Criar um banco de financiamento da infraestrutura e um arranjo institucional para evitar estrangulamentos nos balanços de pagamento tem inegável importância histórica. Este é o sentido maior das duas decisões tomadas pelos chefes de Estado e de Governo, reunidos durante dois dias na Cúpula do BRICS, realizada nesta 2ª e 3ª feira em Fortaleza.
Com a criação das duas instituições, os BRICS ganharam a densidade política que ainda não tinham adquirido na história anterior do bloco. Daí a importância das duas decisões. Consolida-se, assim, a aliança estratégica entre os cinco maiores países e economias emergentes, nações e povos, encerrando o ciclo histórico dominado pelo unilateralismo norte americano. E se abre-se o caminho para uma nova fase nas relações internacionais, inclusive com as reformas necessárias e urgentes em instituições multilaterais como o FMI e o Banco Mundial e a própria ONU.
Para além da aliança política e estatal entre os cinco países as decisões de Fortaleza avançam numa nova estratégia de desenvolvimento econômico e de relações internacionais. Uma grande vitória da diplomacia e da política externa brasileira e dos governos Lula e Dilma.
Decisões foram resposta à demora na reforma do FMI e do Banco Mundial.
Assim, tem toda razão a presidenta Dilma Rousseff ao explicar, no encerramento da Cúpula dos chefes de Estado e de Governo, em Fortaleza, que a criação do NBD e do fundo anticrise do grupo são respostas concretas do BRICS à demora por parte do Banco Mundial e do FMI de implantar reformas: “(A demora) fez com que façamos a nossa parte e não fiquemos só reivindicando”.
Sobre o NDB, a presidenta explicou, que ele “representa uma alternativa para as necessidades de financiamento de infraestrutura nos países em desenvolvimento, compreendendo e compensando a insuficiência de crédito das principais instituições financeiras internacionais”. Com o banco, complementou, “Os Brics ganham densidade política”.
“(O acordo sobre o novo banco) mostra que nossos países, apesar de nossa diversidade geográfica, étnica, cultural e linguística, estão decididos a construir uma parceria sólida e produtiva com consequências altamente positivas para o sistema internacional. A força do nosso projeto é o potencial de transformação do sistema internacional, mais justo e igualitário”, avaliou a chefe de Estado brasileiro.
Decididos cidade-sede e presidência do NBD.
Agora está decidido: a sede do NBD será em Xangai (China) e o primeiro presidente do órgão será um representante da Índia. O acordo sobre o banco e o fundo foi assinado durante a 6ª Cúpula do bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. De cinco em cinco anos, haverá a troca do presidente do NBD – começa com um representante da Índia, substituído sucessivamente por um do Brasil, da Rússia, da África do Sul e da China.
O banco contará com um capital inicial subscrito de US$ 50 bi e autorizado de US$ 100 bi. Novos países poderão se associarem ao banco sim, mas a participação conjunta dos países do BRICS precisa manter a cota mínima de 55%. Além do acordo do banco, também foi assinado o tratado para estabelecer o Arranjo Contingente de Reservas do BRICS. O fundo garantirá a ajuda aos países em caso de crise e turbulência financeira e poderá ser acionado para sanar os problemas temporários no balanço de pagamentos dos governos.
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O significado geopolítico das iniciativas tomadas pelo bloco BRICS.
Em entrevista à Rádio Brasil Atual (ouçam aqui), o advogado e jornalista Max Altman, integrante da Secretaria de Relações Internacionais do PT, analisou o significado geopolítico das iniciativas do bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) de criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e de um Fundo dos cinco países emergentes.
Em sua visão, a formação do banco traz uma densidade não apenas econômica, mas também política. Foram os países do BRICS, lembra Altman, os responsáveis pela redução dos efeitos da crise financeira internacional. Eles não apenas contribuíram para que a economia não descesse ao fundo do poço, como apostaram na geração de empregos para manter vivas suas economias.
Max também dá os números do BRICS que revelam sua força no contexto geopolítico: somado, o PIB desses países atinge R$ 15,8 trilhões, o equivalente ao PIB norte-americano e mais de 20% do total mundial. Somada, a população do BRICS representa de 35% a 40% do total de habitantes do planeta, um mercado consumidor de 3 bilhões de pessoas.
Tudo isso mostra a importância da união desses países, aponta Altman, ponderando que existem passos a serem dados na superação das diferenças, mas tudo leva a crer que teremos “um novo polo”. “O grupo dá um passo importantíssimo na disputa do poder mundial e consolida o aspecto multilateral da conjuntura internacional”.
Ouçam a análise de Max Altman clicando aqui.
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quinta-feira, 17 de julho de 2014
BRICS institui nova fase nas relações internacionais.
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