terça-feira, 26 de março de 2013

Capitalismo em crise: milhões perdem tudo, poucos ganham muito.

Lista de 1426 mega-bilionários acumula riqueza de cerca de US$5,4 trilhões de dólares.  Crise do capitalismo gera "oportunidades" ímpares para bilionários prosperarem ainda mais e empobrece ainda mais bilhões mundo afora, exemplo da imoralidade do capitalismo.
Capitalismo em crise, neoliberalismo soterrado pelo fracasso de suas políticas recessivas, já não são mais apenas jargões de grupos esquerdistas bradando em reuniões do G8.
Mas ainda é possível observar que, apesar dos fortes indícios de desacerto, o ideário do "ajuste fiscal", dos "cortes em investimentos", "privatizações" continua a tornar ainda mais difícil a vida de milhões de pessoas na Europa.  O mal combatido com um remédio que não cura, apenas imobiliza o doente e o controla pela inanição.
Associado a grave crise que se arrasta no velho mundo, percebe-se o quanto o custo das crises globais atingem, principalmente, os mais pobres mundo afora. Pois são estes que precisam adequar-se às duras políticas que diminuem drasticamente gastos sociais em nome da austeridade fiscal e da "eficiência administrativa", sinônimos utilizados daquilo que é implementado, prioritariamente, para tornar possíveis a obtenção de lucros ainda maiores e gerar divisas significativas em um curto espaço de tempo.

Empregos são cortados, direitos trabalhistas idem e, como na Espanha e na Grécia, famílias perdem suas moradias e dignidade.
A bola da vez é o Chipre, segundo publicou o portal Carta Maiorapós a decisão do governo de confiscar investimentos, que atinge principalmente aposentados russos e britânicos:

"...a República do Chipre não escapou ao destino de hoje ex-paraísos neoliberais, como a Irlanda ou a Islândia (esta hoje recuperada, graças a seu programa não ortodoxo de regeneração financeira, uma exceção no caos europeu), e em maio do ano passado começou a dar sinais de exaustão e degeneração financeiras, tendo pedido ajuda ao Fundo de Emergência da Zona do Euro, de que faz parte.

O montante da ajuda pedida era de 17 bilhões de euros. Quase uma ninharia diante dos bilhões já despejados na Grécia, na Irlanda, na Espanha, e em Portugal. Afinal, a economia cipriota representa apenas 0,2% da economia da Zona do Euro. Começando no sábado e adentrando até a madrugada de domingo para segunda, a reunião dos ministros decidiu atacar o problema. Tão complicadas foram as negociações que o próprio presidente do país, o conservador Nicos Anastasíades, passou a participar do encontro, ao lado do seu ministro das Finanças, Michalis Sarris.

O que complicava as negociações era a exigência – hoje com a paternidade posta em dúvida – de que os correntistas e poupadores cipriotas participassem da operação, através do confisco de parte de suas economias, por meio de um imposto único. A resolução afinal tomada deveria, segundo o presidente do Grupo do Euro e ministro das Finanças da Holanda, Jeroen Dijsselbloem, “garantir a estabilidade do Chipre e na Zona do Euro como um todo”."

O Chipre quebrou, é mais um na fila das vítimas da não regulamentação dos mercados e da farra neoliberal.

Mas por outro lado, segundo publicação da revista Forbes, o número de bilionários tem aumentado, apesar da crise mundial persistente.
É possível afirmar que, enquanto milhões pagam a conta da recessão, sofrendo com a perda de seus empregos, de sua renda ou de seus lares, outros continuam amontoando riquezas e tornando o mundo ainda mais desigual, porque, ao contrário dos mais pobres, estes outros, aqueles que propiciam o surgimento das crises, recebem "incentivos" e financiamentos públicos para sanear a economia, preservando e ampliando seus volumosos capitais.

A lista dos super ricos é formada por 1426 nomes com um valor patrimonial líquido de aproximadamente 5,4 trilhões de dólares! Como comparação, o PIB brasileiro é de cerca de US$ 2,2 trilhões, dados de 2012.
A pior crise econômica global desde a Depressão de 30, não apresenta sinais de uma solução rápida no horizonte próximo, mas a concentração de riqueza aumenta imoralmente, desmentindo a crença [de alguns] de que na crise todos perdem...

O exemplo imoral na América Central: A lista dos ultra ricos centro-americanos, pessoas com riqueza superior a US$30 milhões, região sofre a décadas a fio influência do ideário do "american way of life". Guatemala e Honduras lideram este ítem e, segundo a ONU, no de desigualdade da América Latina também, coincidência?

Em um artigo de Alfredo Zaiat - Página/12, publicado em Carta Maioro autor afirma que não são todos que são penalizados com as crises econômicas:
"As economias mais importantes do mundo estão passando pelo sexto ano de estagnação ou recessão. Estados Unidos, Europa e Japão não podem sair do atoleiro com políticas que combinam expansão monetária para resgatar bancos e restrição fiscal no âmbito social e trabalhista. Apesar dos resultados insatisfatórios, as potências persistem nesta estratégia. Existe uma ideia naturalizada no senso comum que postula que nas grandes crises perdem todos. Ricos e pobres, trabalhadores e empresários. Não é assim. Também predomina a noção de que a deterioração geral não convém a ninguém. Para uns poucos, sim, ou é indiferente para eles uma vez que suas riquezas são tão grandes que não são afetadas. Isso é ratificado em um estudo realizado por Wealth-X, empresa que oferece o perfil dos ultra-milionários para profissionais das finanças dedicados à gestão de patrimônios privados."

