domingo, 2 de novembro de 2014

Os maus perdedores e a democracia: o pedido de auditoria das urnas feito pelo PSDB.

Carlos Sampaio, à esquerda, autor do pedido de auditoria
Carlos Sampaio, à esquerda, autor do pedido de auditoria.


Poucas coisas na vida são mais desprezíveis do que maus perdedores — talvez, os maus ganhadores. O pedido de auditoria do PSDB para verificar a “lisura” da eleição presidencial é um caso de estudo.
O autor é o coordenador jurídico da campanha de Aécio, o deputado federal Carlos Sampaio (é impressionante a quantidade de “coordenadores” em campanhas. PT e PSDB os tinham aos milhares, nunca se soube exatamente fazendo o quê).
Sampaio, com a anuência de Aécio Neves, colocou em dúvida a confiabilidade da urna eletrônica. “Não tem nada a ver com recontagem de votos e nem estamos questionando o resultado”, disse ele. Tem a ver com o que, então?
Explicação: com as reclamações no Facebook.
O deputado deixou um recado elucidativo em sua página. Escreve ele que é para “evitar que esse sentimento de que houve fraude continue a ser alimentado nas redes sociais”.
Se ele quer investigar outros temas amplamente difundidos nas redes, pode também apurar se é verdade que John Kennedy foi morto pelos iluminatti, se a Pepsi usa células de fetos abortados como adoçante e se os círculos concêntricos em milharais foram obra do capeta.
O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro João Otávio de Noronha, declarou que “não há nada que comprometa” o processo. ”Não somos a Venezuela, a Bolívia. Para Noronha, o que embasa o questionamento não pode ser “fofoca”. A ele se somaram outras vozes insuspeitas.
É direito de Sampaio e colegas, obviamente, mas se essa atitude contribui para algo, é para a instabilidade. A reação do PSDB à derrota tem apequenado espetacularmente o partido. Aécio reclamou de “calúnias”, Aloysio recusou o diálogo, reclamou de facas nas costas, jurou vingança.
Sampaio é a cereja do bolo. Reeleito para o quarto mandato consecutivo na Câmara com 295 623 votos, foi de uma irresponsabilidade galopante no últimos meses. “Como é que é??? O doleiro Youssef denuncia Dilma e Lula e, repentinamente, é internado na UTI!!! Qual o seu quadro de saúde e o tratamento pelo qual está passando??? Acabei de enviar uma nota para a imprensa exigindo explicações!”, escreveu no FB.
O homem que fala em esclarecer fatos nebulosos divulgou todas as pesquisas picaretas da Istoé/Sensus, aproveitando para acusar o Datafolha e o Ibope de fraudulentos. “Lembrem-se: Datafolha e Ibope há anos fazem pesquisas para o Governo Federal! Só o governo Dilma pagou mais de R$ 12 milhões aos institutos de pesquisa!!!”
Carlos Sampaio conseguiu sua notoriedade. Seus adversários políticos são gratos pela falta de noção. E agora todos os milhares de idiotas no Facebook que acreditam em invasão cubana e que Paul McCartney morreu em 1966 e foi substituído por um sósia já sabem com quem falar. Basta entrar no site dele e exigir uma explicação.

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Mujica explica porque não cumprimentou Dilma pela reeleição.


Mujica saludó el triunfo de Dilma en Brasil.



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Patrícia Poeta se despede do Jornal Nacional.


Publicado em 31/10/2014
A jornalista Patrícia Poeta já passou o seu lugar na bancada do Jornal Nacional para a colega Renata Vasconcellos, que assumiráo posto a partir de segunda-feira, 3. A passagem de bastão aconteceu ao final da edição do jornalístico nesta sexta-feira, 31, com a presença de William Bonner, que guiou a ‘troca de apresentadoras’.

Ao final do JN, Patrícia fez a sua despedida. “Meu boa noite de hoje não tem um até amanhã, mas a gente se vê pela vida”, declarou ela, que felicitou a sua substituta. “Boa sorte, Renata, que você seja muito feliz”.

Rodeado pelas jornalistas, Bonner deu o seu depoimento. “Acompanhei a carreira da Renata, quando ainda era uma menininha aqui e hoje tem essa carreira tão bonita. Patrícia a mesma coisa, construiu uma carreira tão bonita e tenho certeza que seu sucesso está garantido. Sorte e sucesso para as duas”.

