A coluna do senador Aécio Neves, de 19/08/2013, é a expressão da falta de assunto. Sua e de seu “ghost”.
Com o título “Exemplo”, mais uma vez, o escrito nos sugere uma bela piada pronta. Aécio Neves, um exemplo...
E ele pega como exemplo Antônio Cândido e o elogia no auge de seus 95 anos. Mas, para chegar até o mestre, ele começa por suas frases vazias em relação à juventude, não antes sem nos definir a mesma a partir de uma noção ontologicamente a ela vinculada: o futuro.
E ainda nos premia com a seguinte platitude: “À juventude costuma-se sempre agregar a noção de futuro, do que ainda está por ser realizado.”
Tal definição de futuro é tacanha. Tão relevante quanto agregar à juventude também as noções de testosterona, progesterona e estrogênio. E blá-blá-blá. Mas, isso é só, como se diz em Minas Gerais, encheção de linguiça.
De resto, ele atribui, pela enésima vez, as sociais movimentações contemporâneas, que têm a juventude como protagonista, aos avanços tecnológicos. E o que ele chama de avanços tecnológicos são as ferramentas de rede de internet (que confunde ele, mais uma vez, com a expressão redes sociais). Nós já explicamos isso ao senador: redes sociais humanas existem há dezenas de milhares de anos. As ferramentas também: a fala, tambores, fumaça, pombos, correio, telégrafo, telefone e essa parafernália contemporânea que viabilizam o uso da internet, como plataforma de “n” ferramentas. Enfim, dissemos: não é o avanço tecnológico que produz mobilizações sociais. Estas é que produzem os avanços tecnológicos.
Aliás, depois de Hegel, pouco se avançou sobre o que produz a mobilização de indivíduos e grupos na modernidade: segundo o filósofo alemão, a sociedade civil, ou “o sistema de necessidades” está na base explicativa dos fenômenos de mobilização humana. O que vem depois, com todo o respeito, é variação dessa premissa.
Na sequência, Aécio salta para as crônicas de Ruy Castro, chegando ao seu elogio mequetrefe a Antônio Cândido.
Num arroubo de falsa ousadia, que seria sinônimo de humildade e acatamento à grandeza intelectual e moral do crítico literário, Aécio dele discorda, quando esse afirmara, em 2011, ser "um homem do passado, encalhado no passado".
Diz Aécio: “O mestre estava errado. O seu legado, ético e intelectual, longe do ancoradouro das coisas envelhecidas, ilumina um caminho permanente de amor e respeito pelo Brasil.” Ai, que pieguice.
Pieguice esta que reduz Antônio Cândido a um pároco de esquina. Primeiro, porque seu amor é declaradamente pela humanidade. Segundo, suas convicções socialistas, claramente anticapitalistas e antineoliberais, se expressam por sua militância política e partidária e sua obra intelectual. Logo, seu amor pelo Brasil tem classe. A classe dos oprimidos e dos explorados. Em nada dialoga com privatizações, desnacionalizações, perda de direitos trabalhistas e sociais. É aí que reside sua ética e sua ideologia.
Finalmente, retirada do contexto, a frase destacada acima, adquiriu outro significado. Mas, na verdade, Antônio Cândido fazia uma ironia com as pretensões pós-modernas e reafirmava seu compromisso com a modernidade. Logo, nada tem a ver com a apologia de “coisas envelhecidas”.
Anexo: Artigo aécio 19 08 13.doc
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TERRAS ALTAS DA MANTIQUEIRA = ALAGOA - AIURUOCA - DELFIM MOREIRA - ITAMONTE - ITANHANDU - MARMELÓPOLIS - PASSA QUATRO - POUSO ALTO - SÃO SEBASTIÃO DO RIO VERDE - VIRGÍNIA.
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Aécio exemplando.
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