Marco Aurélio Weissheimer
Os encontros realizados por PT e PMDB neste final de semana definiram alguns dos contornos gerais das eleições de 2014 no Rio Grande do Sul.
Porto Alegre - Lideranças e militantes do PT gaúcho e dos partidos aliados que participam do governo do Estado lançaram extraoficialmente, na noite deste sábado (15), o governador Tarso Genro à reeleição. O ato ocorreu durante a festa de aniversário de Tarso Genro que lotou as dependências da Casa do Gaúcho, no Parque Harmonia. O governador ganhou um presente-surpresa no início da festa: um show com Hique Gomez e banda, a primeira apresentação em público do músico após a porte de seu parceiro do show Tangos e Tragédias, Nico Nicolaiewsky. E foi em ritmo de tango que Tarso foi aclamado na festa como candidato à reeleição em 2014. Na parte política do ato, o chefe do Executivo gaúcho fez questão de chamar para ficar ao seu lado no palco os representantes dos partidos que o apoiam. Lá estavam Olívio Dutra, Manuela D’Ávila (PCdoB), Maria do Rosário, Pepe Vargas, Miguel Rossetto, Paulo Paim, Ary Vanazzi, Luis Augusto Lara (PTB), Mari Perusso (PPL) e Coronel Bonetti (PR). O grupo expressa a composição de partidos que deve apoiar a campanha à reeleição do atual governo: PT, PCdoB, PTB, PPL e PR. Ovacionado pelo público, Olívio Dutra fez uma saudação especial ao “militante, pensador e governador Tarso Genro. “A vida para nós é permanentemente um ato político e o companheiro Tarso é um ser político. Temos muita coisa pela frente em 2014. Queremos continuar governando o Rio Grande do Sul e governando o Brasil com a companheira Dilma. Tenho certeza que o Tarso vai estar conosco nesta caminhada”. Representante do Partido da República, o coronel Bonetti disse que seu partido se sentia honrado em trabalhar para alcançar os mesmos objetivos que o atual governo busca. Entusiasmado e também aniversariante, o senador Paulo Paim deixou as mediações de lado e falou abertamente da candidatura de Tarso à reeleição: “Vai ser muito viajar pelo Rio Grande do Sul falando das conquistas do governo Tarso e do governo Dilma. É Dilma lá e Tarso aqui”, bradou. Na mesma linha, Mari Perusso garantiu: “estaremos ao seu lado para reeleger esse projeto e seguir fazendo um Rio Grande para todos”. Luís Augusto Lara, do PTB, revelou uma conversa recente que teve com o ex-senador Sério Zambiasi e anunciou qual seria o presente para o aniversariante. “Conversei com o Zambiasi e ele falou o seguinte: diz pro Tarso que o presente que o PTB vai dar para ele é o mesmo que o Rio Grande do Sul vai dar em outubro, a reeleição do atual projeto”. O presidente do PT gaúcho, Ary Vanazzi, seguiu na mesma toada: “O presente que queremos lhe dar, governador, é reeleger o nosso projeto no dia 7 de outubro”. Falando em nome próprio e do PCdoB, Manuela D’Ávila saudou o aniversariante, defendeu a reeleição do atual projeto que governa o Estado e lembrou a qualidade do trabalho desenvolvido por Tarso Genro no governo federal, destacando em especial dois projetos, o Prouni e o Pronasci, “duas revoluções que o Brasil viveu e que foram coordenadas pelo senhor”. Principal atração da noite, o governador Tarso Genro iniciou sua fala chamando para o seu lado os representantes de todos os partidos que estavam ali presentes. E fez uma defesa enfática da importância da política e dos partidos: “Vivemos uma época em que a grande manipulação neoliberal operada pela mídia quer reduzir a política à impostura e quer desmoralizar os partidos, submetendo o Estado ao controle do capital especulativo. Por isso, a obrigação de qualquer militante de esquerda ou progressista hoje é defender a política e os partidos”. Tarso falou sobre os 67 anos completados, lembrando