sexta-feira, 7 de março de 2014

O blá blá blá tucano.


A poucos meses da eleição e, como sempre, sem nada a apresentar à sociedade, o alto escalão do tucanato arregaça as mangas para discutir e criticar a política externa brasileira. Na semana passada, o eterno candidato José Serra não poupou energia para descer a lenha no MERCOSUL – ele sempre se declarou contra o bloco – e, claro, na Venezuela. Agora, a bola da vez é o ex-presidente Fernando Henrique.
Mais comedido do que Serra, no artigo Diplomacia Inerte, publicada em O Globo e no Estadão, no carnaval, o ex-presidente tucano Fernando Henrique critica a política caracterizando a diplomacia dos governos petistas de “inerte”, menosprezando os avanços na América Latina e, como Serra, dando seu pitaco sobre a Venezuela.
Em sua visão, há uma “incrível timidez” do Brasil frente à situação do governo democrático de Nicolas Maduro na Venezuela. Afirma o ex-presidente: “Ainda agora, na crise da Venezuela, é incrível a timidez de nosso governo em fazer o que deve: não digo apoiar este ou aquele lado em que o país rachou, mas pelo menos agir como pacificador, restabelecendo o diálogo entre as partes, salvaguardando os direitos humanos e a cidadania”.
Vejam vocês, em 2010, justamente naquele ano eleitoral, este blog cobria e registrava críticas semelhantes dos tucanos sobre política externa. Na época, o ex-ministro José Dirceu lembrava um aspecto bastante interessante sobre a diplomacia tucana.
“Uma simples comparação dos resultados conquistados pelo governo Lula no front internacional – eu nem precisava relacioná-los, vocês acompanham e se lembram – com os oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso demonstra quão pífia e submissa aos interesses norte-americanos foi a política externa tucana”, afirmava o ex-ministro naquele 27.07.2010.
E lembrava um aspecto, aliás, nada alentador ou representativo de disposição  de salvaguardar os direitos humanos e a cidadania da diplomacia de FHC: “no caso do Peru, FHC condecorou Alberto Fujimori em Brasilia e o Brasil se recusou a subscrever uma nota condenando o golpe de Estado e a fraude eleitoral praticados pelo ditador peruano, hoje cumprindo pena de prisão por corrupção e violação dos direitos humanos”.

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