O governo está brincando com fogo ao manter uma estratégia de comunicação tão irritantemente tosca. A nota da Dilma à imprensa, redigida ao lado do novo chefe da Secom, Thomas Traumann, entrará para a história como uma das maiores trapalhadas dos últimos anos.
Eu tenho muita admiração pela blogosfera, até porque eu sou blogueiro, vivo hoje quase que exclusivamente do meu blog, e não poderia pensar de outra maneira, mas o contraponto às mentiras da mídia não pode ficar apenas em mãos de um punhado de internautas.
O governo tem estrutura e organização para dar uma belíssima resposta à mídia. Dilma foi eleita pela maioria do povo e pode simplesmente dar uma entrevista para esclarecer tudo.
Não precisa dizer que a compra de Pasadena foi um bom negócio, porque não seria verdade. Parecia bom à época, mas com a descoberta do pré-sal e crise financeira mundial de 2008 tudo mudou.
Às vezes eu tenho impressão que os executivos da Secom sequer acompanham a imprensa. Ou pior, que eles acreditam no que lêem.
Em 2013, houve inúmeros debates e audiências sobre a compra de Pasadena pela Petrobrás. Sergio Gabrielli, que era presidente da companhia na época, foi ao Senado e apresentou um trabalho detalhado e completo. Ele também deu entrevistas francas e esclarecedoras sobre o episódio.
Primeira mentira da mídia: afirmar que a Petrobrás pagou US$ 360 milhões pela refinaria. A Petrobrás pagou US$ 190 milhões pelos 50% da refinaria. O valor restante – US$ 170 milhões – foram estoques de petróleo e derivados, os quais foram processados e vendidos, com geração de faturamento para a refinaria e para a Petrobrás.
Segundo Gabrielli, a Astra pagou US$ 42 milhões pela Astra em 2005, mas fez investimentos da ordem de US$ 84 milhões. De 2005 para 2006, os preços das refinarias cresceram muito nos EUA, de maneira que o valor pago pelo Brasil estava perfeitamente em linha com o mercado. E isso não sou eu que digo: Fabio Barbosa, hoje presidente do Grupo Abril, que fazia parte do conselho de administração da Petrobrás, na época da compra, acaba de declarar que “a proposta de compra de Pasadena submetida ao Conselho em fevereiro de 2006, da qual eu fazia parte, estava inteiramente alinhada com o plano estratégico vigente para a empresa, e o valor da operação estava dentro dos parâmetros do mercado, conforme atestou então um grande banco americano, contratado para esse fim”.
Jorge Gerdau Johannpeter, um dos empresários de maior prestígio no país, e que também compunha o conselho da Petrobrás, também assegura que as informações disponibilizadas por renomadas consultorias internacionais apontavam um ótimo negócio: “O Conselho de Administração da Petrobras baseou-se em avaliações técnicas de consultorias com reconhecida experiência internacional, cujos pareceres apontavam para a validade e a oportunidade do negócio, considerando as boas perspectivas de mercado para os anos seguintes. Entretanto, a crise global de 2008 alterou drasticamente o potencial de crescimento do mercado nos anos subsequentes”.
Outro membro à época do conselho da Petrobrás, Cláudio Haddad, que já foi sócio do Banco Garantia, diz a mesma coisa: “A gente achou que seria um bom negócio para a Petrobras. Eu me lembro que teve uma ‘fairness opinion’ (recomendação de uma instituição financeira), que foi do Citibank, que comparou preços, recomendou e mostrou que estava perfeitamente dentro, até abaixo dos preços praticados na época”.
Ou seja, na questão dos preços, consultorias independentes e a opinião de executivos e empresários respeitados no mundo dos negócios, afirmavam que se tratava de um excelente negócio para a Petrobrás. Isso deve calar a boca de muita gente.
Mas a mídia, como sempre, persiste na mentira em colunas e editoriais, desvelando um esforço algo desesperado para transformar o episódio num “escândalo” que possa prejudicar Dilma eleitoralmente.
Miriam Leitão vai além da mentira convencional, e diz em sua coluna de hoje que a Petrobrás pagou US$ 860 milhões pelos outros 50% de Pasadena.
Miriam mudou o número de US$ 820 milhões, correto, para US$ 860 milhões, invenção.
