quarta-feira, 12 de março de 2014

Governo X PMDB X PT: quem é que ainda aguenta isso?

dilma ok ok Governo X PMDB X PT: quem é que ainda aguenta isso?

Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

Vamos falar bem a verdade: ninguém aguenta mais este interminável arranca-rabo entre o governo Dilma e os dois maiores partidos da base aliada em torno da troca de ministros e da formação dos palanques estaduais. Desde o final do ano passado, não há outro assunto em Brasília a não ser este varejão da política que consome todo o tempo do governo e dos partidos em reuniões que não decidem nada e só servem para marcar novas reuniões.
E tudo isso apenas por causa dos seis minutos que o PMDB tem na propaganda eleitoral ou alguém imagina que as divergências se devem à discussão de um projeto para o país visando os próximos quatro anos, caso a atual aliança seja reeleita? Ou alguém vai votar em Dilma porque ela tem o apoio do PMDB e Michel Temer como vice?
É tudo um grande teatro da política do absurdo que até agora só serviu para trazer ao palco principal uma figura menor do pior fisiologismo, o deputado Eduardo Cunha, do PMDB carioca, que faz ameaças e fala como se fosse líder da oposição, mas não larga os ossos que tem no governo _ ao contrário, quer mais.
Como o PMDB não é um só partido, mas vários _ o do Sarney, o do Renan, o da bancada do Senado, o da bancada da Câmara e o dos "independentes" que só jogam contra _ a presidente da República é obrigada a falar com um por um separadamente, consumindo com a administração de picuinhas partidárias a agenda que deveria ser dedicada aos graves problemas que o país enfrenta em diferentes áreas.
Ainda não consegui descobrir onde Dilma quer chegar com a embromação desta reforma ministerial que se arrasta há meses, só dando munição para os candidatos da oposição e aos setores do empresariado cada vez mais contrariados com a presidente.
O melhor sintoma de que as coisas não vão bem, e falta um norte para o governo neste momento, é que de uns tempos para cá ninguém mais quer falar nem em off, ninguém atende às ligações no Palácio do Planalto, nem dá retorno. Cada um que escreva o que quiser porque o governo, tão cheio de certezas, não tem explicações a dar sobre o que está acontecendo.
Não dá para entender este comportamento defensivo do governo, enquanto as pesquisas lhe são amplamente favoráveis e a oposição continua se arrastando, mais preocupada em atacar Dilma do que em se apresentar ao eleitorado com propostas para o país.
Já estamos no terceiro mês de 2014, e até agora o Congresso não discutiu nem aprovou nenhum projeto importante para o país, não há sinal de qualquer mudança na condução da política econômica, que não vai bem das pernas, o norte do país se afoga nas águas e o sul corre risco sério de ter racionamento de água e de luz por causa da seca, a violência corre solta e novas greves ameaçam serviços públicos básicos.
Está na hora de virar o disco e cuidar do que realmente importa, pois ninguém suporta mais esta distância entre as reuniões sem fim de Brasília para administrar o presidencialismo de coalizão, que está com o prazo de validade vencido, e os grandes desafios do país real.
Afinal, faz alguma diferença para o caro leitor/eleitor saber quantos ministérios tem o PMDB ou o PT, e em quantos Estados os dois partidos estarão aliados nas eleições estaduais?
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PMDB ESTICOU A CORDA DEMAIS, AVALIA GOVERNO.
dilma ok PMDB esticou a corda demais, avalia governo
Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho
Como o Carnaval baiano, o impasse entre o governo, o PT e o PMDB não tem dia para acabar. Na pajelança de quarta-feira no Palácio da Alvorada, que reuniu Dilma e Lula com o comando da campanha da reeleição, a avaliação geral é que "o PMDB esticou a corda demais" nos embates sobre a reforma ministerial e as alianças nas eleições estaduais, tendo ainda como pano de fundo a insatisfação do baixo clero pela demora na liberação das verbas das emendas parlamentares.
"Por acaso o PMDB ficou mais forte de um ano para cá para querer outro ministério?", indagou um dos participantes da reunião para justificar a posição da presidente Dilma de não aumentar o número de ministérios do PMDB, apenas alojando o senador Vital do Rego no lugar de Gastão Vieira no Ministério do Turismo.
A posição do governo é não ceder às chantagens do líder do PMDB na Cãmara, Eduardo Cunha, que entrou em confronto aberto com Rui Falcão, presidente do PT. Dilma vai fazer o que tem que fazer com o PMDB e não há divergências entre Dilma e o ex-presidente Lula sobre este assunto, que será tratado com o vice presidente Michel Temer.
Diante desta quadro, pergunta-se: o que o PMDB pode fazer tendo cinco ministérios no governo e mantendo Temer como vice na chapa da reeleição? Para os petistas, o PMDB tem que decidir se quer ser governo ou ir para a oposição, como ameaça Eduardo Cunha, um 0bscuro deputado do PMDB carioca com interesses pessoais variados, que conta com o apoio dissimulado de Henrique Alves, o peemedebista que preside a Câmara.
Para Eduardo Campos o PMDB não pode correr, porque Marina Silva não deixaria, em nome da "nova política", e Aécio Neves não parece ser uma alternativa atraente, a julgar pelos seus índices de intenção de votos que há meses não saem do lugar. Como o PMDB não leva muito jeito para ser oposição, o mais provável é que continue tudo como está, com os dois partidos administrando as divergências no varejo, enquanto as anunciadas mudanças no ministério ficam em banho-maria.

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