terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Diplomacia à deriva?

Diplomacia à deriva?


O texto aeciano desta segunda-feira, dia 24/02, versa sobre a diplomacia brasileira nos tempos de Lula e de Dilma. Para o autor, o Brasil está à deriva nesse terreno. Seu exemplo são as manifestações da direita na Venezuela que mobilizam setores sociais criticando o desabastecimento interno. E o fato de o Brasil não valorizar o fantoche dos EUA, Leopoldo López, é o que indigna o presidenciável do PSDB.

Como se sabe, a coluna assinada pelo senador tucano, no jornal Folha de São Paulo é um instrumento para mandar recados: ele a usa visando seu credenciamento frente à direita internacional, como alternativa ao PT e à candidatura de Dilma Rousseff. Seja para financiamento de sua campanha, seja para “programas” de desestabilização de governos constitucionalmente eleitos, como no caso de Honduras, Paraguai, Venezuela e agora na Ucrânia.

Ou seja, Aécio Neves está disponível para qualquer negócio: e o principal dele é ser ungido por transnacionais e governos de países ricos, na perspectiva de “completar” o serviço que FHC não conseguiu, com a privatização da CEF e do BB, “vender” rodovias, monetizar guarda de presos, retirar direitos trabalhistas e, quem sabe, rifar o ar que se respira. Se isso tudo vier pelo voto do eleitor, ótimo. Mas, se ocorrer por uma variante dos chamados “golpes constitucionais”, ele também está disponível.

Voltando agora ao problema de seu entendimento sobre a diplomacia. A pergunta que ajuda a resolver, honestamente, a questão é a seguinte: o que há de diferente e de semelhante entre as diplomacias dos tempos de FHC e os de Lula/Dilma?

De semelhante, temos a base “doutrinária” do Itamarati. Por cem anos se formou ali uma máquina intelectual e burocrática de altíssimo nível, que se autonomizou relativamente aos governos. Há uma tímida hegemonia nacionalista, porém com corte pragmático. Seja perante FHC, seja nos governos Lula e Dilma, esta base doutrinária se manteve.

De diferente, temos o “ativismo diplomático presidencial” de cada um deles. FHC implementou as diretrizes do “Consenso de Washington”: privatizou desavergonhadamente, abriu as fronteiras comerciais do país (de forma irresponsável) e reduziu a escalada inflacionária, ao custo de um crescimento brutal do endividamento interno. Lula e Dilma investiram na agenda “sul/sul” (América Latina, África e Brics) e em limitadas, porém importantes demarcações com a hegemonia neoliberal no mundo.

Duas imagens representam isso muito bem.

A primeira mostra FHC numa foto de presidentes, colocado logo abaixo de Clinton, que lhe põe as duas mãos nos ombros. Isso depois de ter-lhe passo um pito numa reunião formal.

A outra, é a de Lula sendo referenciado e reverenciado por Obama, na famosa frase: “Este é o Cara”. E Dilma completa a outra imagem de nossa diplomacia, com sua firme reação à espionagem dos EUA no país e no mundo.

Nesse sentido, não há deriva alguma. Há escolhas. A de Aécio Neves é se submeter, em escala muito mais servil que a de FHC, aos ditames da diplomacia das canhoneiras das grandes potências. A de Dilma é reposicionar o Brasil no mapa mundial, como protagonista e não coadjuvante.

Definitivo: o presidenciável tucano não é um bom timoneiro.

Artigo de Aécio: 

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