Expediente
de Veja ao retratar Joaquim Barbosa como herói não foi uma novidade,
tratou-se de estratégia repetida, tal qual a que fez para promover
Collor em 1989. Pesquisa Datafolha de hoje confirma o balão de ensaio,
mas resultado não veio como o esperado...
O Datafolha divulgou uma pesquisa eleitoral de intenções de voto para as
eleições presidenciais de 2014, ou seja, daqui a quase dois anos.
Creio que deva ter achado ser este o momento de lançar o governo em uma
nova crise, desta vez, de confiança eleitoral, apresentando números
ameaçadores de adversários já postados e um outro inventado pelo grupo
Folha, capaz de movimentar aliados em várias direções e desmobilizar o
núcleo político de Dilma.
Pois bem, por que este o momento seria a oportunidade ideal para gerar tal desgaste?
Após meses de ataques diários e massivos com a cobertura do mensalão
pela imprensa, o Datafolha parece ter imaginado que os adversários de
Dilma ou Lula estariam bem posicionados, tomando intenções de votos que
eram considerados pertencentes ao governo até então.
Não foi o que ocorreu.
Tanto Dilma, quanto Lula, lideram com folga este cenário precipitado pelo Datafolha.
Se após tantos ataques midiáticos o quadro não se alterou, o problema para a posição parece ser de credibilidade.
Oras, imaginemos que existisse um desencanto com o governo, quem seria o
ente a receber a confiança dos descontentes? A oposição... Mas, se o
que afirmam os "formadores de opinião" fosse uma realidade consolidada, a
pregação do descontentamento, pode-se afirmar, também, que tucanos e
demos não são confiáveis para a grande maioria do povo brasileiro, pois
seus números são irrelevantes.
Não creio em descontentamento popular, observo, sim, falta de
personagens ou partidos com propostas novas e viáveis que apontem para a
radicalização de políticas que tragam ainda mais bem estar social para o
brasileiro, nem pela direita [improvável], tampouco pela esquerda
raivosa [inviável].
Creio estar aí calcado o alto grau de confiabilidade da população no
governo Dilma e da disposição em reconduzi-la a um novo mandato: a
presidenta e o PT, representam, neste momento, a capacidade política de
apresentar bons resultados de combate a desigualdade social, na medida
do possível, observando com cuidado o pensamento político conservador de
parte considerável da sociedade e os duros embates que se travam no
Congresso em nome do avanço progressista.
O governo tem sido hábil em vencer certas barreiras ideológicas,
inclusive dentro da coalizão que lhe sustenta no parlamento. Derrotas
também tem ocorrido.
O balão de ensaio a la Collor 89
O Datafolha em sua pesquisa quis inventar um candidato, assim como
ocorrera em 1989 com Collor, colocou Joaquim Barbosa como opção na
pesquisa estimulada, quando o pesquisador informa nomes ao pesquisado.
Barbosa não é filiado a partido político algum, nem tampouco disse ter
esta ambição, mas nada impede que as pessoas lembrem de seu nome quando
respondem espontaneamente a uma pesquisa de opinião. Neste quesito
Barbosa teve menos de 1%...
A escolha partiu, pura e simplesmente da imprensa.
O que assemelha ao caso Collor 1989 é o fato de que Barbosa foi
representado durante todos estes meses como um herói que estaria mudando
o Brasil a partir do julgamento do mensalão.
A Veja chegou a fazer uma capa com o ministro do STF, retratando-o de maneira olímpica, um semi-deus da ética e da justiça.
Mesmo após o balão de ensaio, Barbosa aparece em terceiro lugar, com
percentuais que variam entre 9% e 10%. Foram 10 meses de noticiário
positivo e elogioso para ministro do Supremo e completados com notícias
negativas contra Lula e o PT, partido da presidenta Dilma.
É óbvio que o resultado não foi o esperado.
Pior, confirmou-se a mediocridade eleitoral do candidato demotucano, o
senador Aécio Neves que aparece em terceiro lugar, atrás de Marina
Silva, uma ex-petista, ministra de Lula e atualmente sem partido.
O que pode explicar tamanho fracasso da campanha do partido midiático conservador brasileiro?
Na mesma pesquisa divulgada pelo Datafolha em que Dilma lidera com
índices que variam de 53% a 57% das intenções de votos, outro dado
importante ajuda a responder o porquê de tamanha derrota: o percentual
de pessoas que "confiam muito" na imprensa caiu de 31% para 22%.
O leitor ou a audiência percebe o jogo político em andamento e toma partido.
Posiciona-se contra a mídia e a favor de Dilma.
Os dados são bem claros quanto a isso, apenas 1 entre 5 acreditam no que a imprensa divulga.
Algumas pessoas devem perguntar-se quando se deparam com uma banca de
jornal e vêem as manchetes de O Globo ou da Veja, por exemplo: por que
estes veículos de comunicação, incessantemente, atacam Lula, Dilma e o
PT e poupam oposicionistas?
Ninguém é tão ingênuo para crer que só existam erros de um lado e mar de
rosas do outro, percebem nisso um partidarismo escancarado e se
posicionam na contenda.
Alguns dos quadros que o Datafolha aponta em sua pesquisa:
Cenário com Dilma:
Dilma 53%
Marina 16%
Aécio 11%
Barbosa 9%
Cenário com Lula:
Lula 56%
Marina 13%
Barbosa 10%
Aécio 9%
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