O gesto é polêmico, como tudo o que envolve o futebol e muito do que envolve a Copa do Mundo agora encerrada, mas nós subscrevemos – e o ex-ministro José Dirceu, também, com certeza – a carta que a presidenta Dilma Rousseff enviou à seleção brasileira no fim de semana (ontem), dia seguinte à derrota para a Holanda por 3 a 0, resultado que deixou o Brasil em 4.º lugar no Mundial.
A presidenta da República aproveita a carta para reafirmar a necessidade de mudanças no esporte, “dentro e fora dos estádios” e exaltar a realização da Copa no País. “Nós, brasileiros, não levamos a taça, mas fizemos a Copa das Copas”, destacou a chefe do governo na mensagem que ela endereçou aos “queridos jogadores e querida comissão técnica”.
“O que permanecerá mais forte no coração do nosso povo – assinala a mandatária brasileira – serão os momentos de alegria que vocês nos proporcionaram nesta Copa e que, seguramente, irão nos garantir em Copas futuras. Principalmente porque todos nós, sem exceção, saberemos aproveitar as lições de agora para melhorar ainda mais o nosso futebol, dentro e fora dos estádios”.
A presidenta defende a criação de mecanismos para impedir a saída de jogadores do País com menos de 19 anos e vai insisgir nesta e em outras propostas que já fez, como por exemplo investir no futebol de base e na correção de várias normas que regem o esporte no país. Mas, já deixou claro: “o governo não quer comandar o futebol, pois ele não pode, nem deve ser estatal”.
Na próxima 6ª feira ela recebe representantes do Bom Senso Futebol Clube, movimento que reúne jogadores que reivindicam melhores condições de trabalho para os atletas, dentre as quais mudanças no massacrante calendário de jogos e formas de luta e protesto diante de atrasos em pagamentos de salários.
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Editorial do Globo diminuindo papel do governo no sucesso da Copa é uma bobagem.
Vergonhoso, para dizer o mínimo, o editorial de meia página que o jornal O Globo publicou no fim de semana (ontem) sob o título “O Brasil mostrou sua cara”, sobre o fim da Copa do Mundo realizada no país. O jornalão da família Marinho atribui todo o sucesso do evento – que é, assim, obrigado a reconhecer – ao futebol e ao povo brasileiro. Para ele, o governo e a administração pública, não tiveram nada a ver com isso.
O jornal carioca diz que “a Copa foi um sucesso naquilo que dependeu do futebol e do povo brasileiro, alegre, hospitaleiro, acostumado com a diversidade, fatores que cativaram os estrangeiros.” Mas, ataca o jornalão, “com sua proverbial incapacidade administrativa, o poder público teve de improvisar para compensar várias deficiências com a decretação de feriados e outros jeitinhos”.
O Globo devia ter pudor de fazer um editorial desses, porque ele e todo o conglomerado de comunicação – Rede Globo à frente – têm interesse comercial na Copa e estão impedidos de fazer qualquer crítica isenta. Nada do que O Globo previu aconteceu. E agora o jornal insiste na tecla que o evento não teve nada a ver com o poder público, com os governos…
Sem participação e trabalho do governo, Copa não teria sequer acontecido.
Mas, sem eles, é evidente que a Copa não teria sequer acontecido. Fora um grande, talvez o maior problema, que a mídia está escondendo e não aconteceu, que é a o fracasso da segurança pública, o completo caos na área previsto – e instigado sempre – pelos jornalões. Isso sem falar nas manifestações e greves que, principalmente as Organizações Globo, estimularam, apoiaram, e fizeram de tudo para acontecer.
Mas nada, as manifestações, apesar do muito barulho que geraram para a mídia foram inexpressivas em termos de público, eram gatos pingados e minguaram de vez a partir do 12 de junho, depois que a Copa começou. A partir dai, os atos do Não vai ter Copa (nome em que os jornalões andaram enfiando tudo que eram movimento de rua, até os reivindicatórios que não tinham nada a ver com o Mundial) viraram coisa de grupelhos de arruaceiros.
É ridículo e risível a dor de cotovelo das Organizações Globo, , do jornal em particular com este editorial. O mundial foi, realmente, a COPA foi a COPA. Sucesso total, sem nenhum incidente que mereça registro. Mas as mesmas Organizações Globo que fizeram tudo para ela não dar certo, chegando ao cúmulo de prever epidemias e aterrorizar os turistas com riscos de morte e enfermidades gravíssimas, agora querem se apossar da Copa já que quando elas falam que foi o povo – como disse o jornal neste editorial de ontem – querem dizer que foram elas, Organizações Globo, as responsáveis pelo sucesso do evento.