que iniciou sua trajetória política aos 14 anos. “O tempo passa muito rápido. Mas essa pressa do tempo também é pontuada por grandes momentos e são esses momentos que nos constroem como políticos e seres humanos”. Um desses momentos, apontou, é governar o Rio Grande do Sul. Antecipando aqueles que devem ser os eixos estruturantes de sua campanha à reeleição, Tarso relacionou três pontos que considera fundamentais em 2014: 1. “Estamos construindo as condições de unidade, com os partidos que estão presentes aqui hoje para que o nosso projeto continue. Precisamos examinar o nosso programa de governo, ver o que conseguimos cumprir e identificar aquilo que precisamos aperfeiçoar”. 2. “Vamos reafirmar um compromisso total com a ética e de nenhuma tolerância com a corrupção”. 3. “É fundamental também que vinculemos o nosso projeto ao projeto nacional representado pelo governo da presidenta Dilma”. No mesmo dia em que o PMDB escolheu o ex-prefeito de Caxias do Sul, José Ivo Sartori, como candidato ao Piratini, Tarso Genro aproveitou para alfinetar os adversários históricos do PT no Estado. Ao se referir as dificuldades que Dilma vem enfrentando com o PMDB em nível nacional, Tarso afirmou: “nós conhecemos bem esse partido aqui. Eles participaram dos dois governos anteriores ao nosso e entregaram um Estado quebrado e enfraquecido em suas funções públicas”. PMDB escolhe José Ivo Sartori como candidato. O PMDB gaúcho também movimentou seus filiados neste sábado, em Porto Alegre. O partido realizou uma pré-convenção estadual para escolher o candidato ao governo do Estado nas eleições deste ano. Dois candidatos disputaram a vaga: José Ivo Sartori, ex-prefeito de Caxias do Sul, e Paulo Ziulkoski, atual presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Deu Sartori. Apoiado por algumas das principais lideranças do PMDB no Estado (Pedro Simon, José Fogaça, Germano Rigotto e Ibsen Pinheiro), Sartori fez 994 votos, contra 379 dados a Ziulkoski, que contava com o apoio dos deputados federais Eliseu Padilha e Mendes Ribeiro, entre outros. Ao discursar na pré-convenção, o senador Pedro Simon criticou aquela que deve ser a principal adversária do PMDB numa eventual disputa para segundo turno contra o governador Tarso Genro: a ex-comentarista política da RBS e hoje senadora, Ana Amélia Lemos. Simon lembrou as ligações do partido da senadora, o PP, com a ditadura militar e alfinetou outro integrante do PP, o deputado federal Luiz Carlos Heinze, que virou notícia nacional ao incluir, durante discurso em uma audiência pública no interior do RS, quilombolas, gays, lésbicas e índios na categoria de “tudo que não presta”: "O PP teve de ir buscar na RBS uma senhora que vive em Brasília há 20 anos e que acompanhava a mais alta estirpe da corte do regime militar. Descobriram essa jornalista lá. Se a Ana Amélia não quiser concorrer, quem o PP vai indicar? Aquele senhor que fez declarações preconceituosas?" - disparou Simon. Os encontros realizados por PT e PMDB neste final de semana definiram alguns dos contornos gerais das eleições de 2014 no Rio Grande do Sul. Embora ainda não oficializadas, três das principais candidaturas estão postas: Tarso Genro (PT), José ivo Sartori (PMDB) e Ana Amélia Lemos (PP). O PDT também sinaliza com candidatura própria, o deputado federal Vieira da Cunha, enquanto o PSB, do deputado federal Beto Albuquerque, é cortejado pelos candidatos oposicionistas para ser vice em suas respectivas chapas. http://www.cartamaior.com.br/ |
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segunda-feira, 17 de março de 2014
PT e aliados lançam Tarso à reeleição no RS. PMDB escolhe Sartori como candidato.
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