sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Dilma dispara pesadas críticas às falhas no sistema elétrico brasileiro.


Dilma, no café da manhã com jornalistas, no Palácio do Planalto, atribui as interrupções de energia no país à falhas humanas

Durante o café da manhã com jornalistas que cobrem o dia a dia do Palácio do Planalto, a presidenta Dilma Rousseff classificou de “ridículo” quem afirma que o país corre o risco de racionamento de energia. Segundo ela, as empresas de energia não investiram adequadamente na manutenção do sistema elétrico durante anos, mas, a partir de agora, o quesito será melhor fiscalizado. Dilma aponta a existência de recursos suficientes para a manutenção, sem prejudicar o desenvolvimento do sistema.
– Eu acho ridículo dizer que o país corre risco de racionamento – disse.
A presidenta também criticou as recentes interrupções de energia, como aquela que ocorreu no Aeroporto Internacional Tom Jobim e bairros da Zona Norte do Rio de Janeiro, que deixaram milhões de pessoas sem luz. Para a presidenta, é risível a tentativa de culpar fenômenos naturais, como os raios. Segundo afirmou, se houve interrupção, a culpa está na falha humana.
– No dia que falarem que (houve interrupção de energia porque) caiu um raio, vocês gargalhem. Raio cai todo dia. Um raio não pode desligar o sistema. Se cai, é falha humana. Não é sério dizer que o sistema caiu por causa de um raio – criticou, mostrando fotos de satélites que mapeam a constante incidência de raios no país, nestes últimos dias.
Para a presidenta Dilma, o sistema elétrico deve ser “implacável” contra interrupções de energia e o país não pode conviver com essa situação, porque muitas pessoas perdem equipamentos elétricos, entre outros prejuízos. Segundo afirmou, o sistema elétrico está sujeito a “estresse”, mas precisa estar preparado.
– Tem que ser resistente ao raio, isolar e recuperar. Tem que ter bloqueio, estar blindado – reclama.
Para a presidenta, a interrupção do fornecimento de energia no Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão, no Rio de Janeiro, na noite passada, que provocou atrasos em 19 voos, foi uma falha humana.
– No Galeão, foram duas coisas: falha humana, porque deveriam ter trocado o ar condicionado que estava velho, e sobrecarga, por causa da temperatura alta – avaliou a ex-ministra das Minas e Energia, durante o governo de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.
Dilma disse que é preciso se antecipar e adequar os equipamentos para possíveis riscos.
– Planejar é isso – sentencia.
Educação
Ainda durante o café da manhã, a presidenta voltou a um de seus assuntos preferidos. Ela reafirmou que a educação é uma “prioridade absoluta” de seu governo. O assunto dá sentido a outras medidas tomadas pelo governo, inclusive as econômicas.
– O Brasil não terá crescimento sustentável se não investir em educação, e muito. Da creche à pós-graduação. Se não colocarmos dinheiro em educação, não tem saída – disse.
Segundo afirmou, a educação é o único fator que pode unir “os dois mundos” que existem no Brasil: o da extrema pobreza e o a da ciência, tecnologia e inovação.
– É a educação que une esses dois mundos. Para os adultos, o emprego tira da pobreza, mas criança só sai da pobreza com educação”, comparou. “Não tem ciência e tecnologia num país que não tem massa crítica – pontuou.
A presidenta apoia programas de alfabetização na idade certa e escolas em tempo integral.
– Mas não só com esporte e artes. Escola integral com mais português, com mais matemática, com língua estrangeira – concluiu.
Correio do Brasil

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