Quando a Presidenta Dilma Rousseff propôs, há um ano, um plebiscito para a reforma política, este grupo que agora é conhecido como “blocão” se insurgiu, a começar pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e pelo líder do PMDB, Eduardo Cunha.
Este, mais que ninguém, tem horror a regras eleitorais transparentes.
Não apenas pelos prejuízos que isso traz à sua eleição como porque limita sua capacidade de, digamos, influir nas campanhas alheias, contribuindo com os “argumentos” que o leitor pode imaginar.
Agora, todos os sinais são de que bateu pavor na turma diante da possibilidade de Dilma crescer aos olhos do eleitorado à medida que diz um “não mais” aos mecanismos de chantagem política de parte expressiva da base aliada do Governo sobre o Executivo.
A declaração dada hoje pelo presidente do PT, Rui Falcão, dá uma pista de que o tema da reforma eleitoral vai ser retomado pela Presidenta e por Lula:
“Não é possível convivermos mais com o princípio do poder econômico para mandar no Congresso Nacional. Nós elegemos três vezes o presidente da República e não fizemos 20% da bancada”, disse. “Se houvesse um alinhamento entre a campanha presidencial e os partidos que dão suporte a presidente, nós teríamos a eleição da presidente com a maioria assegurada no Congresso sem precisar desse jogo que nos impõem e nós não aceitamos que é o toma lá dá cá. É por que a presidente Dilma tem resistido, não cede e não vai ceder a pressões e chantagens que tentam fazer com ela”
Faltam pouco mais de seis meses até a eleição e, ainda que não pudesse formar maioria na Câmara, no essencial, as condições de governabilidade estão relativamente asseguradas ao Executivo.
Além do mais, os prefeitos, grande base eleitoral dos candidatos a deputado federal, não parecem dispostos a, com ainda dois anos e meio de mandato pela frente e um favoritismo expressivo da Presidenta, a acompanhar o brinde suicida proposto por Eduardo Cunha, o Jim Jones de Sérgio Cabral.
Aguardem, porque o tema da mudanças das regras eleitorais para reduzir o poder econômico na escolha do Congresso vai voltar, expressamente.
E vamos ficar com Lula e Dilma de um lado e “os políticos” do outro.
Se perguntarem ao contínuo da agência de propaganda, até ele sabe das consequências disso na campanha.
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O PMDB vai seguir o seu JIM JONES ?
Vocês conhecem aquela história do chinês, sobre só haver duas coisas com que você deve se preocupar, se está doente ou não, e se está se vai se curar ou morrer, e se morrendo vai para o céu ou para o inferno…
Não é demais pensar nela quando se analisa a “rebelião” do PMDB.
Se, contrariamente à tradição histórica do PMDB, ela for para valer, paciência.
O efeito mais grave que terá será a perda dos cerca de quatro minutos de tempo do partido na propaganda eleitoral, pelos quais Aécio Neves já se agita e que também é cobiçado por Eduardo Campos.
Mas é difícil que consiga, porque são imensos os conflitos regionais entre tucanos e peemedebistas.
Neste caso, sem candidato a Presidente, o tempo do PMDB seria proporcionalmente repartido segundo o número de candidatos e as bancadas com candidato, o que manteria a imensa folga que tem a candidatura Dilma neste quesito eleitoral.
O apoio local dos candidatos peemedebistas a governador?
Bom, neste caso é preciso ver o que representa para eles a perda do apoio do Governo e de Lula.
Qual deles quer estar junto ao homem da foto aí de cima em pleno 2014?
No caso do Rio de Janeiro, não vejo em que vá ajudar Aécio Neves ter o apoio de Sérgio Cabral.
Certo que alguma coisa somará, no interior, ainda que eu duvide que isso vá ser significativo. Mas será arrasador para Aécio justamente no setor de onde lhe vem os votos: a Zona Sul e a classe média, onde o prestígio de Sérgio Cabral é muito abaixo de zero. Eduardo Cunha, para quem as coisas já estiveram melhores, está tão pendurado demais nos gastos federais com obras no Rio de Janeiro que irá se encolher, caso rompa com a eleição de Dilma.
É certo que será muito melhor para Dilma que aconteça o provável refluxo do PMDB.
Mas, se não ocorrer, são os peemedebistas que têm mais motivos de preocupação e, em véspera de eleição, estou para ver estes episódios de suicídio coletivo de candidatos a reeleição.
Uma coisa é aplaudir o Jim Jones peemedebista, Eduardo Cunha.
Outra é dividir o copo de veneno com ele.
Até porque Cunha vai ter farto estoque de um antídoto muito eficiente contra fracasso eleitoral, guardados nos guardanapos de Sérgio Cabral.
É isso o que hoje Lula começa a perguntar aos líderes, de fato, do PMDB.
Se vão mesmo fazer um brinde com Jim Jones.
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sexta-feira, 14 de março de 2014
A crise do PMDB é a volta do plebiscito.
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