+William Bonner fala da troca de apresentadoras do JN.

Em seu discurso, Patrícia Poeta declarou que terá um novo projeto de entretenimento na Rede Globo, mas ainda não deu detalhes da nova produção. “Começo a me dedicar a um novo projeto na área de entretenimento, me sinto desafiada, uma sensação maravilhosa. Jornalismo é sim a minha profissão, tenho muito orgulho. É um sonho antigo que deixei de lado, mas que acabou sendo mais forte do que eu. Foram 3 anos intensos aqui no JN, com Copa do Mundo, Eleições, manifestações, visita do papa Francisco ao Brasil. Foi uma grande experiência para mim, cada um dos meus colegas deixou esta experiência ainda mais completa. Foi um prazer, William Bonner, uma honra para mim. À você, telespectador, muito obrigada por permitir que eu pudesse fazer a minha missão, e me comunicar com você da melhor forma possível”.

Já Renata Vasconcellos comentou sobre a ansiedade para a estreia na próxima semana. “[Já estive nesta bancada] nos fins de semana e nas férias da Patricia, mas agora vai ser todo dia. Estou muito feliz e a expectativa é muito grande. São quase 20 anos de jornalismo, estou muito feliz de estar aqui hoje. Qual é o jornalista que não gostaria de chegar na bancada do Jornal Nacional?”.


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Os filhos da mídia foram protestar na Paulista.


Louca cavalgada
Louca cavalgada.

Os filhos da mídia foram neste sábado para as ruas protestar contra, bem, contra sei lá o quê.
Contra terem perdido nas urnas e, portanto, contra a democracia.
Disse “filhos”, mas poderia ter dito “vítimas”.
Porque em sua louca cavalgada antidemocrática eles foram intoxicados mentalmente pelo que a mídia deu nestas últimas semanas.
Eles pareciam saídos das páginas da Veja e dos comentários de gente como Jabor.
Pediam o impeachment de Dilma pelo caso Petrobras.
São os efeitos colaterais da capa criminosa que a Veja deu às vésperas das eleições.
Os manifestantes da Paulista tomaram aquilo como uma verdade indiscutível.
Isso mostra que é necessário aplicar uma punição exemplar à Veja. É uma tentativa de golpe branco fazer o que a revista fez – sem uma única prova – em cima de uma eleição tão disputada.
A Veja tem que enfrentar – rapidamente — as consequências do que fez. Ou vamos esperar que um lunático, inspirado pela revista, comece a matar petistas?
A mídia está também por trás do disparatado pedido de auditoria de votos feito pelo PSDB.
Os tucanos só fizeram isso por saberem que têm as costas quentes com a imprensa. Ou então se refreariam antes de atentar contra as instituições com um pedido tão esdrúxulo.
As dúvidas não resistem a um minuto de reflexão. Considere. O Datafolha deu, na véspera, 52% a 48% para Dilma. A diferença ficou nos decimais: 51,64% versus 48,36%.
A desconfiança nasce também, assinale-se, de trapaças do PSDB não devidamente cobradas pela mídia.
Aécio usou dados enganosos de uma pesquisa do instituto Veritás que lhe dava ampla vantagem em Minas, onde perdera no primeiro turno.
O dono do Veritás avisou que era um erro, ou crime, utilizar os números que Aécio brandiu publicamente, nos debates, contra Dilma. O estatístico também.
E mesmo assim Aécio não se deteve.
O que pensa um fanático antipetista quando vê uma coisa dessas? Num dia, numa pesquisa, seu candidato está ganhando amplamente em Minas. No dia seguinte, no mundo real, o candidato perde.
Farsa, é a conclusão.
E a frustração se converte em raiva depois que analistas afirmam que Aécio perdeu a presidência por causa dos votos que não teve em Minas.
Manifestações como a de hoje mostram como a sociedade está sendo agredida por uma mídia interessada apenas na manutenção de seus formidáveis privilégios.
Pensava-se que o ataque da mídia à democracia cessaria com as eleições.
Não cessou.
É hora de o Estado proteger a democracia, antes que seja tarde demais.

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