| Andrea Haas. Foto de Mario Camara, da Folha Press.
A prisão de Pizzolato e o início de seu processo na Itália acelerou as rodas da história. O jogo do mensalão, até agora vencido de goleada pela mídia, terá uma prorrogação. E a imprensa brasileira poderá vivenciar um dos maiores vexames internacionais da atualidade. A sua parcialidade gritante no julgamento do mensalão será exposta sem dó para o mundo inteiro.
Em audiência na Justiça italiana, Henrique Pizzolato denunciou ser vítima de um processo político. Seu advogado deu uma coletiva à imprensa onde falou abertamente sobre seu cliente. Publico abaixo o texto publicado no Estadão, que é igual ao de outros jornais.
Seu advogado revelou que Pizzolato está muito sereno e confiante na Justiça italiana.
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Qual foi o resultado da audiência?
Pizzolato vai permanecer na penitenciária de Módena até que eventualmente se modifique a medida cautelar ou terá de esperar a medida da extradição.
Porque o tribunal negou o pedido de liberdade provisória?
Não sei. Foi publicado um procedimento com uma motivação muito dura. Provavelmente pelo perigo de fuga. Não falamos de extradição. Ele apenas negou que aceitaria a extradição. Eu pedi que não fosse aplicada nenhuma medida cautelar ou que, se tivesse de ser aplicada, que fosse prisão domiciliar.
Pizzolato se pronunciou?
Sim, Pizzolato falou. Explicou as razões pelas quais ele veio do Brasil e que, segundo ele, o processo não foi administrado de uma forma correta e que era um processo político. E disse que não cometeu o que foi dito que ele cometeu. Ele disse que se trata de um processo político, mas vocês tem que entender que a natureza de um ato político é um conceito jurídico complexo. A primeira coisa que disse é que não quer ser extraditado.
Ele explicou os documentos falsos?
Ele não explicou nada disso porque não tem relação com a jurisdição italiana.
O que ocorre agora?
O Ministério da Justiça brasileiro tem que transmitir ao Ministério da Justiça da Itália uma série de atos que justifiquem um pedido de extradição. Tem um prazo e 40 dias que precisa ser respeitado e ao final do qual terá uma audiência na Corte de Apelação quando se decidira se o pedido de extradição pode ser pelo menos aceito.
Ele fica na prisão até a chegada dos documentos?
Não necessariamente. Ele vai permanecer até que o juiz julgue suficiente a medida cautelar. Ele pode até sair antes. Pode ser que haja uma mudança na medida cautelar. Pode ser que a medida cautelar seja substituída.
E o que o sr. vai fazer para mudar isso?
Não sei. Temos que refletir um pouco. O pedido de extradição ainda não chegou.
O que o juiz falou para justificar?
Justificou dizendo que há o perigo de fuga e portanto ele pensa que seja adequada permanecer na prisão.
O sr. falou sozinho com Pizzolato?
Certamente. Ele está muito sereno, muito tranquilo e tem muita confiança na Justiça italiana.
Quanto tempo acha que ele vai ficar na prisão?
Não sei. Pode ficar um mês, dois meses ou seis meses.
Ele poderia sair em uma semana?
Dificilmente.
Porque se pode mudar uma medida cautelar?
Porque o juiz tem que validar o argumento de medida cautelar. E com o decorrer do tempo, ou com a aparecimento de nova situação, ele pode mudar. Se num dado momento é necessária a custódia na prisão, passado um certo tempo e à luz, quem sabe, de novos elementos, que sejam apresentados ao juiz, pode provocar uma mudança na exigência de medida cautelar.
A juíza explicou porque ela pensa que há motivo de fuga?
Não especificou, mas ficou bem claro no discurso da juíza que ele fugiu do Brasil e ele tinha um documento falso. A razão foi essencialmente essa.
Os documentos falsos tiveram uma influência?
Talvez não tenha sido decisivo, mas teve uma influência.
Quais são os próximos passos?
Agora vamos avaliar e ver se conseguiremos alterar ou ter a substituição da medida cautelar. É prematuro dizer agora (o que vamos fazer). Precisamos pensar um pouco.
