sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Sonhei que há prova de que Veja cooptou o doleiro.



Vou reproduzir um “sonho” que tive poucos minutos antes de começar a escrever – um sonho em estado de vigília, diga-se.
No início da semana passada, a derrocada de Aécio Neves era visível. Dilma vinha ganhando terreno e já se falava em vitória sobre o tucano com margem maior do que a que ela teve sobre José Serra em 2010.
Em uma revista hipotética, numa certa marginal, o clima beirava o desespero. Eis que um membro imaginário de uma imaginária banda tucana da Polícia Federal bate em uma porta da marginal – não da revista, mas da via pública em que ela está sediada.
O delegado imaginário apresenta uma proposta imaginária para um chefão imaginário da publicação imaginária: haveria um jeito de reverter a escalada eleitoral de Dilma rumo à reeleição.
E o sonho prossegue: o delegado imaginário foi lá convencer o tal chefão de que “um dos advogados” de Alberto Youssef propunha convencer seu cliente a acusar a primeira mandatária da Nação de, ao lado de seu padrinho político, ter orquestrado um esquema de corrupção na Petrobrás.
O golpe de Veja não funcionou e Dilma se reelegeu. Mas, no meu sonho, investigação de uma imaginária banda não-tucana da PF teria conseguido gravação em que a banda tucana ofereceu “redenção” ao doleiro, caso Aécio fosse eleito.
A vitória de Aécio teria um efeito benfazejo na vida do doleiro. Com toda grande mídia do seu lado, Youssef se tornaria um herói como Roberto Jefferson, delator do mensalão. Afirmaria em juízo tudo que a Veja disse e o domínio do fato se encarregaria do resto.
O “resto” seria, após a vitória de Aécio, mídia, MP e Judiciário extirparem os “petralhas” Dilma e Lula da vida pública. Tornando-os fichas-sujas, estaria eliminado o “risco” de um deles voltar em 2018.
Quem enfrentaria tal poder, os 70 deputados federais do PT?
Quanto ao doleiro, após o serviço concluído se exilaria em algum pequeno e distante país e nunca mais se ouviria falar dele.
Mas o meu sonho teve final feliz. Por via das dúvidas, a proposta a Youssef foi gravada por “um dos advogados” dele.
Apesar de a gravação não valer como prova, tornaria inexorável a investigação do caso. E com o poder tendo permanecido nas “mãos erradas” do PT, o doleiro, agora, estaria disposto a contar mais sobre o meu sonho à banda não-tucana da PF.
Mas foi só um sonho… Ou será que não foi?


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Pedido tucano de recontagem de votos ¨venezueliza ¨a política Brasileira.


Se tivesse que definir com uma palavra o pedido que o PSDB acaba de fazer para que sejam recontados os votos da eleição presidencial, essa palavra seria “previsível”. Este blogueiro tinha certeza de que isso ocorreria e irá provar. Antes, porém, revejamos certos fatos.
Para quem não sabe, na última quinta-feira os portais de internet foram tomados pela notícia de que o PSDB pedira a recontagem dos votos de Dilma Rousseff e Aécio Neves devido a um “Quadro de desconfiança por parte considerável da população brasileira”.
Que quadro é esse? Dias antes da eleição presidencial de 2014 em 2º turno, o Blog do Esmael Morais veiculou denúncia do deputado Protógenes Queiróz sobre “suspeita de fraude nas urnas eletrônicas”.


Nos dias seguintes, uma infinidade de blogs – aqui e aqui, por exemplo – repercutiu a denúncia. Era inevitável e os blogs e militantes em redes sociais que manifestaram preocupação agiram movidos pelo mais alto espírito público.
Porém, a denúncia de Protógenes era um tiro no pé. Por conta dela, daquele momento em diante a blogosfera e as redes sociais foram tomadas por centenas e centenas de leitores e militantes petistas preocupados com a lisura do pleito que se avizinhava. Eles trataram de difundir a teoria.
Lá pela centésima vez que um leitor manifestou preocupação com as urnas eletrônicas nesta página ou no perfil de seu autor nas redes sociais, postei mensagem no Twitter alertando que aquela preocupação era exagerada e até descabida e pedi que aquilo parasse porque tinha certeza de que o PSDB faria o que fez.


O mais engraçado é que quem lê este Blog ou me acompanha no Twitter ou no Facebook sabe que desde o começo do processo eleitoral eu dizia que a disputa entre Dilma e Aécio seria “apertada” e em um clima de radicalização muito parecido com o da eleição de Nicolás Maduro em abril do ano passado, na Venezuela.
Os fatos acabaram por me dar razão. O clima de radicalização entre “petistas” e “tucanos” dispensa maiores comentários. Todos sabem que a situação descambou para a violência. Um cadeirante chegou a ser agredido por 4 eleitores do PSDB por ostentar no peito uma estrela do PT. Os relatos de brigas entre petistas e tucanos são fartos.
A recente eleição presidencial no Brasil terminou apertada como a da Venezuela em abril do ano passado, na qual Nicolás Maduro venceu Henrique Capriles. E agora, tal qual na Venezuela, a oposição tenta pôr sob suspeição o processo eleitoral com o objetivo claro, cristalino mesmo de deslegitimar a vitória incontestável de Dilma, por mais de 3 milhões de votos de diferença.


O quadro de radicalização é tão semelhante ao da Venezuela que na emissora a cabo Globo News, entre outras, enquanto as urnas nem bem tinham acabado de ser apuradas os comentaristas Merval Pereira, Renata Lo Prete, Cristiana Lobo e Gerson Camarotti já falavam em “impeachment” de Dilma devido às denúncias sem provas veiculadas pela revista Veja contra a presidente.
Cinco dias após o pleito, o Palácio do Planalto amanhece com duas faixas estendidas na frente, consoantes com a pregação dos autômatos da família Marinho.


Como já disse acima, é tudo tão previsível que chegaria a dar sono se o processo que está sendo desencadeado não fosse uma ameaça à democracia, sobretudo por estar sendo conduzido por veículos de comunicação que, há 50 anos, atiraram este país em uma ditadura de duas décadas.

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