Editorial é ridículo e risível.
Basta ver a cobertura da Copa pela Rede de TV das Organizações. Ela tenta passar o tempo todo à opinião pública que, junto com a imprensa, se considera a única representante da opinião publica e do sentimento nacional. Tudo bobagem.
Estamos falando das Organizações Globo porque esse editorial do jornalão delas realmente beira as raias do cabotinismo. Mas é preciso comentar com vocês, leitores do blog, que acabou a Copa e até o fim o reconhecimento da mídia estrangeira, de que o evento foi um sucesso e tudo deu certo, é muito maior que o da mídia brasileira.
Esta parece até agora ter atravessado na garganta o êxito do evento, porque ficou sete anos apostando que não ia dar certo, numa campanha insidiosa e sem precedentes quanto à organização de um evento internacional dessa dimensão no Brasil.
Mídia estrangeira reconhece êxito; brasileira tem dificuldade.
Sem ir mais longe, sem nos estender mais, gostaríamos de convidar vocês a lerem dois artigos que ocuparam mais de meia página na Folha de S.Paulo ontem, escritos especialmente para o jornal, por um colunista do Financial Times (FT), de Londres, e pelo 1º correspondente de um jornal indiano que vive no Brasil, com altos elogios à organização do evento.
Simon Kuper, do FT – trabalha no jornal há 20 anos e é autor de vários livros sobre futebol – pauta seu artigo na linha de que “ao menos fora de campo, o Brasil ganhou a Copa” (titulo do texto dele no Folhão) e Shobhan Saxena, de certa forma ironiza o pânico disseminado pela mídia brasileira ao dizer que “quem veio (ao Brasil) temendo ser assaltado, vai voltar levando boas recordações”. Shobhan mora em são Paulo e cobriu a Copa para o “Times of Índia”, o “The Hindu” e a “BBC South Ásia”.
Leiam aqui Simon Kuper, em “Ao menos fora de Campo, Brasil ganhou a Copa” e Shobhan Saxena em “Quem veio temendo ser assaltado, vai voltar levando boas recordações”.
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Não é estatização o Governo, Congresso e Partidos debaterem mudanças no esporte.
Muito bom que todos os segmentos representativos do país – exceção da Rede Globo – tenham entrado no debate sobre as mudanças que se fazem necessárias e urgentes no nosso futebol. De alto abaixo, em tudo, da formação dos jogadores, à direção dos clubes, à CBF e, quem sabe, se consiga chegar com as mudanças, também até à FIFA.
Que o nosso futebol precisa de mudanças, e muitas, salta a vista. Elas estão já identificadas e são simples e objetivas. Basta criar condições políticas para realizá-las. E dependem sim do governo, do Congresso Nacional – portanto dos partidos na aprovação e nesse debate -, dos dos atletas e dos times, das próprias entidades como a CBF que, obviamente, resistirão como sempre às mudanças e reformas.
A essa altura, e já que vamos fazer uma reforma, não basta modernizar e profissionalizar o futebol, seu financiamento e a solução para as dívidas dos clubes. Não é uma questão fácil. A venda de jogadores para o exterior é outro problema difícil de equacionar, como também são a Lei do Passe, o esporte amador, as mudanças em cada time, seu controle e fiscalização, suas finanças, e as vendas de jogadores e dos patrocínios e por ai vamos.
Precisa discutir monopólios da Globo no futebol – e a emissora entrar no debate.
Aqui, na questão dos patrocínios, um dado a complicar, mas que temos de mudar e equacionar, é a venda do direito de arena e de transmissão hoje totalmente controlado pelas Organizações Globo que impõe até o horário dos jogos para não coincidir com as novelas da sua rede de TV.
Que fique claro, então, não ser possível fazer todas essas mudanças sem o governo e o Parlamento – apesar da chamada Bancada da Bola – sem uma ampla discussão publica que envolva principalmente os torcedores e não apenas os cartolas e os políticos e nem fique sob o controle e a patrulha da mídia, seja dos seus interesses comerciais seja da mídia especializada.
E que não fique sob controle, principalmente, dos interesses comerciais e dos patrocinadores. Tirar o governo e descredenciar o Congresso Nacional e os partidos é o caminho mais fácil para predominar os interesses da Rede Globo e dos patrocinadores, dos cartolas e dos grupos de interesse que, travestidos de dirigentes, jornalistas e comentaristas vivem da compra e venda de jogadores, de patrocínios e de transmissão dos jogos.