Como está Pizzolato?
Ele esta muito tranquilo em relação à situação do cárcere. Não está em isolamento nem tem medidas punitivas. Ele é um prisioneiro comum. Ele está absolutamente tranquilo. Sereno, lúcido e respondeu detalhadamente todas as perguntas que foram feitas.
Ele estará sozinho numa cela?
Não.
Com quantas pessoas?
Talvez com duas ou três. Não são celas individuais. Com a situação das prisões na Itália é difícil ter uma cela para uma pessoa.
E as visitas da família?
Penso que sejam de seis a oito visitas por mês.
A esposa de Pizzolato falará com a imprensa?
Ela tem a intenção de conceder entrevista à imprensa italiana: aos italianos, sim. Aos jornalistas brasileiros ela não tem nenhuma intenção de falar. O motivo é que ela não está contente com o que escreveu a imprensa brasileira no curso do processo. É uma escolha dela. Ela me disse apenas: “eu com a imprensa brasileira não tenho intenção de dar nenhuma declaração.”
O sr. tem ideia da estratégia de defesa?
Não, é muito cedo. Temos que pelo menos esperar que o Brasil envie um ato porque não mandou nada até agora. Temos somente o mandado de prisão internacional.
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É interessante observar como os portais brasileiros reagiram à última notícia sobre Pizzolato. UOL e Estadão deram destaque às declarações de Pizzolato de que está sofrendo um “processo político”. O Globo, não, preferiu se ater à estimativa mais pessmista do advogado, de que ele pode ficar até seis meses preso, na Itália. Na verdade, seu advogado disse que ele pode ficar 1, 2 ou 6 meses, ou até mesmo uma semana.
A esposa de Pizzolato, Andrea Haas, já declarou aos repórteres brasileiros de que só dará entrevistas à imprensa italiana, e ainda tascou: “inventem o que quiserem, vocês sempre fazem isso”.
Haas vai dar trabalho. Nesses últimos oito anos, ela se tornou uma das maiores conhecedoras do processo contra seu marido. Se a imprensa italiana se interessar pelo seu caso, eu tenho pena da mídia brasileira. Quer dizer, tenho não.
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Esposa de pizzolato dá entrevista a Paulo Moreira Leite
Andrea Haas, esposa de Henrique Pizzolato, declarou a uma repórter da Folha que não dará entrevista à imprensa brasileira. Pois bem, ela abriu uma exceção honrosa: o jornalista Paulo Moreira.
“Ninguém queria deixar o Brasil. Mas era preciso achar uma saída”
Mulher de Henrique Pizzolato recebe ISTOÉ em Modena, na Itália, fala sobre suas angústias, critica a Justiça brasileira e acusa o PT de nunca ter enfrentado o mensalão de frente.
Por Paulo Moreira Leite e Janaina Cesar, enviada especial a Modena (Itália), na Istoé.
Andrea Haas, mulher do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, chega ao escritório de seu advogado na sexta-feira 7, horas antes de conceder a entrevista à ISTOÉ
Em Modena, na Itália, eram cinco horas da tarde da sexta-feira 7 quando Andrea Haas, mulher do mensaleiro Henrique Pizzolato, terminou uma reunião com seus advogados. Ela acabara de receber a notícia de que o marido permaneceria na cadeia, pois o pedido de liberdade provisória lhe fora negado. Ali mesmo, no escritório, concordou em receber a reportagem de ISTOÉ. Nos primeiros dez minutos da entrevista, Andrea quase não conseguia articular as respostas. Suas mãos tremiam – fruto do nervosismo provocado pela constatação de que o plano de fuga do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil deu errado. E a certeza de que a Justiça italiana o trataria melhor do que STF também já não era a mesma. O posicionamento de Andrea foi determinante na decisão de Pizzolato deixar o Brasil. Durante a entrevista, ela reafirma que não vislumbraram outra saída a não ser fugir do País. Andrea, no entanto, se recusou a esclarecer como foram falsificados os documentos usados por Pizzolato, não comentou sobre a situação financeira do casal na Europa e nem explicou por que razão ele votou em nome do irmão nas eleições de 2008, quando a prisão dos mensaleiros ainda não estava na agenda política brasileira. A tensão de Andrea só diminuiu quando ela começou a comentar a atuação do marido no Banco do Brasil e a criticar os ministros do STF.
