| Dormindo de sapato. E aos 46 minutos do segundo tempo, já no fim da prorrogação, veio o melhor momento da entrevista que Dilma concedeu a jornalistas da Folha, do UOL, da Jovem Pan e do SBT. Dilma revelou que traz dois hábitos dos dias em que fugia da polícia da ditadura. O primeiro é ter dinheiro em espécie à mão, para emergências. Como está posto em sua declaração de bens, ela tem cerca de 150 mil reais cash. O segundo é o estranho costume de dormir com sapatos. Quer dizer, estranho para quem não tem que se vestir com urgência para bater em retirada, situação vivida por Dilma na época dos militares. Tanto a mídia vem escrevendo sobre Dilma, e os brasileiros desconheciam informações deliciosas como estas. Isso não depõe a favor de jornais e revistas, definitivamente. Estamos sempre com os braços remando contra a corrente, rumo ao passado, como escreveu Fitzgerald em sua obra máxima, O Grande Gatsby. O dinheiro guardado e os sapatos no sono são os remos de Dilma. O resto da sabatina foi o que se esperava. Quatro jornalistas tentando morder Dilma de todas as formas. Adjetivos negativos se espilharam. A situação econômica, ouvimos, não é simplesmente complicada. É “bastante ruim”. A rejeição a ela, ouvimos também, não é normal, compatível com a de outros presidentes em final de mandato: é uma calamidade. O “mercado” vê nela, também ficamos sabendo, a combinação de tudo que de ruim alguém pode fazer no Planalto: política fiscal “frouxa”, complacência com a inflação, crescimento baixo. E a corrupção, ah, a corrupção foi inventada pelo PT. Nem parece, enfim, que Dilma lidera as pesquisas, e que tem boas chances de ganhar no primeiro turno. Se ela dependesse dos entrevistadores para calibrar sua autoestima, estaria frita. Mas não. Dilma pareceu serena diante da pancadaria. Sem ser uma oradora natural, sem ser um fenômeno da retórica, saiu-se bem nas respostas. Em comparação com Aécio, é menos loquaz, mas não trai, como ele, contrariedade diante de perguntas duras. Uma coisa pela outra, a vantagem é dela. O único momento em que pareceu irritada foi quando o Santander apareceu na conversa. Dilma não ficou satisfeita com as desculpas do banco, “muito protocolares”. Ela pareceu disposta a dar uma bronca pessoalmente no presidente do banco, se encontrar uma vaga na agenda. Foi diplomática ao falar de Israel. Não endossou a palavra “genocídio”, usada por alguém de seu governo. Preferiu “massacre”. Falou nas mulheres e nas crianças mortas em Gaza. Mas lembrou que o Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer Israel. Subiu ligeiramente de tom quando foram invocados negativamente os médicos cubanos por conta dos salários. Disse, com razão, ser incrível que, em pleno 2014, Cuba ainda seja objeto de manifestações “fundamentalistas”. Mas o melhor da sabatina esteve fora da política e dentro da vida pessoal – no dinheiro em espécie e nos sapatos ao dormir. Ali se viu não a presidenta em busca de um segundo mandato, mas uma mulher em busca de seus anos dourados, como o Gatsby de Fitzgerald. http:// *** *** *** O Movimento ¨Não Vai Ter Copa¨ voltou com tudo - agora, na Rússia.
A Copa do Mundo no Brasil consagrou o futebol coletivo da seleção alemã e também o slogan Não Vai Ter Copa. Entoado como palavra de ordem nos protestos de rua ou como piada nas redes sociais, o mote acompanhou os 12 últimos meses de organização do Mundial de futebol no país. Agora, ele parece pronto a voltar às manchetes para a próxima Copa, em 2018, na Rússia.
