segunda-feira, 13 de junho de 2016

Um mês sob Temer, o mal amado.

Uma desgraça, mais que um presidente interino
Uma desgraça, mais que um presidente interino. 


Churchill foi um frasista insuperável.
Certa vez, ao se referir ao líder trabalhista Clement Attle, que o derrotara nas primeiras eleições pós-guerra, Churchill disse: “Um táxi chegou vazio à Downing St [sede do governo] e dele desceu o Attle.”
A frase vale para Michel Temer, que acaba de completar um mês como presidente interino. Temer, ao entrar no Planalto, representava o vazio.
As comparações param aí. Pois Attle foi um gigante: ele construiu o estado de bem estar social britânico. É dele, por exemplo, o NHS, o fabuloso sistema de saúde pública local. Nem Thatcher conseguiu desfazer a obra de Attle em favor dos menos favorecidos no Reino Unido.
Quanto a Temer, ele vem tentando destruir o pouco de proteção social que o Estado brasileiro oferece aos desfavorecidos. É o oposto de Attle.
Colocou nas principais posições econômicas gente que quer implantar um tardio thatcherismo no Brasil. É incrível. Os próprios conservadores britânicos rejeitaram o thatcherismo, que serviu apenas para ampliar exponenciamente a desigualdade social na Inglaterra.
Há um agravante em Temer. Ele não teve votos para subverter a política econômica em curso. O programa escolhido por 54 milhões de homens foi outro.
Isto é um crime. Temer vem se comportando como se fosse não um interino, mas um presidente sagrado pelas urnas. Esta ousadia indecente o faz ainda menor do que já é.
Temer era ignorado até trair Dilma. Em um mês, tornou-se o homem mais odiado do Brasil. É Temer, o mal amado.
O início de qualquer governante registra altos índices de aprovação, que vão baixando à medida que os dias correm. Temer desceu ao abismo numa velocidade inédita. Como mostrou uma pesquisa da CNT, ele chafurda em 11% de apoio — mesmo com a Globo ajudando-o como pode.
Prometeu um ministério de notáveis, e entregou uma malta de enjauláveis. Falou em salvação nacional, e não foi capaz de salvar sequer a si próprio.
Não é um presidente; é uma desgraça.
Cada dia que passa com ele no Planalto é um dia a mais de suplício para a nação.
Há uma condição básica e essencial para a recuperação política, econômica e moral do Brasil: que Michel Temer, o mal amado, seja enxotado.
*
***
***
***

O governo Temer completa um mês deixando claro quem manda: a Globo. 


João Roberto Marinho, Michel Temer e um popular
João Roberto Marinho, Michel Temer e um popular.


Quem contou a história foi o senador Roberto Requião.
Durante o primeiro mandato de Lula, Requião, então governador, falava com o presidente sobre o que havia feito na comunicação do Paraná, investindo na TV educativa.
Lula recomendou-lhe a José Dirceu. A certa altura, quando repetia a conversa a Dirceu, o ministro da Casa Civil o interrompeu: “Mas nós já temos uma televisão: a Globo”.
Esse é provavelmente um dos maiores erros de cálculo político recentes. A falta de noção, um certo republicanismo, mais a covardia, fizeram com que os governos petistas desovassem 6,2 bilhões de reais de publicidade na emissora. Fora o que não sabemos. Deu no que deu.
Essa conta vai aumentar na gestão Temer. Com um mês de vida, já se nota um upgrade na relação entre a Globo e o governo de plantão: ela não é apenas a emissora oficial, mas a dona inconteste da lojinha. Big Brother saiu de vez do armário.
O último episódio é a “notícia” de que Temer quer acabar com a EBC. Quem deu o furo foi o porta voz informal da atual vilegiatura, o repórter do Globo Jorge Bastos Moreno (o mesmo para quem Temer vazou sua carta).
Segundo Moreno, Temer encomendou um estudo sobre o encerramento das atividades. A gota d’água foi a entrevista de Dilma com Luís Nassif, autorizada por Ricardo Mello, reconduzido à presidência por Toffoli, do STF.
Antes disso, um editorial do Globo detonava o “caso exemplar de aparelhamento” da EBC. Ato contínuo, o ministro Geddel Vieira Lima, um troglodita semi-analfabeto que se dedica a xingar a mãe de incautos no Twitter, escreveu na rede social: “Acabar com a EBC, (sic) é estabelecer um diferencial (sic) Somo (sic) contra o aparelhamento,o uso do Estado para auto promoção”.
(Contra TV Cultura de São Paulo, claro, nunca houve uma palavra).
Dois ministros caíram após editoriais com ordens expressas. Primeiro foi Romero Jucá. Depois, Fabiano Silveira, da Transparência, flagrado numa reunião com Renan Calheiros e Sergio Machado criticando a Lava Jato e orientando os advogados de ambos.
“O presidente interino, Michel Temer, precisa aplicar a mesma regra que valeu para Romero Jucá”, dizia o texto do Globo sobre Silveira. Pronto.
Os jornalistas da casa se dedicam a defender o indefensável, com vexames inéditos no jornalismo mundial. Num inglês eventualmente claudicante, paus mandados compraram briga com correspondentes internacionais.
O destaque da turma, até agora, é Guilherme Fiúza, autor de uma excrescência acusando o New York Times de ser vendido para o PT.
No início deste mês, Temer anunciou, num pronunciamento no Planalto, que a Aeronáutica passaria a ter permanentemente à disposição um jato da FAB para o transporte de órgãos e tecidos para transplantes.
Também estava cumprindo o que lhe mandaram. Citou uma reportagem do Globo sobre esse drama que aflige equipes médicas pelo Brasil. Sua primeira entrevista no cargo que usurpou, uma palhaçada pseudo espontânea em que mentiu sobre o trabalho de sua mulher como advogada, foi ao Fantástico.
O que a Globo não contava é que Michel — Michel — fosse tão fraco e incompetente. Os outros tinham, em maior ou menor grau, alguma dignidade. Michel — Michel — montou uma equipe de gângsteres, o mercado não reage, a luta pela narrativa do impeachment no exterior foi perdida e ele, em si, é uma figura constrangedora.
O primeiro mês da temporada golpista é um vale de lágrimas tragicômico. Mas deixou mais evidente do que nunca quem é que dá as cartas, de fato, no poder. E não é o anão sem pescoço dado a abusar de mesóclises. Esse continua decorativo.

