domingo, 18 de dezembro de 2011

A aprovação ao governo Dilma


Causaria perplexidade a qualquer estrangeiro que tendo acompanhado a balbúrdia das denúncias envolvendo demissões de ministros no governo federal viesse tomar conhecimento dos números da pesquisa CNI-IBOPE sobre a aceitação do governo e o prestígio da presidente da República.

Os percentuais são os mais altos já registrados por um presidente eleito em primeiro ano de governo, coisa da ordem de 65% na média entre os dois números. Do fato surgem perguntas inevitáveis que a oposição ao governo instalado em janeiro de 2011 deve estar se fazendo nesse momento.

Teria sido o a força emprestada pelo carisma de Lula, quem sabe sua doença? Teriam sido os resultados benfazejos da economia ditados pela sorte? Ou seria a causa de tudo uma maioria compressora no congresso que torna a voz da oposição radinho com pilhas fracas na multidão?

Embora todos os fatores possam ter dado alguma contribuição as achados da pesquisa a explicação mais plausível é também a mais prosaica. Incompetência da oposição. Aliás, incompetência que tem sido alvo constante da mídia em razão da oposição que não sabe ou não pode fazer.

A incompetência não decorre, no entanto, de um não saber fazer da oposição, mas sim de uma impossibilidade ideológica que a faz refém de sua própria história. 

Tendo se encantando com a capacidade ordenadora dos mercados, a socialdemocracia – que tinha tudo para inaugurar um novo ciclo de poder duradouro no país (os 20 anos de que falou o alter-ego de FHC Sérgio Mota) – deixou  de fazer o que as forças vivas da sociedade dela esperava : a superação do níveis inaceitáveis de miséria, o estabelecimento de uma política de desenvolvimento nacional e o reposicionamento do País no concerto das nações.

Não podia levar adiante esse projeto porque comprometida com os interesses das grandes corporações internacionais que lhe ditavam o programa de ações no sentido da abertura sempre crescente e sem critérios do mercado nacional. Comandado por gente ligada ao capital financeiro,  o governo dito socialdemocrata permitiu que a confiança cega nos mercados levasse à inação em que encontraram o País as duas ou três crises internacionais ocorridas no período.

E por que o comprometimento com interesses alienígenas? Porque sua base social não era a dos pardos e negros que compõem o substancial da população brasileira. Ali todo mundo falava corretamente o inglês antes de se preocupar com o português das ruas, língua condenável porque não associada ao scotch whisky e à grifes de moda. O pouco que fizeram foi a título de benemerência, sob a coordenação de Ruth Cardoso enquanto o marido fornicava em Lisboa.

Agora se sabe o porquê dos tucanos nunca defenderam o governo Fernando Henrique nas campanhas eleitorais que sucederam o fim de seu melancólico governo. Sabiam que não teriam o que dizer ao povão que o ex-presidente fez pouco caso em um dos seus mais recentes pronunciamentos midiáticos. Que a verdade era aquela que viria ser divulgada pelo jornalista Amaury Ribeiro no livro Privataria Tucana: um governo de predadores, que descrêem do país e da sua gente.

BRASIL QUE VAI.

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