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Capitalismo em crise, neoliberalismo soterrado pelo fracasso de suas políticas recessivas, já não são mais apenas jargões de grupos esquerdistas bradando em reuniões do G8.
Mas ainda é possível observar que, apesar dos fortes indícios de desacerto, o ideário do "ajuste fiscal", dos "cortes em investimentos", "privatizações" continua a tornar ainda mais difícil a vida de milhões de pessoas na Europa. O mal combatido com um remédio que não cura, apenas imobiliza o doente e o controla pela inanição.
Associado a grave crise que se arrasta no velho mundo, percebe-se o quanto o custo das crises globais atingem, principalmente, os mais pobres mundo afora. Pois são estes que precisam adequar-se às duras políticas que diminuem drasticamente gastos sociais em nome da austeridade fiscal e da "eficiência administrativa", sinônimos utilizados daquilo que é implementado, prioritariamente, para tornar possíveis a obtenção de lucros ainda maiores e gerar divisas significativas em um curto espaço de tempo.
Empregos são cortados, direitos trabalhistas idem e, como na Espanha e na Grécia, famílias perdem suas moradias e dignidade.
A bola da vez é o Chipre, segundo publicou o portal Carta Maior, após a decisão do governo de confiscar investimentos, que atinge principalmente aposentados russos e britânicos:
"...a República do Chipre não escapou ao destino de hoje ex-paraísos neoliberais, como a Irlanda ou a Islândia (esta hoje recuperada, graças a seu programa não ortodoxo de regeneração financeira, uma exceção no caos europeu), e em maio do ano passado começou a dar sinais de exaustão e degeneração financeiras, tendo pedido ajuda ao Fundo de Emergência da Zona do Euro, de que faz parte.
O montante da ajuda pedida era de 17 bilhões de euros. Quase uma ninharia diante dos bilhões já despejados na Grécia, na Irlanda, na Espanha, e em Portugal. Afinal, a economia cipriota representa apenas 0,2% da economia da Zona do Euro. Começando no sábado e adentrando até a madrugada de domingo para segunda, a reunião dos ministros decidiu atacar o problema. Tão complicadas foram as negociações que o próprio presidente do país, o conservador Nicos Anastasíades, passou a participar do encontro, ao lado do seu ministro das Finanças, Michalis Sarris.
O que complicava as negociações era a exigência – hoje com a paternidade posta em dúvida – de que os correntistas e poupadores cipriotas participassem da operação, através do confisco de parte de suas economias, por meio de um imposto único. A resolução afinal tomada deveria, segundo o presidente do Grupo do Euro e ministro das Finanças da Holanda, Jeroen Dijsselbloem, “garantir a estabilidade do Chipre e na Zona do Euro como um todo”."
O Chipre quebrou, é mais um na fila das vítimas da não regulamentação dos mercados e da farra neoliberal.
Mas por outro lado, segundo publicação da revista Forbes, o número de bilionários tem aumentado, apesar da crise mundial persistente.
É possível afirmar que, enquanto milhões pagam a conta da recessão, sofrendo com a perda de seus empregos, de sua renda ou de seus lares, outros continuam amontoando riquezas e tornando o mundo ainda mais desigual, porque, ao contrário dos mais pobres, estes outros, aqueles que propiciam o surgimento das crises, recebem "incentivos" e financiamentos públicos para sanear a economia, preservando e ampliando seus volumosos capitais.
A lista dos super ricos é formada por 1426 nomes com um valor patrimonial líquido de aproximadamente 5,4 trilhões de dólares! Como comparação, o PIB brasileiro é de cerca de US$ 2,2 trilhões, dados de 2012.
A pior crise econômica global desde a Depressão de 30, não apresenta sinais de uma solução rápida no horizonte próximo, mas a concentração de riqueza aumenta imoralmente, desmentindo a crença [de alguns] de que na crise todos perdem...
Em um artigo de Alfredo Zaiat - Página/12, publicado em Carta Maior, o autor afirma que não são todos que são penalizados com as crises econômicas:
"As economias mais importantes do mundo estão passando pelo sexto ano de estagnação ou recessão. Estados Unidos, Europa e Japão não podem sair do atoleiro com políticas que combinam expansão monetária para resgatar bancos e restrição fiscal no âmbito social e trabalhista. Apesar dos resultados insatisfatórios, as potências persistem nesta estratégia. Existe uma ideia naturalizada no senso comum que postula que nas grandes crises perdem todos. Ricos e pobres, trabalhadores e empresários. Não é assim. Também predomina a noção de que a deterioração geral não convém a ninguém. Para uns poucos, sim, ou é indiferente para eles uma vez que suas riquezas são tão grandes que não são afetadas. Isso é ratificado em um estudo realizado por Wealth-X, empresa que oferece o perfil dos ultra-milionários para profissionais das finanças dedicados à gestão de patrimônios privados."
Somente em 2012 a riqueza dos bilionários aumentou em US$ 760 bilhões, quando a economia global ficou praticamente estagnada. Ou seja, a crise não afetou negativamente a dimensão dos recursos financeiros dos mega ricos, muito pelo contrário, apresentou uma expansão superior a 10% em um único ano!
A crise virou oportunidade única para este seleto grupo de bilionários fazer negócios e embolsar ainda mais riquezas, apesar de, no outro prato da balança bilhões continuarem perdendo.
