Novo pedido
de encarceramento dos réus da Ação Penal 470 deverá ser analisado pelos
ministros do Supremo depois do recesso do Judiciário, em 15 de
fevereiro. Decisão de Barbosa ocorreu depois de intensa pressão -- a
favor e contra as prisões imediatas. Presidente do STF optou por não
carregar o peso de decidir sozinho o pedido de prisão feito pelo
procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
247 – O presidente do Supremo Tribunal Federal,
Joaquim Barbosa, deixou para o plenário decidir o pedido de prisão
imediata feita na quarta-feira 19 pelo procurador-geral da República,
Roberto Gurgel. O chefe da Procuradoria queria mandar para a cadeia
imediatamente os réus condenados na Ação Penal 470, mas ao menos em sua
petição, não convenceu Barbosa. Três deputados foram condenados: João
Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP);
além de José Genoino (PT-SP), que é suplente e deve assumir o mandato no
início de 2013.
Vivendo os últimos dias sob intensa pressão, o presidente do STF
disse que estava analisando uma situação inédita no Judiciário. Para
Barbosa, o tribunal já decidiu antes pela impossibilidade de prender um
condenado que ainda tem direito a recursos, mas explicou que isso nunca
havia sido discutido num processo que teve início e estava sendo julgado
pelo Supremo. Ele não quis adiantar sua posição antes desta
sexta-feira.
A petição do procurador foi interpretada por muitos juristas como uma
manobra para que Barbosa avaliasse o pedido sozinho, já que o Supremo
entrou em recesso. O presidente do STF sabia que, se encaminhasse o
pedido para ser decidido entre os ministros, não teria votos suficientes
para aprovar a prisão imediata. Na última sessão do ano, Gurgel não fez
o pedido porque disse precisar de mais tempo para concluí-lo. Ele
entregou o documento a Barbosa dois dias depois.
Deputados se dividem.
Na Câmara, as opiniões sobre o pedido de prisão imediata variavam. O
deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) considerava "improvável"
que o STF decretasse a prisão dos réus antes de ser oficialmente
publicado o resultado final do julgamento, o chamado acórdão. Isso
porque, até lá, os condenados ainda podem pedir a reconsideração das
sentenças.
"Em todo o mundo, a prisão se dá após o trânsito em julgado. A regra
tem sido essa, mas nada impede que se modifique esse entendimento. O
resultado das decisões do Supremo já é extremamente positivo,
independentemente de eles começarem a cumprir a pena agora ou daqui a
pouco", avalia Thame.
Já o 1º vice-líder do DEM, deputado Pauderney Avelino (AM), defendia a
prisão imediata dos réus: "Uma vez julgados e condenados, não há porque
o Supremo não mandá-los para a prisão, atendendo a uma determinação do
Ministério Público Federal. Os condenados deverão ser recolhidos à
cadeia."
Para o deputado João Paulo Lima (PT-PE), não havia como a prisão ser
imediata, pois a fase de recursos ainda pode mudar o resultado final do
julgamento: "Há uma certa ansiedade do procurador de punir os réus, mas
eles têm residências fixas e são pessoas comprovadamente com uma
história política. Então, é necessário preservar todas as instâncias;
prisão só em última instância, quando não houver mais possibilidade de
recursos."
Análise
O presidente da Câmara, Marco Maia, também foi contra uma ordem de
prisão sem o trânsito em julgado do processo. Em relação se a Câmara
tomaria alguma providência, ele afirmou que primeiro esperaria a decisão
do STF e então decidir como a Câmara agirá. Nesta quinta-feira, o
deputado não descartou oferecer abrigo aos condenados que tivessem
prisão imediata decretada. Os parlamentares ficariam asilados no
Congresso, já que a Polícia Federal não tem autorização para entrar lá.
"A Constituição determina que um deputado só pode ser preso em duas
circunstâncias: em flagrante delito ou depois de condenação transitada
em julgado. Numa decisão de prender parlamentares legitimamente eleitos
pelo povo, nós vamos precisar analisar se alguma dessas condições se
colocou ou está colocada", pondera.
Clique aqui para ler a íntegra da decisão de Joaquim Barbosa.
Com informações da Agência Câmara
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domingo, 23 de dezembro de 2012
Joaquim Barbosa nega prisões imediatas.
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