quarta-feira, 23 de julho de 2014

Podemos, sim, ganhar as eleições em São Paulo.






Tem razão o governador tucano Geraldo Alckmin quando, em conversas reservadas com seu pessoal e aliados, não considera tranquila nem definida a situação de sua reeleição em São Paulo. Mesmo com os 54% das intenções de voto que lhe foram atribuídos pela última pesquisa Datafolha (da semana passada), o governador pede cautela.
Em suas análises manifesta o receio de que o candidato do PMDB a governador, o presidente licenciado da FIESP, Paulo Skaf provoque um 2º turno e não necessariamente com o próprio Skaf classificado na outra etapa da disputa, mas tirando votos que migrem para o candidato petista Alexandre Padilha, dando-lhe  os tradicionais 30 e poucos por cento que o PT sempre tem em São Paulo.
Na “batalha de São Paulo”, como chamou no fim de semana o analista político Gaudêncio Torquato, tem razão o governador, Gaudêncio e todos os analistas que dizem todos os dias que também a eleição nacional mais uma vez vai se decidir em São Paulo. Não é à toa que os candidatos ao Planalto, até os que não moram aqui como o tucano Aécio Neves (mora no Rio), ou se mudaram para cá (como Eduardo Campos) estão praticamente todos os dias em campanha aqui.
“A batalha de São Paulo”
Apesar do que dizem as pesquisas sobre o momentâneo favoritismo do Alckmin – e dos números que elas dão sobre a disputa presidencial – é cedo demais para dar a eleição ganha para um lado ou para outro. Particularmente para Alckmin e no 1º turno. A campanha eleitoral, a propaganda no rádio e TV ainda nem começou e tudo indica que também no Estado de São Paulo haverá 2º turno.
Nas três ultimas eleições majoritárias estaduais (2010, 2006 e 2002) o PT obteve 32% de votos. Se Paulo Skaf e os outros candidatos a governador conseguirem 18% dos votos – o que não e impossível – vamos ter uma disputa dura no 2º turno. Claro, não se trata de um passe de mágica e, pronto, Alckmin cai.
Mas ele tem pela frente a descoberta pela população de que ela enfrenta a falta e um racionamento de água, à noite,  desde maio (em alguns bairros da Grande São Paulo, desde janeiro e o dia todo, em dias alternados num sistema de rodízio); os índices de criminalidade que crescem em números devastadores há pelo menos 12 meses seguidos – quer dizer um apagão na segurança pública; apagão também na educação, na saúde, nos transportes públicos…enfim, o conjunto da obra do tucanato nesses 20 anos que eles estão no poder em São Paulo.
O governador nega tudo isto. Pelo silêncio.
Tudo isso o governador nega ou escamoteia pelo silêncio. Mas a população vai saber e se conscientizar nos dois meses de campanha eleitoral. Apesar do voto conservador ser alto em São Paulo, já ganhamos três vezes a prefeitura da Capital nesses últimos 30 anos e as principais cidades do Estado já foram governadas pelo PT.
Para ganhar de novo tem que ter os pés no chão, tentar superar, reconhecer que há rejeição hoje ao PT, má avaliação dos governos Dilma e Haddad na cidade, parte pela rejeição ao próprio partido e ao ex-presidente Lula, ao que representamos como esquerda socialista e de luta, a nossa história e propostas sociais e políticas, parte pela força da mídia que aqui é potencializada pela concentração do noticiário.
Não é fácil, realmente, ganhar eleições na capital e no Estado. Mas vejam, além dos três prefeitos que já elegemos na capital – Fernando Haddad, Marta Suplicy e Luiza Erundina – dos prefeitos nas grandes, médias e pequenas cidades, temos dois dos três senadores (Eduardo e Marta Suplicy) e elegemos sempre as maiores bancadas de deputados estaduais, federais e de vereadores.
Podemos, sim, ganhar as eleições em São Paulo.
Aos que desanimam, ou até se desesperam com números de pesquisas, convém lembrar mais uma vez que o PT é partido de chegada e que não eram muito diferentes os índices de seus candidatos, à essa altura da disputa, em eleições anteriores em São Paulo. Isso só demonstra que  podemos, sim, vencer as eleições deste ano – a nacional e as estaduais.
Não há porque entrar em pânico ou desespero. Em vez de  ficar centrado nas pesquisas, devemos ir à luta, criar fatos políticos, fazer a disputa política, expor ao máximo o balanço do tucanato, a herança maldita de seus oito anos em contraposição às realizações dos 12 anos de nossos governos. ganhamos, sim, se formos para a a rua, para o embate eleitoral e político.