A seguir a lista, por nacionalidade, das maiores concentrações de riquezas bilionárias:
1. Estados Unidos (480) – 2,05 trilhões de dólares
Com 333 ultramilionários a mais que seu competidor mais próximo, a China, os Estados Unidos lideram comodamente o ranking. Apesar da estagnação de sua economia, no ano passado surgiram 25 novos muito ricos. Em média, cada um acumula uma fortuna de 4,3 bilhões de dólares. Segundo a última lista da Forbes, Bill Gates (Microsoft), está em primeiro lugar com 67 bilhões de dólares, seguido por Warren Buffett, com 53 bilhões. O estado preferido dos ultra ricos para morar é a Califórnia, seguido por Nova York, Texas, Flórida e Illinois.
2. China (147) – 380 bilhões de dólares
Pela quantidade, a China está em segundo, mas fica atrás da Alemanha e do Reino Unido em termos de riqueza total. Os chineses muito ricos têm 2,6 bilhões de dólares cada um em média. Shangai, Guangzhou, Shenzhen, Beijing e Hangzhou são as cinco cidades com maior presença de ultra ricos. Zong Qinghou, que comanda o Grupo Nahzhou Wahaha, empresa líder de bebidas na China, ocupa a liderança com 11,6 bilhões de dólares, segundo a Forbes.
3. Reino Unido (140) – 430 bilhões de dólares
No Reino Unido, vive a maior quantidade de ultra ricos da Europa, com uma medida de 3,1 bilhões de dólares cada um. Em 2012, apesar da recessão, a quantidade de milionários britânicos cresceu 0,2% e sua riqueza global aumentou cerca de 4%.
4. Alemanha (137) – 550 bilhões de dólares
Está localizada em quarto lugar, mas em termos de riqueza total é a segunda, superando China e Reino Unido. Há menos alemães milionários, mas eles têm mais patrimônio, com uma média de 4 bilhões de dólares cada um. Hamburgo, Munique e Dusseldorf são as três cidades com maior quantidade de ricos. O número um é Karl Albrecht, com 26 bilhões de dólares, dono da Aldi Sud, uma cadeia gigante de supermercados, com 4.600 estabelecimentos em nove países.
5. Índia (109) – 190 bilhões de dólares
Em uma das economias consideradas nova potência, a quantidade de multimilionários destaca a magnitude da riqueza que está se criando neste país, juntamente com o aumento da desigualdade social. A Índica é a terceira maior economia da Ásia, depois de China e Japão. Esse trio representa cerca de 75% dos ultra ricos da região. Cada um dos multimilionários da Índia tem um patrimônio médio de cerca de 1,7 bilhões de dólares, com Mukesh Ambani (petroquímica, petróleo e gás) em primeiro lugar, com 21,5 bilhões.
6. Rússia (109) – 380 bilhões de dólares
São menos, mas em riqueza média se situam muito perto do segundo lugar do ranking: cada um acumula uma média de 3,9 bilhões de dólares. E são cada vez mais: a quantidade de multimilionários russos aumentou 17% no ano passado. O mais rico de todos é Alisher Usmanov, com 17,6 bilhões de dólares.
7. Hong Kong (64) – 190 bilhões de dólares
Hong Kong é o centro financeiro chave da Ásia, onde também se encontram algumas das pessoas mais ricas da região. Ka-shing Li, de 84 anos, é o homem mais rico de Hong Kong, com uma fortuna de 31 bilhões de dólares, segundo a última lista da Forbes.
8. Suíça (57) – 125 bilhões de dólares
Apesar da crise europeia, a fortuna dos ultra ricos suíços aumentou 3% no ano passado em relação ao período anterior, e em quantidade de pessoas subiu 7%. A consultora Wealth-X pergunta-se no informe: Que atração tem a Suíça para os ultra ricos?. E responde: “Seus benefícios tributários e as leis de privacidade, já que podem manter lá seu dinheiro mesmo sem viver permanentemente no país”.
9. Brasil (49) – 300 bilhões de dólares
É o único país latino-americano na lista dos dez mais. No ano passado, com uma economia estagnada, o Brasil mostrou um incremento de 3,5% na quantidade de ultra ricos. Eike Batista é o homem mais rico com uma fortuna estimada em 19,4 bilhões de dólares, segundo a Forbes.
10. Canadá (40) – 105 bilhões de dólares
A relação de ultramultimilionários do mundo voltou a alcançar máximas históricas, informa a Forbes: agora essa lista é formada por 1426 nomes com um valor patrimonial líquido de aproximadamente 5,4 trilhões de dólares. Essa lista, junto com o ranking dos países com maior quantidade de milionários e as suas cifras correspondentes oferecem uma conclusão inquietante. A pior crise econômica global desde a Depressão de 30 do século passado segue sem horizonte de terminar, enquanto aumenta a concentração de riqueza nas mãos de uns poucos ultra ricos.
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TERRAS ALTAS DA MANTIQUEIRA = ALAGOA - AIURUOCA - DELFIM MOREIRA - ITAMONTE - ITANHANDU - MARMELÓPOLIS - PASSA QUATRO - POUSO ALTO - SÃO SEBASTIÃO DO RIO VERDE - VIRGÍNIA.
terça-feira, 26 de março de 2013
Capitalismo em crise: milhões perdem tudo, poucos ganham muito.
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