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A inauguração da primeira fase do porto de Mariel, em Cuba, é também uma vitória do Brasil. O terminal ocupa posição estratégica no Caribe, às portas de mercados importantes como México e países da América Central e da América Latina, além dos Estados Unidos, que por ora mantêm o embargo econômico à ilha.
A maior parte da obra (85%), a cargo da construtora brasileira Odebrecht, foi financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição desembolsou US$ 682 milhões para financiar a exportação de bens e serviços brasileiros para o país caribenho. Somada à contrapartida exigida do governo cubano, foram exportados US$ 802 milhões para as obras de Mariel, gerando 156 mil empregos diretos e indiretos aqui no Brasil.
Como ocorre em todas as operações de financiamento às exportações brasileiras, os recursos do BNDES ficaram no Brasil. Os desembolsos foram feitos em reais, mediante a comprovação de que as exportações foram realizadas e de que os bens e os serviços vendidos a Cuba eram brasileiros. Tampouco foi feita qualquer doação. Como todo empréstimo, será pago pela Odebrecht ao BNDES e está lastreado em garantias.
O financiamento público de exportações é parte da política industrial de países importantes no comércio internacional. Nos últimos anos, o Brasil tornou-se um país grande – os desembolsos totais do BNDES saltaram de R$ 38,1 bilhões, em 2002, para R$ 155,9 bilhões, em 2012 –, mas ainda engatinhamos em termos de financiamento às exportações. Em 2012, os EUA liberaram US$ 73,9 bilhões para financiar suas exportações para os países do chamado G-7. No mesmo período, todas as operações do BNDES para financiar exportações brasileiras somaram US$ 2,1 bilhões.
Embora nossas exportações para os EUA recebam a maior parte do crédito do BNDES – e não Cuba, como alguns querem fazer crer –, é importante ressaltar que o destino dos bens e serviços financiados independe da vontade do Governo Federal, uma vez que toda operação de financiamento começa na esfera privada. É a empresa brasileira que, ao vencer ou participar de uma licitação no exterior, procura o apoio do governo para fazer frente aos investimentos previstos no contrato ou para viabilizar sua participação na disputa internacional em condições de competir com outras empresas.
Posições ideológicas, porém, estão turvando a correta avaliação dos ganhos imediatos e futuros proporcionados por esse financiamento. Cuba iniciou reformas econômicas que criam oportunidades para empresas brasileiras. É crescente a possibilidade de queda do embargo imposto pelos Estados Unidos. Estaremos bem posicionados em Cuba quando isso acontecer e em condições de ampliar, a partir de Mariel, nossas vendas para os americanos. Não é o que estão fazendo potências como China e Canadá? O tempo em que o Brasil apenas assistia às transformações mundiais ficou para trás. Hoje, somos atores desse processo.
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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Pragmatismo pelas exportações brasileiras.
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