Quem está misturando futebol e política é a oposição.
A presidenta Dilma Rousseff já apresentou s primeiras – não as únicas, nem definitivas – sugestões do governo: que se siga o modelo alemão que depois de perder a Eurocopa em 2000 passou os últimos 14 anos investindo tudo em clubes, em jogadores de base, em mudanças da sua federação, reformando e, no caso deles, mudaram até a lei para que jogadores de base imigrantes estrangeiros tenham mais facilidade para se naturalizar e continuar jogando lá.
Não estão, entre as sugestões da presidenta – e ela já veio a público mais de uma vez esclarecer isto, bem como o ministro do Esporte, Aldo Rebelo - a estatização do esporte ou do futebol em particular. É apelação eleitoreira da oposição, e muito particularmente dos tucanos, que é quem mais tem batido nessa tecla, de que o governo pretende estatizar o futebol – o candidato a presidente da República pelo PSDB, senador Aécio Neves (MG), agora repete exaustivamente que o governo quer criar a Futebras.
Nada mais vexatório, nem apelativo, nem flagrantemente dissimulado porque em nenhum momento o governo propôs isto. Aliás, já que falamos nele, vale registrar: o senador-candidato ao Planalto é quem mais tem repetido a acusação de que o governo estaria usando politicamente a Copa, misturando futebol e política.
Foi desmascarado, ontem, pelo colunista Jânio de Freitas, na Folha de S.Paulo. Jânio lembrou que foi Aécio quem posou vestindo camisa da seleção e enviou as fotos que foram publicadas às redações. Isso enquanto a seleção ganhava em campo e ele não havia, ainda, recebido aquela vaia do público no Mineirão, no jogo Brasil-Alemanha. A partir dali recolheu-se e passou a acusar o governo de usar politicamente a Copa.
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Na Copa, o fim do mundo previsto pela mídia não chegou via aeroportos.
Vocês se lembra do fim do mundo previsto pela mídia e que chegaria ao Brasil pelos aeroportos, durante a Copa do Mundo? Que não ficariam prontos, não comportariam o volume de voos previsto para o evento, as filas seriam quilométricas, os passageiros não conseguiriam se deslocar, estavam sendo construídos puxadinhos…Nem Dante em seu inferno conseguiu ver algo tão dramático e apocalíptico. Seria o fim dos tempos. E para o Brasil,vergonha das vergonhas. Para o governo, então, o fim.
Desnecessário dizer que não aconteceu nada disso. Nada, absolutamente nada. Vocês acompanharam, viram o noticiário, nos jornais, na TV. Aeroportos e o tsunami ou terremoto, ou algo mais no gênero que a imprensa previu nem apareceu no noticiário. Sumiram. Pelo contrário, vale a pena ler o artigo que o ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República, Moreira Franco, publica hoje na Folha de S.Paulo sob o título “Muito além da Copa”.
Mostra o legado do evento na área dos nossos aeroportos. Em lugar da terra arrasada e das multidões de passageiros desalentadas, em desconforto, perdidas, errantes, 12 aeroportos em igual número de cidades-sede dos jogos reformados e/ou ampliados ficam, agora, de legado para os brasileiros.
Como dizem dois habituais críticos e céticos pré-evento, os jornalistas Valdo Cruz, hoje na Folha de S.Paulo, e Ricardo Noblat, em seu blog e em sua coluna em O Globo. Valdo Cruz constata: “Durante 32 dias, o Brasil encantou estrangeiros e brasileiros. Tudo funcionou bem melhor do que antes. Aeroportos, segurança, estádios, recepção, tudo num ritmo que não deixou nada a desejar”. Noblat, no blog e em o Globo, proclama: o Brasil não ganhou no campo, mas a presidenta Dilma Rousseff se orgulha com razão de ter ganhado a Copa fora dos campos. “Tudo funcionou a contento”, conclui.
Vejam, aqui, “Muito além da Copa”, o artigo de Moreira Franco.
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TERRAS ALTAS DA MANTIQUEIRA = ALAGOA - AIURUOCA - DELFIM MOREIRA - ITAMONTE - ITANHANDU - MARMELÓPOLIS - PASSA QUATRO - POUSO ALTO - SÃO SEBASTIÃO DO RIO VERDE - VIRGÍNIA.
terça-feira, 15 de julho de 2014
“Não levamos a taça, mas fizemos a Copa das Copas”, diz Dilma à seleção.
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