Somente em 2012 a riqueza dos bilionários aumentou em US$ 760 bilhões, quando a economia global ficou praticamente estagnada.  Ou seja, a crise não afetou negativamente a dimensão dos recursos financeiros dos mega ricos, muito pelo contrário, apresentou uma expansão superior a 10% em um único ano!

A crise virou oportunidade única para este seleto grupo de bilionários fazer negócios e embolsar ainda mais riquezas, apesar de, no outro prato da balança bilhões continuarem perdendo.

A seguir a lista, por nacionalidade, das maiores concentrações de riquezas bilionárias:

1. Estados Unidos (480) – 2,05 trilhões de dólares
Com 333 ultramilionários a mais que seu competidor mais próximo, a China, os Estados Unidos lideram comodamente o ranking. Apesar da estagnação de sua economia, no ano passado surgiram 25 novos muito ricos. Em média, cada um acumula uma fortuna de 4,3 bilhões de dólares. Segundo a última lista da Forbes, Bill Gates (Microsoft), está em primeiro lugar com 67 bilhões de dólares, seguido por Warren Buffett, com 53 bilhões. O estado preferido dos ultra ricos para morar é a Califórnia, seguido por Nova York, Texas, Flórida e Illinois.

2. China (147) – 380 bilhões de dólares
Pela quantidade, a China está em segundo, mas fica atrás da Alemanha e do Reino Unido em termos de riqueza total. Os chineses muito ricos têm 2,6 bilhões de dólares cada um em média. Shangai, Guangzhou, Shenzhen, Beijing e Hangzhou são as cinco cidades com maior presença de ultra ricos. Zong Qinghou, que comanda o Grupo Nahzhou Wahaha, empresa líder de bebidas na China, ocupa a liderança com 11,6 bilhões de dólares, segundo a Forbes.

3. Reino Unido (140) – 430 bilhões de dólares
No Reino Unido, vive a maior quantidade de ultra ricos da Europa, com uma medida de 3,1 bilhões de dólares cada um. Em 2012, apesar da recessão, a quantidade de milionários britânicos cresceu 0,2% e sua riqueza global aumentou cerca de 4%.

4. Alemanha (137) – 550 bilhões de dólares
Está localizada em quarto lugar, mas em termos de riqueza total é a segunda, superando China e Reino Unido. Há menos alemães milionários, mas eles têm mais patrimônio, com uma média de 4 bilhões de dólares cada um. Hamburgo, Munique e Dusseldorf são as três cidades com maior quantidade de ricos. O número um é Karl Albrecht, com 26 bilhões de dólares, dono da Aldi Sud, uma cadeia gigante de supermercados, com 4.600 estabelecimentos em nove países.

5. Índia (109) – 190 bilhões de dólares
Em uma das economias consideradas nova potência, a quantidade de multimilionários destaca a magnitude da riqueza que está se criando neste país, juntamente com o aumento da desigualdade social. A Índica é a terceira maior economia da Ásia, depois de China e Japão. Esse trio representa cerca de 75% dos ultra ricos da região. Cada um dos multimilionários da Índia tem um patrimônio médio de cerca de 1,7 bilhões de dólares, com Mukesh Ambani (petroquímica, petróleo e gás) em primeiro lugar, com 21,5 bilhões.

6. Rússia (109) – 380 bilhões de dólares
São menos, mas em riqueza média se situam muito perto do segundo lugar do ranking: cada um acumula uma média de 3,9 bilhões de dólares. E são cada vez mais: a quantidade de multimilionários russos aumentou 17% no ano passado. O mais rico de todos é Alisher Usmanov, com 17,6 bilhões de dólares.

7. Hong Kong (64) – 190 bilhões de dólares
Hong Kong é o centro financeiro chave da Ásia, onde também se encontram algumas das pessoas mais ricas da região. Ka-shing Li, de 84 anos, é o homem mais rico de Hong Kong, com uma fortuna de 31 bilhões de dólares, segundo a última lista da Forbes.

8. Suíça (57) – 125 bilhões de dólares
Apesar da crise europeia, a fortuna dos ultra ricos suíços aumentou 3% no ano passado em relação ao período anterior, e em quantidade de pessoas subiu 7%. A consultora Wealth-X pergunta-se no informe: Que atração tem a Suíça para os ultra ricos?. E responde: “Seus benefícios tributários e as leis de privacidade, já que podem manter lá seu dinheiro mesmo sem viver permanentemente no país”.

9. Brasil (49) – 300 bilhões de dólares
É o único país latino-americano na lista dos dez mais. No ano passado, com uma economia estagnada, o Brasil mostrou um incremento de 3,5% na quantidade de ultra ricos. Eike Batista é o homem mais rico com uma fortuna estimada em 19,4 bilhões de dólares, segundo a Forbes.

10. Canadá (40) – 105 bilhões de dólares
A relação de ultramultimilionários do mundo voltou a alcançar máximas históricas, informa a Forbes: agora essa lista é formada por 1426 nomes com um valor patrimonial líquido de aproximadamente 5,4 trilhões de dólares. Essa lista, junto com o ranking dos países com maior quantidade de milionários e as suas cifras correspondentes oferecem uma conclusão inquietante. A pior crise econômica global desde a Depressão de 30 do século passado segue sem horizonte de terminar, enquanto aumenta a concentração de riqueza nas mãos de uns poucos ultra ricos.

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