ISTOÉ – Vocês imaginavam que essa prisão pudesse ocorrer agora?
Andrea Haas – Não. Não estávamos esperando por isso.
ISTOÉ – Mas a televisão mostrou que vocês ficavam com as luzes apagadas, com janelas fechadas, como se estivessem sabendo que poderiam estar sendo monitorados.
Andrea – As pessoas esquecem que estamos no inverno e por isso as janelas ficavam fechadas.
ISTOÉ – Por que vocês decidiram fugir do Brasil?
Andrea – Isso aconteceu quando ficou claro que não havia mais saída jurídica para nós. É claro que, se fosse possível escolher, não queríamos sair do Brasil. Ninguém queria deixar o País. Mas era preciso achar uma saída. Temos um monte de sobrinhos e queríamos ver o crescimento de todos eles. Também gostamos de morar no Brasil, de encontrar os amigos. Nossa vida está lá. Mas eu aprendi com meu pai que não podemos nos submeter. Nós não podemos nos submeter aos erros da justiça brasileira. Podemos até morrer, mas não podemos deixar de procurar uma saída, porque sempre existe uma saída na vida. Por isso decidimos sair do Brasil. Querem roubar nossa dignidade. Queremos uma saída. Queremos sobreviver. Temos esse direito.
ISTOÉ – A senhora acha que a Justiça italiana será melhor para Henrique Pizzolato do que a brasileira?
Andrea – Não sei. Não conheço. Até agora o governo brasileiro não enviou o pedido de extradição. Não sabemos o que vai acontecer, pois é a partir daí que as coisas podem se mexer. Mas já vi uma diferença importante.
“Querem roubar nossa dignidade. Queremos sobreviver. Temos esse direito”
ISTOÉ – Qual?
Andrea – Na Itália os julgamentos não são televisionados. São feitos por três juízes, a portas fechadas.
ISTOÉ – Por que isso seria bom, no entendimento da senhora?
Andrea – As pessoas falam no Brasil que a televisão no julgamento é algo democrático, mas não é nada disso. Ela mostra os ministros falando, mas não mostra os documentos. Não mostravam as provas, o que estava por trás daquilo. Então era só um lado. Que transparência é essa? É uma grande hipocrisia. O Henrique (Pizzolato) deu um depoimento televisionado pela TV. Foi um espetáculo. Só isso.
ISTOÉ – Como a senhora se sente depois da prisão de Pizzolato?
Andrea – Eu me sinto arrasada. Você deixa de ser dono da sua vida. O Henrique está angustiado e decepcionado. Esperamos que justiça italiana seja mais correta e íntegra. Na União Européia, os direitos humanos e o amplo direito de defesa são garantias fundamentais. Hoje, a vida do Henrique não é mais dele. Quem manda em tua vida são os advogados, os juízes, os jornalistas. Quando começou tudo isso, a gente caiu num mundo que não conhecia, não temos mais controle. Você descobre que a verdade pouco importa. O que importa são os interesses políticos, o interesse material. É uma grande angústia, uma grande decepção.
“O Henrique pizzolato sempre foi CDF. Sempre fez tudo direitinho e certinho”
ISTOÉ – Você se sentiram sozinhos nos dias que antecederam à prisão?
Andrea – O tempo inteiro. Não me sinto abandonada porque, apesar de tudo, não sou vítima. Olhamos para a frente. Estamos enfrentando todos os obstáculos. Conseguimos sobreviver. Todo o dia eu tenho que convencer as pessoas. Tento mostrar o que aconteceu, mas é como se estivesse diante de uma avalanche de mentiras. Isso não é viver. Ninguém quer perder 5 minutos de seu tempo para saber a verdade.
ISTOÉ – Como a senhora avalia o comportamento do PT em relação ao Henrique Pizzolato durante julgamento do mensalão?
