José Genoino é
alvo de ataques da mídia conservadora.
“Têm
duas funções as cenas lamentáveis nas quais um dos mais importantes
líderes da esquerda brasileira, guerrilheiro contra a ditadura que de
branda não teve nada, é assediado por um comediante nos corredores da
Câmara dos Deputados e, em seguida, ludibriado na sua boa-fé ao receber.
com cortesia. um menino e o pai dele, a mando de um programa
humorístico na TV Bandeirantes. A primeira delas é a prova mais cabal
que o Brasil goza de um período esplendoroso quanto à liberdade de
expressão, após a luta de milhares de brasileiros e brasileiras contra a
censura ditatorial, entre os quais estava aquele homem que quiseram
enxovalhar. A segunda serve para mostrar ao grande público o que a mídia
conservadora anda fazendo com a liberdade que aquele senhor de cabeça
grisalha e aspecto sisudo ajudou o país a construir. A questão
maior que o episódio levanta, no entanto, é a importância de não matar o
mensageiro e prestar atenção no que diz a mensagem. Instruídos por seus
donos, os brincalhões industriados do CQC fazem o papel do palhaço no
espetáculo encomendado por seus patrões. Quem aí já se esqueceu do
festim diário nas tardes de julgamento da Ação Penal 470? Se não faz
mais ideia do que se está falando, tem o livro do “imortal” Merval
Pereira para lembrar, tintim por tintim, tudo o que interessa que seja
lembrado pela audiência global. Com outro do jornalista Paulo Moreira
Leite, desmentindo-lhe cada palavra, em A outra história do ‘mensalão’. O
público para o qual as marionetes que se fazem de engraçadas tentaram
ridicularizar o deputado José Genoino é o mesmo que aplaudiu o ‘Domínio
do fato’ e colocou dinheiro público no processo, sem uma prova sequer,
como mostra o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, supervisor
editorial da revista Retrato do Brasil, em uma reportagem que será tema
de análise na Corte Interamericana de Justiça. Tão logo Genoino
possa recorrer da sentença a que se vê submetido, a revisão integral do
julgamento se fará necessária em uma instância judicial apartada da
tentativa de golpe midiático ocorrida no Brasil, em plenas eleições do
ano passado. Sorte para os brasileiros que a extrema-direita,
patrocinadora da sanha jurídico-televisiva, levou umas belas palmadas
nas urnas. A diferença é que, mesmo depois de sofrer sua mais fragorosa
derrota na capital econômica do país, o resultado do julgamento na
Suprema Corte de Justiça continua válido. E, qual uma ampulheta
sinistra, guarda cenas ainda mais lastimáveis do que a execração pública
sofrida por Genoino. A mensagem é justamente essa: o que o
bobalhão da corte midiática fez será apenas brincadeira de mau gosto,
quando um dos homens mais distintos e corretos que esse país já
produziu, coerente com sua história de resistência, for jogado na cela
escura do presídio para onde será mandado, caso não lhe seja garantido o
direito de recorrer, em liberdade, do destino a que os mais altos
magistrados do país o condenaram. Essa, sim, será a imagem a ser
estampada nos meios conservadores de comunicação, em riqueza de
detalhes. Dias a fio. O que o bufão travestido de repórter
conseguiu produzir, além de um nó na garganta de quem já percebeu a
imensa manobra em curso para minar o avanço do Brasil na direção da
justiça social e de um Estado pleno para todos os brasileiros, e não
apenas para a elite à qual esta Nação verteu sua riqueza, ao longo dos
últimos 500 anos, foi a certeza de que algo precisa ser feito, com
extrema urgência, para desmontar essa máquina de moer biografias, em
nome do capitalismo senil. A medida não será decente e construtiva, como
a civilizada Ley de Medios argentina. Nem terá a amplitude daquela
comissão de controle da imprensa, votada e aprovada no Parlamento
inglês. Muito menos observará a estrutura jurídica que o Congresso
europeu aplica a todos os Estados-nação do bloco. A ilustre presidenta
já deixou claro que, se algo acontecer por aqui será com vento de
través, soprado por milhões de reais pagos aos cofres dos inimigos da
democracia pela mesma mandatária da República que aplaude o barulho da
imprensa domesticada, até ficar rouca. Por ser Brasil, não
seria fácil ou tranquila a democratização dos meios de comunicação. Como
é de costume, será necessária uma nova revolução popular, mas dessa vez
sem mortes físicas, espera-se, embora com muito sofrimento moral e
lágrimas derramadas pelas noites mal dormidas de um sem-número de
jornalistas que passa a integrar a resistência. A luta, no entanto, já é
franca. De um lado, a imprensa independente, os ‘blogueiros sujos’ e a
sociedade liberta do domínio midiático que só faz aumentar, eleição após
eleição. Do outro, o poder bilionário da mídia conservadora, que agora
tenta também dominar a internet, última trincheira da resistência contra
o poderio das seis famílias que controlam a comunicação no Brasil. Terá
que ser na raça, e da única forma possível, diante das graves
circunstâncias que envolvem a questão, ainda que essa luta passe a
dividir famílias inteiras, levar a tensão aos lares confrontados, roubar
a tranquilidade dos brasileiros. Por mais paradoxal que
pareça, a solução para a derrota dos meios colonizados de comunicação
foi apontada pela mesma presidenta que entope de dinheiro os canais de
rádio e TV, os sites e blogs, os jornais impressos por aquelas mesmas
empresas que estiveram a serviço dos conservadores, durante os Anos de
Chumbo, lado a lado com os artífices da mais longa e encarniçada
ditadura já vivida neste continente. A mesma presidenta que bloqueou o
acesso da mídia alternativa aos recursos publicitários federais, para
destiná-los quase que integralmente aos cúmplices dos seus algozes,
Dilma Rousseff apresentou uma alternativa aparentemente simples, quase
pueril. Mandou a audiência decidir, por meio do controle remoto, como
este país deseja ser informado da realidade que o cerca. Se for
este o único caminho possível, que a audiência seja então o campo da
batalha final na guerra pelos corações e mentes do povo brasileiro. E
que todos aguentem as consequências, pois dessa guerra não sairá um
vencedor, apenas um país mais embrutecido, dividido e hostil.”
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