O movimento ganhou força na última semana após a queda do MH17, da Malaysia Airlines, em solo ucraniano e subsequente ação dos governos de Estados Unidos e Ucrânia que apontaram Moscou, via apoio militar e logístico aos grupos separatistas da ex-república soviética, como responsável pelo abatimento da aeronave. Desde então, lideranças políticas e esportivas europeias, apoiadas pela promoção concedida pela imprensa estrangeira, vêm pedindo que a Fifa retire o Mundial da Rússia. O primeiro a aventar tal possibilidade, antes mesmo da derrubada do MH17, foi o inglês Andy Burnham, do Partido Trabalhista, de oposição ao primeiro-ministro David Cameron, braço direito de Barack Obama nos ataques a Vladimir Putin. À BBC, Burnham afirmou que a Fifa deveria “revisitar” sua decisão. Clive Efford, seu correligionário, fez o mesmo. “A Fifa deveria discutir um plano de contingência para caso haja uma escalada de agressões na Ucrânia”, pontuou. Com o problema agravado após a tragédia do voo malaio, os alemães passaram a engrossar o coro britânico. Especialista em política externa da União Cristã-Democrata, partido da chanceler Angela Merkel, Karl-Georg Wellmann foi enfático. “Não podemos conceder a Copa do Mundo a um país em guerra com um vizinho”, disse. O acadêmico foi acompanhado por Wolfgang Niersbach, presidente da DFB – a CBF germânica – que pediu a mudança de sede, mas acabou caindo em contradição ao sugerir quais países deveriam receber o Mundial. “Observo com preocupação a crise política na Rússia. A Alemanha seria a alternativa adequada, em cooperação com Polônia e Ucrânia”, afirmou ele, referindo-se às duas sedes da última Eurocopa, em 2012. Porém, quem promove o maior lobby pela perda do direito russo de receber o Mundial daqui a quatro anos, situação que poderia desgastar a imagem do presidente Vladmir Putin, é a imprensa, fato experimentado pelo Brasil durante a organização do megaevento. Colunistas de jornais e sites americanos e europeus têm martelado a ideia de mudança de sede. Em um dos artigos mais raivosos, Tunku Varadarajan, do Daily Beast, acusa Putin pela morte dos 298 passageiros do MH17 e garante: “O mundo precisa fazer Vladimir Putin pagar com seu orgulho”. O jornalista, assim como outros colegas, defende o ataque esportivo por considerar as sanções econômicas que Estados Unidos e União Europeia vêm impingindo a empresas e cidadãos russos desde março ineficazes na tentativa de abalar a força do presidente perante seu eleitorado. Aliás, reside aí o grande trunfo de Putin para conter o Não Vai Ter Copa modelo 2018. Há 14 anos dividindo-se entre as funções de presidente e primeiro-ministro, o ex-agente da KGB viu seus índices de popularidade dispararem desde a anexação da Crimeia à Rússia, em março. Segundo o instituto de pesquisas Levada, 86% dos russos aprovam seu governo, maior nível desde que chegou ao Kremlin. A taxa estratosférica, cerca de 10 pontos superior ao que Lula alcançou no final de seu mandato, explica-se pelo silenciamento da oposição interna promovido tanto pela força quanto pelo convencimento. Após as manifestações massivas deflagradas em toda a Rússia em 2011 por suspeitas de manipulação do resultado da última eleição, vencida com larga vantagem por Putin, o governo endureceu a legislação antiprotesto do país e perseguiu os cabeças do movimento, levando dezenas à prisão. Além disso, a postura do presidente diante do impasse na Ucrânia, onde já chegou a afirmar que “sempre lutará em favor do mundo russo”, reavivou o nacionalismo de seus conterrâneos, ferido desde o fim da União Soviética, e fez, segundo relatos publicados inclusive em veículos pró-Ocidente, muitos cidadãos mudarem de opinião quanto ao presidente. É dessa sinuca de bico que até agora os governos e imprensa ocidentais não encontraram saída. Os caminhos que serão trilhados, contudo, já estão assinalados. Por um lado, forçar mais numerosas e pesadas sanções para a economia russa, que vem cambaleando recentemente e deve fechar 2014 com crescimento na casa do 1%. Na outra mão, alimentar um clima de tensão sobre a segurança no país durante o Mundial, salpicada com denúncias de corrupção e gastos excessivos (só os estádios custarão R$ 18 bilhões, mais que o dobro do investido no Brasil), que leve a Fifa a uma inédita decisão de trocar a sede da Copa, o que supostamente envergonharia o país, tornando o povo contra Putin. A Rússia que feche suas caçapas pois o taco está nas mãos do Ocidente e o jogo apenas começando. http:// |
TERRAS ALTAS DA MANTIQUEIRA = ALAGOA - AIURUOCA - DELFIM MOREIRA - ITAMONTE - ITANHANDU - MARMELÓPOLIS - PASSA QUATRO - POUSO ALTO - SÃO SEBASTIÃO DO RIO VERDE - VIRGÍNIA.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
As revelações de Dilma na sabatina.
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