Andrea – Eu acho que ao longo do julgamento muitas pessoas fingiam não ver o que estava acontecendo. Elas achavam que não seriam atingidas e não queiram se envolver. Eu também ajudei a formar esse partido. Mas eu acho que o PT nunca soube enfrentar esse processo de frente. Deixou-se carimbar.
“O PT nunca soube enfrentar esse processo de frente. Deixou-se carimbar”
ISTOÉ – De uma forma ou de outra, a senhora teve contato com advogados, com pessoas que entendem de Direito. Quais impressões eles têm do julgamento do mensalão?
Andrea – Eles estão muito impressionados com o fato de que os réus não puderam ter um segundo grau de jurisdição. Isso é o que mais incomoda. Este é um direito que existe no mundo inteiro. Quando ouvem falar sobre isso eles dizem que é muito estranho. Um outro ponto que incomoda é a noção de que foi um julgamento político.
ISTOÉ – Mas no julgamento no STF, alguns ministros disseram que os embargos poderiam ser considerados um segundo julgamento…
Andrea – O Henrique só teve direito aos embargos de declaração. Isso aconteceu com outros réus também. Toda vez em que se tentava questionar o mérito de alguma decisão, um juiz dizia que essa fase já havia passado e ponto final. Se não dava para julgar o mérito, como se poderia dizer que eram uma revisão? E foi apenas isso que o Henrique pode apresentar.
ISTOÉ – O que mais incomodou no julgamento?
Andrea – O Henrique sempre foi um C. D. F. Sempre fez tudo direitinho e certinho. É um sujeito organizado. Você pode ver a história dele. De repente ele está preso, acusado de ter desviado R$ 73 milhões do Banco do Brasil…
“O Pizzolato não mudou as regras do marketing para favorecer o PT”
ISTOÉ – A senhora poderia explicar o que, em sua avaliação, há de errado nessa acusação?
Andrea – Não houve desvio. Basta ler a auditoria do Banco do Brasil para concluir que não houve desvio. Os gastos declarados foram feitos. Estão lá, com recibos e notas fiscais. E são gastos com empresas de comunicação, com publicidade que saiu na televisão, nos jornais, nas revistas. A auditoria mostra qual veículo recebeu tal verba, qual veículo recebeu a outra verba. Se não fosse verdade, eles poderiam ter denunciado a fraude. Mas os anúncios estão lá, foram publicados. Você acha que se alguém tivesse desviado R$ 73 milhões de reais da Visa, empresa que é dona do Fundo Visanet, ela não teria aberto uma investigação para apurar o que tinha acontecido? Você acha que se tivessem sumido R$ 73 milhões do Banco do Brasil não teria sido aberto um inquérito interno para se apurar o que tinha acontecido?
ISTOÉ – Mas como ministros que estudaram tanto o caso puderam errar como a senhora diz?
Andrea – O Joaquim Barbosa citou uma auditoria de 2004 para dizer que o Henrique mudou algumas regras no marketing. Você ouve a colocação dele e tem certeza de que essa mudança foi feita para piorar o controle, para favorecer o PT. Mas é não é verdade. O Pizzolato não mudou as regras do marketing para favorecer o PT. A auditoria elogia o trabalho do Henrique. Fala que depois das mudanças que promoveu, os procedimentos ficaram melhores, o controle ficou mais eficiente. Teve um ministro que disse que o ônus da prova cabe ao acusado. Era tão absurdo, tão primário para se dizer num julgamento, que achou melhor suprimir a frase nos acórdãos. Também se disse que, embora não tivesse apoio em provas, era possível condenar um dos réus com base naquilo que diz a literatura jurídica. A discussão sobre gastos públicos foi e voltou na sentença de muitos juízes.
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TERRAS ALTAS DA MANTIQUEIRA = ALAGOA - AIURUOCA - DELFIM MOREIRA - ITAMONTE - ITANHANDU - MARMELÓPOLIS - PASSA QUATRO - POUSO ALTO - SÃO SEBASTIÃO DO RIO VERDE - VIRGÍNIA.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Pizzolato denuncia erros do processo à Justiça italiana.
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