quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Tensão entre PMDB e PT tende a aumentar mas aliança não correria riscos.



A tensão entre o PMDB e o PT tende a crescer, à medida que se aproximam as eleições do ano que vem, “mas é tolice pensar que a aliança entre as duas legendas se enfraquecerá por conta de atitudes extremadas, de ambos os lados”, afirmou um alto dirigente petista ao Correio do Brasil, sob condição de anonimato. Da parte do PMDB, o sentimento é recíproco, segundo também confirmou um militante da legenda, em um alto posto no Congresso:
– Há uma tensão no ar, não se pode esconder isso, mas é fruto da disputa natural por espaços nas eleições que se avizinham – afirmou.
O ponto de bala na calda que une as duas principais agremiações partidárias na base aliada foi encontrado na fala do líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), que confirmou a apresentação, logo após o recesso parlamentar, de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que limita em 20 o número de ministérios. Caso a PEC seja aprovada, a presidente Dilma Rousseff terá que abrir mão de 19 dos atuais 39 ministérios. Hoje não há limites fixados para o tamanho da equipe presidencial. A redução, no entanto, foi defendida pela Executiva Nacional do PMDB e pela bancada do partido na Câmara.
– A prerrogativa (de criar e extinguir ministérios) é do Poder Executivo. Na medida em que se colocar um número de ministérios máximo na própria Constituição, o Poder Executivo poderá disciplinar por lei a forma como se adaptará a esse teto constitucional – lembra Eduardo Cunha.
Líder do Democratas, deputado da extrema direita Ronaldo Caiado (GO), afirmou que seu partido também estuda a redução de ministérios. Entretanto, questiona a quantidade sugerida por Eduardo Cunha.
– Eu não sei qual foi a justificativa do líder do PMDB em definir em 20. Nossa assessoria está levantando dados, mostrando quantos (ministérios) podem ser aglutinados – disse. Ele cita como exemplo o Ministério da Agricultura que poderia abarcar o Ministério da Pesca e o Ministério da Reforma Agrária.
Para o deputado José Guimarães (CE), líder do PT, a proposta não passa de “uma excrescência”.
– A criação de ministério, a redução de ministério é tarefa privativa do Poder Executivo. Não é tarefa do Parlamento. Não é reduzindo um ou outro ministério que se vai enfrentar os dilemas, os momentos de crise econômica mundial. Além do mais, não tem sentido do ponto de vista jurídico da nossa Constituição – afirmou.
Na opinião de José Guimarães, em vez de debater a quantidade de ministério, o Congresso precisa se empenhar em discutir e votar políticas públicas para melhorar as áreas de saúde, educação, segurança pública e mobilidade urbana.
Presença constante.
Desde a redemocratização, em 1985, todos os presidentes da República eleitos direta ou indiretamente governaram com o apoio do PMDB. José Sarney, ex-presidente da Arena, dividiu, na prática, sua gestão com os peemedebistas liderados por Ulysses Guimarães. Até Fernando Collor, do oposicionista PRN, teve num dos fundadores do partido, Bernardo Cabral, seu ministro da Justiça. O vice de Collor, Itamar Franco, procurou estabilizar sua gestão de tempo reduzido com senadores peemedebistas em seu primeiro escalão. E o sucessor Fernando Henrique Cardoso obteve o direito à reeleição com o apoio da legenda. Lula, em seguida, investiu, decididamente, em abrir espaço para o partido dentro de seus dois governos para ter maioria no Congresso.
A presidente Dilma Rousseff segue no mesmo caminho. Hoje, cinco ministros são do PMDB. Governar sem o PMDB, segundo analistas políticos ouvidos no site 247, “é cortejar a ingovernabilidade”. Com atuais 20 senadores e 77 deputados federais, além de cerca de mil prefeitos e cinco governadores de Estado, o partido tende a se posicionar no centro, nem tanto à esquerda, nem tanto à direita que não possa negociar com o sistema vigente. Deter posições de mando é seu principal mote. Instalado nas presidências da Câmara e do Senado, com Henrique Alves e Renan Calheiros, tem no vice-presidente Michel Temer o maior símbolo de sua participação no apoio à eleição e à gestão Dilma.
Mas governar com o partido como aliado tem sido, para a presidente Dilma Rousseff, uma dificuldade. A cada votação importante, as negociações são mais arrastadas, a exemplo das negociações na MP dos Portos, mês passado. O agora o líder da legenda, Eduardo Cunha, anunciou a decisão de levar a PEC dos ministérios ao Plenário apenas um dia depois de a presidente declarar que não pretendia reduzir o tamanho do seu primeiro escalão de governo.
Em outro capítulo do enfrentamento surdo que ocorre na base aliada, o presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Eliseu Padilha, produziu um dossiê com questionários respondidos por parlamentares do partido, que apontam para o desejo de mais espaço na adminitração federal ou, caso não haja disposição, uma debandada em apoio ao presidenciável Eduardo Campos, do PSB. Nesse quadro, o vice Michel Temer mantém um silêncio que aumenta a tensão.
Separação já.
A esquerda do PT, por sua vez, também se manifestou em favor do rompimento imediato com o PMDB. Dilma teria confidenciado a assessores próximos avalia se seria possível governar sem o partido, mas teria percebido que as dificuldades para concluir o mandato seriam extremamente altas.
– Vamos formar palanques estaduais em que, muitas vezes, estaremos em lados opostos. Como aqui no Rio, por exemplo, onde vemos a presença do nosso senador Lindbergh Farias cada vez mais forte – afirmou o líder petista Alberto Cantalice, ao Correio do Brasil.
A corrente que defende a separação entre PT e PMDB mostrou-se minoritária no conjunto da legenda.

 Correio do Brasil 

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