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O candidato Aécio e seu aeroporto privado feito com dinheiro público.



Procedimento correto este adotado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) de investigar os voos no aeroporto da fazenda de um tio-avô do candidato tucano ao Planalto, senador Aécio Neves (PSDB-MG), em Cláudio (MG). E os tucanos ainda têm a coragem de dizer que o governo usa a máquina oficial para perseguir seu candidato? Mas qual é mesmo o papel da ANAC, se não esse tipo de fiscalização?
E a ANAC deu todas as explicações sobre a sua iniciativa. Como o aeroporto ainda não está homologado, não poderia ter sido colocado em uso. E foi pelos usuários que pediram e obtiveram “a chave” do aeroporto do tio do senador-candidato a presidente, único que tem a tal chave desde que o aeroporto ficou pronto em 2010.
A Agência informou que não há autorização para movimentação no aeroporto, construído por R$ 14 milhões, dinheiro do Tesouro de Minas, quando Aécio cumpria seu último mandato de governador do Estado (2007-2010),  em área desapropriada pelo governo do Estado. E informações entre as mais recentes sobre o caso dão conta de que a empreiteira que construiu a obra contribuiu para as campanhas eleitorais de Aécio Neves e de seu sucessor no Palácio da Liberdade, governador agora candidato a senador, Antônio Anastasia.
Aeroporto escancarou a fraude que é o administrador Aécio.
O fato é que o aeroporto privado construído com dinheiro público na fazenda da família do senador escancarou a fraude que é o administrador Aécio Neves, e o quanto e a mídia e responsável por esta sua falsa imagem, seja de excelente administrador, seja como político.
Vai ver que se a folha de S.Paulo não tivesse descoberto este escândalo do aeroporto privado feito com dinheiro público por Aécio, daqui a pouco a obra seria apresentada como mais uma do seu “choque de gestão”, essa outra fraude que ele e os tucanos apresentam como exemplo de gestão do PSDB e que, no fundo, não passa de demissão de funcionário público, corte de investimentos, sucateamento da máquina pública, busca do tal Estado mínimo que eles tanto defendem.
Não sabemos se pelo fato de o senador sempre ter vivido no Rio e não em Minas, seu dois governos (2003-2010) à frente do Estado não ostenta nenhuma grande realização. O Centro Administrativo que construiu em substituição à sede do Executivo mineiro (Palácio da Liberdade) e a que deu o nome do avô, Tancredo Neves, nunca foi realmente investigado.
Nada em nenhuma área em Minas destaca os governos Aécio no Estado.
Não há nada na Saúde, ou mesmo na Educação – apesar da propaganda – que destaque um ou os seus dois governos. aliás, falando sobre saúde, para saber como está a área em Minas, passem as primeiras horas da manhã nas imediações de grandes hospitais da capital paulista, como a Santa Casa e a Beneficência Portuguesa. Ficam congestionados de ambulâncias que levam pacientes de Minas para tratamento em São Paulo.
Tampouco há destaque de um ou de seus dois governos na área de infraestrutura no Estado das Geraes. A atuação da Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), então, é um mistério. E não é só por aquela desonestidade recente, não, de ter pleiteado um reajuste maior na tarifa de energia, esconder este fato, ter recebido autorização para um reajuste menor e depois alardear em anúncios em Minas que o aumento da conta de luz era decisão do governo federal.
Há necessidade de começar a apurar tudo isso, denunciar, mostrar à opinião pública, ao eleitor. O senador em entrevistas ergue um muro, se recusa a responder sobre estas coisas e sobre outras pessoais. Não pode, nem resolve. Ele precisa responder sobre seus atos. E a mídia tem de começar a fazer uma cronologia de como ela própria o favoreceu e escondeu seus erros no governo e em sua vida política e pessoal para criar essa imagem que agora o marketing da campanha, com apoio da mídia, começa a desenhar e a reforçar.

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