*
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-governo-temer-co…/

***
***
***

“Quanto mais batem em mim, mais eu sou candidato”: Lula no “Fora Temer”. Por Zambarda


Lula na Paulista no ato "Fora Temer"
Lula na Paulista no ato “Fora Temer”

“Eu devo dizer a vocês que quanto mais a mídia bate em mim, mais eu posso ser candidato a presidente. Todo dia tem notícia que eu estou rico, que eu sou ladrão. Só gostaria que essas pessoas tivessem o mesmo respeito que eu tenho por elas. Gostaria que respeitassem minha família”, disse Lula no protesto contra Temer na Avenida Paulista na sexta (10).
Quando o ex-presidente tocou no assunto de sua candidatura, falando mais pausadamente, o público entrou em êxtase e gritou com força. Muitos berravam “volta, Lula”. Aquele discurso foi o segundo dele na Paulista depois de 14 anos da sua posse como presidente da República, em 2003, quando também falou com a avenida.
Lula subiu diante do povo às 19hrs. O protesto havia começado às 17hrs.
Além de lançar sua possível candidatura e criticar a mídia, Luiz Inácio Lula da Silva não poupou Sergio Moro e as autoridades de Curitiba. “Não há nada mais nocivo que uma aliança entre a imprensa e os promotores do Ministério Público”, frisou.
Lula voltou a apontar que Michel Temer não age como presidente interino. Ele não vê solução para o país cortando ministérios e acha que, se fosse para cortar cargos no governo, deveria na Fazenda, no Planejamento, e não em outras pastas que representam menos gastos.
O ex-presidente realçou que os movimentos sociais fortes na rua atualmente são dos negros, das mulheres e dos LGBTs. Justamente as minorias que não são representadas nos ministérios de Temer.
Ao falar de Michel Temer, Luiz Inácio Lula da Silva fez uma comparação entre o interino e Fidel Castro. Ele disse que Temer agiu como o líder cubano quando marchou até Havana em 1959. “Mas Castro fez uma revolução, o que ele fez foi um golpe de Estado”.
Lula diz que essa mentalidade reacionária vem do período da ditadura militar. Afirmou que em 1964 ouviu sobre a “caça aos comunistas” e que não tinha entendido o que aquilo representava. Com a retomada democrática, ele acredita que as políticas voltadas aos mais pobres são mais eficientes. E completou sua fala afirmando que os “coxinhas” estão “envergonhados com o presidente Temer”.
O ex-presidente também discursou duramente contra José Serra, atual ministro de Relações Exteriores de Michel Temer e seu antigo rival nas eleições. Chamou o chanceler de “vira-lata” por exaltar as relações com os Estados Unidos e por diminuir as políticas diplomáticas de seu governo com países sul-americanos.
Aquele discurso na Avenida Paulista foi uma reflexão dele sobre o golpe e o papel da esquerda nas ruas e nas urnas nos próximos dias.
Acabada a fala de Lula, a Paulista já somava 100 mil pessoas no protesto que pedia a queda do governo Temer. A avenida fechou com tanta gente. A estimativa era dos organizadores, enquanto a Polícia Militar não divulgou números.
Na mesma noite de sexta-feira, o procurador Rodrigo Janot enviou um parecer pedindo que o STF mande ao juiz Sergio Moro a denúncia contra o ex-presidente Lula. No documento, ele teria atuado para evitar a delação do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, na Operação Lava Jato.
A decisão do caso está nas mãos do juiz Teori Zavascki, relator do processo. Se Dilma não cair no processo de impeachment e convocar eleições gerais, Lula realmente pode se lançar como candidato.
Porque o tiroteio na grande mídia contra ele não dá sinais que vai parar.

Nenhum comentário: