais, que não poderia ser superior a 60% do PIB de cada país e a simples emissão complementar de Eurobônus. O imperialismo francês é o mais interessado nessa manobra. Apesar do aumento do poder dos imperialistas franceses e alemães sobre os demais países europeus, o imperialismo alemão se posicionou contra, pois teria que assimilar a maior parte dos custos financeiros em momentos em que a sua economia entrou em forte desaceleração. A chanceler Angela Merkel declarou, durante o debate no parlamento sobre o orçamento alemão, que “a idéia de que através da coletivização da dívida poderiam ser superados os problemas estruturais da União Monetária não pode funcionar”. O Tesouro da Alemanha tinha se capitalizado nos últimos meses em cima do aumento da crise nos demais países europeus mediante a migração dos investimentos dos especuladores para os seus títulos públicos. Mas, nos últimos dias, somente conseguiu vender € 3,6 bilhões dos € 6 bilhões ofertados, a dez e dois anos, devido às taxas de juros praticadas estarem abaixo inclusive da inflação atual, 2% e 0,4% respectivamente, mesmo após ter sido aumentadas em relação ao leilão anterior. O Bundesbank (banco central) acabou comprando € 3 bilhões desses títulos. Aumenta a pressão dos especuladores financeiros para forçar o aumento das taxas de juros O novo governo da Espanha do direitista PP (Partido Popular), liderado por Mariano Rajoy, iniciou o seu mandato pagando as maiores taxas de juros dos últimos 25 anos. Os 2,012 bilhões de títulos a três meses, subastados nos últimos dias, pagaram 5,22%, a taxa mais alta desde 1993; os títulos a seis meses pagaram 5,33% contra 3,35% no mês passado, representando a maior taxa desde 1997 e superando, inclusive, as taxas pagas pelos governos da Grécia e Portugal. Os títulos com vencimento em 2016 chegaram a pagar 6,168% no mercado secundário, o que evidencia uma intensa atividade especulativa já que os títulos a dez anos pagam 6,6%. O novo plano de austeridade pactuados com a UE (União Europeia), que o governo direitista tentará implementar, pretende arrecadar € 17 bilhões com cortes nos programas sociais, mas eles serão insuficientes para manter os pagamentos dos serviços da dívida em cima das novas taxas de juros. O novo governo “tecnocrata” da Grécia, chefiado pelo representante direto das principais potências imperialistas, o primeiro ministro Papademos, declarou que não conseguirá pagar os vencimentos da dívida pública do mês de dezembro se não receber a sexta parcela do primeiro resgate financeiro. O BCE (Banco Central Europeu) exige uma carta de compromisso dos principais partidos políticos burgueses do País. Na Itália, o governo do novo primeiro ministro imposto pelos especuladores financeiros, Mario Monti, enfrenta novamente taxas de juros de 7% para os bônus com vencimentos a dez anos. A prima de risco ultrapassou os 500 pontos básicos, voltando ao patamar no qual a Grécia, Irlanda e Portugal foram resgatados. A dívida pública da França encontra-se à beira do seu rebaixamento pelas agências de risco devido à disparada das taxas de juros apesar da sua classificação atual de AAA. A prima de risco já ultrapassou os 175 pontos básicos, apesar das intervenções do BCE no mercado secundário. O resgate do Banco Dexia terminou por afundar as frágeis finanças dos governos da França, Bélgica e Luxemburgo, após terem assumido € 90 bilhões de dívida do Banco no mês de outubro. A prima de risco do governo da Bélgica ultrapassou os 320 pontos; os juros dos títulos a dez anos no mercado secundário ultrapassaram o seu maior nível desde 2002, 5%. O governo da Áustria anunciou que os bancos Erste Group, Raiffeisen Bank International e Bank Austria não farão novos empréstimos acima de 110% dos seus depósitos. A exposição dos bancos austríacos às dívidas públicas dos países do Leste europeu equivale ao PIB da Áustria, além de terem alta exposição à dívida italiana. A prima de risco da dívida pública ultrapassou os 200 pontos básicos, após o governo da Hungria ter solicitado ajuda do FMI. O sistema bancário da Grã Bretanha encontra-se à beira de uma segunda crise de crédito devido à sua exposição à dívida pública europeia e ao forte estancamento da economia previsto em menos de 1% para este o próximo ano. O nível de financiamento dos bancos caiu, no terceiro trimestre deste ano, ao seu pior nível desde setembro de 2008, quando quebrou o banco norte-americano Lehman Brothers e serão necessários £ 200 bilhões a £ 300 bilhões no próximo ano para manter os níveis atuais de empréstimos. De acordo com o governador do Banco da Inglaterra, Sir Mervyn King, a economia do País deve entrar em recessão em 2012, pois “ela tem sido muito fraca nos últimos trimestres.” A economia dos países imperialistas continua se deteriorando e caminha a passos largos para a recessão. As massas trabalhadoras estão enfrentando os ataques da burguesia e, cada vez mais, estão direcionando a sua luta contra o capitalismo e os especuladores financeiros imperialistas que transformaram o mundo num verdadeiro cassino. CAUSA OPERÁRIA |
TERRAS ALTAS DA MANTIQUEIRA = ALAGOA - AIURUOCA - DELFIM MOREIRA - ITAMONTE - ITANHANDU - MARMELÓPOLIS - PASSA QUATRO - POUSO ALTO - SÃO SEBASTIÃO DO RIO VERDE - VIRGÍNIA.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
As novas “fórmulas mágicas” da burguesia estão fadadas ao fracasso
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