Só que a Petrobrás não pagou sequer US$ 820 milhões pelos últimos 50% da refinaria. Pagou US$ 296 milhões. O restante do valor refere-se à aquisição de estoques, que foram vendidos e entraram no caixa da refinaria, e custos bancários, honorários e indenizações processuais, após uma decisão judicial na Corte de Nova York que beneficiou a empresa belga, com muito mais experiência no mercado norte-americano.
Outra confusão é fingir que a refinaria é apenas uma sucata inútil localizada em algum lugar inacessível do pólo norte, e não uma instalação que ainda tem equipamentos operantes e se situa numa das áreas mais estratégicas dos EUA, quando se trata de petróleo: Houston Ship Channel, onde se tem acesso marítimo ao golfo do México e há interligações modais para todo o território americano. Ou seja, ainda pode ser útil à Petrobrás.
Gabrielli, contudo, é bem sincero: na sua opinião, a refinaria não é mais bom negócio para a Petrobrás, porque ela foi adquirida com o objetivo de receber petróleo pesado das jazidas brasileiras, processá-lo e vender no mercado americano. Só que as descobertas do pré-sal mudaram o cenário, pela simples razão de que o petróleo em águas ultra-profundas é leve. E à Petrobrás não interessa mais desviar qualquer recurso para uma refinaria em Pasadena porque já não consegue dar conta de tanto petróleo encontrado em nossa costa. Mas o momento não é bom para vender a refinaria, diz Gabrielli, que pensar valer a pena aguardar uma oportunidade mais favorável.
Enfim, há explicação para tudo, e a presidenta, ou algum ministro, bem que podia dar uma entrevista sobre o tema, talvez acompanhado da Graça Foster, presidente da Petrobrás. Não custava nada! Daí ela podia partir para o ataque, e mostrar números que provam o sucateamento vivido pela Petrobrás em período anterior, da tentativa de privatizar a empresa, e do afundamento da maior plataforma de petróleo do mundo, a P-36.
A P-36 valia mais de US$ 1 bilhão, matou 11 pessoas, vazou óleo no mar e causou prejuízo de bilhões, visto que a produção foi interrompida. Veja o vídeo, tem apenas 45 segundos.
Reportagem sobre acidente ocorrido na plataforma marítima de extração de petróleo "P-36" da Petrobrás, ocorrido em março de 2001.
A P-36 foi a maior plataforma de produção de petróleo no mundo antes de seu afundamento em Março de 2001. A plataforma era da estatal brasileira Petrobras e custou 350 milhões de dólares.
Sua construção teve início na Itália em 1995 com um casco semi-submerso (com colunas estabilizadoras) e terminou no Canadá em 2000. A P-36 era operada pela Petrobras no campo de Roncador, Bacia de Campos, distante 130 km da costa do estado do Rio de Janeiro, produzindo 84.000 barris de petróleo por dia.
No madrugada do dia 15 de março de 2001 ocorreram duas explosões em uma das colunas da plataforma, a primeira às 0h22m e a segunda às 0h39m. Segundo a Petrobras, 175 pessoas estavam no local no momento do acidente das quais 11 morreram, todas integrantes da equipe de emergência da plataforma. Depois das explosões, a plataforma tombou em 16 graus, devido ao bombeio de água do mar para o seu interior, o suficiente para permitir alagamento que levou ao seu afundamento.
Times de resgate tentaram salvar a plataforma durante o fim de semana seguinte, injetando nitrogênio e ar comprimido nos tanques para tentar remover a água acumulada mas abandonaram as tentativas devido ao tempo ruim.
A plataforma afundou no dia 20 de março, em uma profundidade de 1200 metros e com estimadas 1500 toneladas de óleo ainda a bordo. Segundo a agência nacional de petróleo (ANP) do Brasil, o acidente foi causado por "não-conformidades quanto a procedimentos operacionais, de manutenção e de projeto.
|
TERRAS ALTAS DA MANTIQUEIRA = ALAGOA - AIURUOCA - DELFIM MOREIRA - ITAMONTE - ITANHANDU - MARMELÓPOLIS - PASSA QUATRO - POUSO ALTO - SÃO SEBASTIÃO DO RIO VERDE - VIRGÍNIA.
segunda-feira, 24 de março de 2014
As mentiras da mídia no caso Pasadena.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário