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Candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2010 e municipais
de 2012, quando concorreu e perdeu a prefeitura de São Paulo, José Serra
também corre o risco de não receber os R$ 1 mil garantidos pela
sentença judicial que o abonou por danos morais em um suposto
“oportunismo eleitoral” do best-seller A Privataria Tucana,
escrito pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior. O autor e a editora
Geração Editorial foram condenados pelo juiz André Pasquale Scavone, da
10ª Vara Cível, em sentença publicada em 1º de março, sem que pudesse
ser executada..
A decisão do magistrado afirma que “não é este o juízo que vai dizer
se os fatos narrados são ou não verdadeiros”, mas seria “inequívoca a
intenção dos réus de atingir a imagem de Serra”. Scavone também
considerou “curioso” o caráter indenizatório da ação proposta por José
Serra: “Se o interesse era preservar a imagem, o pedido deveria ser de
impedir a venda do material ofensivo”, em vez de exigir uma reparação
por parte do autor e da editora.
Em sua sentença, o juiz afirma que o valor é “simbólico (para fins de
paraísos fiscais)”, em uma clara referência às denúncias contidas na
obra, lançada em 2010. A decisão, porém, desagradou aos advogados do
político tucano, que prometem recorrer para segunda instância.
– O livro foi considerado ofensivo, mas entramos com recurso para
ampliar a condenação – adiantou Ricardo Penteado, advogado de Serra.
No mesmo diapasão, o editor Luiz Fernando Emediato avisou que também irá recorrer da sentença:
– Vamos recorrer porque, apesar de a sentença injusta, apesar ser
muito irônica é, na verdade, desfavorável ao Serra, que foi
ridicularizado pelo juiz. Para nós, a indenização tem que ser ZERO e
lutaremos por isso. Ao lançar o livro, o fizemos pelo bem do Brasil.
Nada a ver com eleições – afirmou Emediato, em entrevista ao Correio do Brasil.
Denúncias
Os fatos descritos no livro de Amaury Jr. ainda serão alvo de análise
por parte de parlamentares que, de posse da sentença judicial,
encontram uma nova razão para ingressar com o pedido de uma Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI), na Câmara, para apurar as denúncias
descritas em Privataria Tucana.
O livro revela uma rede de corrupção criada durante o governo
Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) que, comandada por José Serra,
desviava verbas do processo de privatizações de empresas estatais. Para
além da consequência nefasta para a economia brasileira, que sofreu um
processo de desmonte, a obra revela que o governo brasileiro pagou para
que as empresas fossem desestatizadas. “A temporada de bondades com o
dinheiro público ultrapassou os preços baixos, as prestações em 12 anos e
as moedas podres. Nos anos que antecederam a venda das estatais, suas
tarifas sofreram uma sequência de reajustes”, afirma o livro. No caso da
energia elétrica, esse aumento foi de 500%.
A Privataria cita um levantamento feito pelo jornalista
econômico Aloysio Biondi. Segundo os dados que foram publicados em O
Brasil Privatizado, o governo FHC afirmou ter arrecadado R$ 85,2 bilhões
com as privatizações, quando na verdade pagou 87,6 bilhões de dólares
para “se livrar” das empresas. Ou seja, um gasto de R$ 2,4 bilhões para
perder empresas importantes como a Vale, a Embraer e a Usiminas. Não
bastasse isso, o processo ficou marcado pelo maior esquema de lavagem de
dinheiro da história do país. As operações eram baseadas na criação de
empresas de fachada em paraísos fiscais, no envio de remessas de
dinheiro ao exterior e na lavagem de dinheiro. As operações movimentaram
milhões de dólares entre 1993 e 2003.
O livro aponta que em uma dessas operações de resgate de dinheiro,
José Serra teria comprado a casa em que vive até hoje, em um bairro
luxuoso da cidade de São Paulo.Assim, empresas ligadas aos tucanos
desviavam verbas para esses paraísos fiscais e depois resgatavam o
dinheiro para usar no Brasil.
Amaury relata que para chegar às fraudes financeiras cometidas pelos
tucanos rastreou documentos em cartórios de títulos e juntas comerciais.
Serra no comando
O delegado e deputado federal Protógenes, botou o livro debaixo do braço e saiu coletando assinaturas para a CPI da Privataria atingiu mais de 171 assinaturas.
Segundo o livro, o principal articulador da rede foi o ex-ministro
José Serra (PSDB), que chefiou o Plano Nacional de Desestatização.
“Ainda são protagonistas dessas operações bilionárias a filha e o genro
de Serra, Verônica e Alexandre Bourgeois, além de Gregório Marin
Preciado, casado com uma prima do tucano. A filha de Serra era sócia de
Verônica Dantas, filha do banqueiro Daniel Dantas, indiciado pela
Operação Satiagraha da Polícia Federal em 2008″, afirma recente matéria
publicada no hebdomadário Brasil de Fato.
Ambas possuíam três empresas chamadas Decidir, que foram utilizadas
para trazer 5 milhões de dólares do Citibank ao Brasil pelo trajeto
Miami-Caribe-São Paulo. Isso seria uma forma de propina por
favorecimento nas privatizações, já que o Citibank comprou parte da
Telebrás associado a Daniel Dantas. O livro também relata que o marido
de Verônica Serra usou uma empresa do Caribe para injetar R$ 7 milhões
em outra empresa no Brasil. As duas se chamam IConexa. Há um indício de
que as transferências foram feitas por meio da compra de ações da
empresa brasileira pela sua homônima caribenha: a ata de uma assembleia
de acionistas da IConexa de São Paulo, assinada duas vezes pelo marido
de Verônica, sendo uma como pessoa física e outra como representante da
IConexa do Caribe.
Isso leva a crer que o marido de Verônica e a IConexa do Caribe eram
os únicos acionistas da IConexa de São Paulo. O capital da empresa na
data da assembleia era de 5,4 milhões de reais. Não há como saber qual
era a porcentagem de cada sócio. Em sendo a IConexa do Caribe amplamente
majoritária, é possível que tenha comprado a maior parte do capital da
IConexa de São Paulo como meio de remeter o dinheiro para o Brasil. Mais
tarde, o capital da IConexa de São Paulo foi aumentado para R$ 7
milhões, totalizando a soma que, segundo o livro, foi trazida do Caribe
pelo marido de Verônica.
Os Jereissati
Outro importante operador do esquema de desvios é Ricardo Sérgio de
Oliveira (“o chefe da lavanderia do tucanato”, segundo Amaury),
ex-diretor do Banco do Brasil nos anos FHC. Oliveira recebeu 410 mil
dólares da empresa Infinity Trading, controlada pelo Grupo Jereissati
(pertencente à família do ex-senador tucano Tasso Jereissati). Os 410
mil seriam propina em troca de favorecimento na compra da Telemar,
empresa de telefonia privatizada em 1998.
Enquanto era diretor do Banco do Brasil com influência na gestão dos
fundos de pensão de estatais, as empresas de Ricardo Sérgio apresentaram
aumento de faturamento, principalmente em função de negócios com os
próprios fundos de pensão. Para a Previ, caixa de previdência dos
funcionários do Banco do Brasil, as empresas dele venderam um prédio por
R$ 62 milhões. Da Petros, fundo dos funcionários da Petrobras,
compraram dois prédios por R$ 11 milhões. O dinheiro da compra do prédio
da Petros veio de uma empresa de fachada caribenha.
Em outro caso de dinheiro ilícito ligado às privatizações, Privataria Tucana
aponta que dois ministros de FHC disseram ter ouvido do líder do
consórcio comprador da Vale que Ricardo Sérgio exigiu dele uma comissão.
Espionagem
O livro afirma ainda que José Serra, desde o seu período à frente do
Ministério da Saúde, utilizou os serviços de arapongas, pagos com
dinheiro público, para criar dossiês contra adversários políticos. O
grupo de Serra faria grande uso da tática da contra-inteligência, isto
é, manobras diversionistas, antecipação e esvaziamento de possíveis
denúncias e vitimização perante a opinião pública.
O livro também destaca como adversários políticos do mesmo partido
praticaram guerras de espionagem e contra-espionagem entre si nos
bastidores, tanto no PSDB (no caso, entre José Serra e Aécio Neves) como
no PT (entre Fernando Pimentel e Rui Falcão).
José Serra teria comandado uma central para tentar dizimar a
pré-candidatura de seu correligionário, Aécio Neves, à presidência da
República em 2010. Naquele ano, Serra foi candidato e perdeu o pleito
para Dilma Rousseff.
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TERRAS ALTAS DA MANTIQUEIRA = ALAGOA - AIURUOCA - DELFIM MOREIRA - ITAMONTE - ITANHANDU - MARMELÓPOLIS - PASSA QUATRO - POUSO ALTO - SÃO SEBASTIÃO DO RIO VERDE - VIRGÍNIA.
sábado, 30 de março de 2013
Serra pode perder até os R$ 1 mil ganhos em indenização contra Privataria Tucana.
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