| Campos e Inocêncio: “novidade” O pessoal da campanha do candidato do PSB à presidência, Eduardo Campos, tenta analisar sua situação como um caso clássico de copo meio cheio, meio vazio. Os 10% das intenções de voto no último Datafolha são, para os pessimistas, sinal de que ele não decola; os otimistas acham que há espaço para crescer e que, com Marina Silva, a chapa vai esquentar. Mas o que deve estar dando dor de cabeça aos marqueteiros de Campos é outro número. Embora ele não saia do lugar nos levantamentos, sua rejeição já atinge níveis quase serrísticos: 33%, o mesmo que Dilma e Aécio. “Há um vento de mudanças no Brasil”, diz ele, que se vende como uma novidade. “É prioritário superar a velha política do clientelismo, do abuso do poder econômico e das superadas disputas personalistas”. “O que vai romper é o pacto político velho, que será derrotado pela vontade do povo nas urnas”. É como aquele sujeito que ninguém conhece direito, mas não gosta. E uma das razões é que Campos trata o eleitor como idiota. Não que seja o único, mas em seu caso é flagrante. Primeiro, Eduardo Campos teve tempo, enquanto aliado do governo, para ao menos discutir tudo o que aponta de errado na economia. Depois, e principalmente: ele não é novidade nenhuma, ao contrário da papagaiada que não para de repetir. Paradoxalmente, faz questão de mostrar isso. Já procurou Agripino Maia e Roberto Freire, o homem que dá má reputação ao oportunismo. E em seu palanque quando se despediu do cargo de governador de Pernambuco conseguiu reunir algumas das maiores múmias paralíticas da nossa história recente: Severino Cavalcanti, Inocêncio Oliveira e Jarbas Vasconcelos. Faltou ali o imortal Jorge “vamos acabar com essa raça” Bornhausen. Para refrescar a memória: Severino, udenista desde criancinha, renunciou ao mandato de deputado federal em 2005 por causa do “mensalinho” (o dono de um restaurante da Câmara acusou-o de cobrar dele 10 mil por mês); Inocêncio, no nono mandato consecutivo, foi condenado por manter trabalho escravo em sua fazenda no Maranhão; Jarbas, 71 anos, é aquele que declarou em 2009 que “o PMDB é um partido corrupto”. Esse é o time renovador de Eduardo Campos, com o qual ele pretende “romper com o pacto político velho”. Ao chamar o eleitor de bobo, não é de admirar que na próxima pesquisa a rejeição fure o teto e ele encontre Serra no fim do caminho. http:// ![]() |
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terça-feira, 8 de abril de 2014
Museu de novidades: o que explica a alta taxa de rejeição de Eduardo Campos.
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