Protesto contra o assalto.
A última vez que meteram as mãos nos bolsos dos trabalhadores foi na ditadura militar.
O governo Castelo Branco logo disse a que veio e extinguiu a estabilidade no emprego, um dos itens mais reluzentes dos direitos trabalhistas conquistados na Era Vargas.
Em seu lugar, para facilitar as demissões, e nada mais do que isso, veio o FGTS.
O fim da estabilidade foi uma das coisas vitais para que a ditadura acentuasse a desigualdade social no país.
Os ricos ficaram mais ricos e os trabalhadores perderam. Ditaduras de direita sempre funcionam assim.
Meio século depois, um novo assalto aos direitos trabalhistas acaba de ser feito com a aprovação do projeto de terceirização – e é extraordinário que tenha sido obra de congressistas.
Deputados dependem do voto para se eleger e se manter. Por isso, ninguém espera que tomem medidas tão impopulares como a terceirização. É coisa para ditaduras, como aconteceu quando foi posto fim à estabilidade.
Generais não têm compromisso com as urnas.
Que os congressistas tenham feito o que fizeram contra os interesses dos trabalhadores mostra não apenas quanto é conservador este Congresso – mas como os deputados perderam o sentido de pudor e, mais que isso, de sobrevivência política.
Os eleitores haverão de se lembrar de um por um entre os que disseram sim.
O caso mais simbólico é o do presidente do Congresso, Eduardo Cunha. Suas ambições presidenciais morreram com a terceirização. A voz rouca das ruas jamais o perdoará.
Cunha obteve uma vitória no curto prazo, mas arremessou ao lixo suas chances de virar presidente em 2018.
Se há um fato positivo no drama da terceirização, ei-lo.
Os argumentos a favor do projeto não poderiam ser mais hipócritas. Num editorial, o Globo festejou a terceirização porque “corta os custos” das empresas e “aumenta a produtividade”.
Eis o Globo sendo o velho Globo de guerra. A criação do 13.o salário por João Goulart foi tratada como uma calamidade pelo jornal.
Para empresas como a Globo, o mundo ideal é aquele em que o trabalhador não tem direito nenhum além de se esfolar pelos patrões.
É a mentalidade que floresceu entre os capitalistas até meados do século 19. Coube à Alemanha, sob Bismarck, sistematizar as primeiras leis trabalhistas – férias, limite de horas, pensão.
Não que Birmarck fosse bonzinho, mas porque a plutocracia alemã temia a força crescente da esquerda, inspirada por um certo Karl Marx.
De lá para cá, as leis trabalhistas ganharam o mundo. No começo dos anos 1900 a Inglaterra também adotou sua legislação trabalhista que refletia os novos tempos.
É triste notar que, no Brasil, a vida dos trabalhadores só melhoraria muito tempo depois, com Getúlio Vargas, o maior dos presidentes brasileiros.
As empresas nacionais precisam mesmo de salários menores?
A melhor resposta está, mais uma vez, na Globo. Considere a fortuna pessoal dos Marinhos, a família mais rica do país.
É uma obviedade que, se os custos brasileiros fossem elevados, os Marinhos não teriam acumulado uma fortuna tão abjeta.
A terceirização, como o fim da estabilidade, vai contribuir para o crescimento da desigualdade do país.
A desigualdade é o maior problema brasileiro, sabemos todos.
Pois o gesto obsceno dos deputados torna este problema ainda pior do que já é.
*
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/desde-a-ditadura-n…/
*** *** *** DEPOIS DO ¨VEM PRA RUA¨, AÉCIO NEVES INAUGUROU O ¨VAI PRA RUA QUE UMA HORA EU TÔ LÁ¨.
"Neste domingo, dia 12, novamente os brasileiros vão pra rua. Vão dizer que não aguentam mais tanta mentira, a inflação saindo de controle, o desemprego aumentando e um governo que não governa mais. Se você está com esse nó na garganta, vá pra rua, se manifeste e vamos mostrar que o Brasil merece muito mais do que esse governo medíocre que está aí". - Aécio Neves .......................................
Depois do movimento “Vem Pra Rua”, Aécio Neves inaugurou o “Vai Pra Rua”. Embora os próprios organizadores dos protestos de 12 de abril não façam questão — ou muito pelo contrário –, o mineiro deu um jeito de não ficar de fora totalmente da coisa. Ele vai comparecer à micareta fascista, desde que tenha gente.
Quer dizer, se alguém ainda tinha dúvida de seu oportunismo, já não deveria ter mais. Num vídeo gravado num carro, ele diz o seguinte, com aquele ar de gravidade que conhecemos: “Neste domingo, novamente os brasileiros vão para a rua. Vão dizer que não aguentam mais tanta mentira, não aguentam mais a inflação saindo de controle, o desemprego aumentando e um governo que não governa mais. Se você está com esse nó na garganta, vá para a rua, se manifeste e vamos mostrar que o Brasil merece muito mais do que esse governo medíocre que está aí”.
Maravilha. E o pessoal pode encontrar você ali, confere, senador? Também não precisa exagerar. “Eu estarei em Belo Horizonte neste final de semana e vou avaliar com os meus companheiros. Não tomei ainda essa decisão, mas estou livre para decidir no dia, como cidadão”, afirmou. “Quanto menos identificado com partidos forem, mais legítimos e fortes eles serão. Por isso naquela grande primeira manifestação eu optei por não permitir que se desse essa conotação, até mesmo de certo oportunismo”.
No 15 de março, Aécio se deixou fotografar com uma camisa da seleção brasileira na janela de seu apartamento na Vieira Souto, em Ipanema. Desta vez, ele vai avaliar diretamente do lar se deu quórum e, dependendo do número de pessoas, desce para o asfalto.
Mesmo se você fosse um adolescente histérico e sem noção como o tal Kim Kataguiri, líder do Movimento Brasil Livre, acharia estranho. A cada dia fica mais precisa a definição do velho Agnaldo Timóteo sobre Aécio: “Esse moleque que governou Minas Gerais quer que o país pegue fogo”.
*
|
TERRAS ALTAS DA MANTIQUEIRA = ALAGOA - AIURUOCA - DELFIM MOREIRA - ITAMONTE - ITANHANDU - MARMELÓPOLIS - PASSA QUATRO - POUSO ALTO - SÃO SEBASTIÃO DO RIO VERDE - VIRGÍNIA.
domingo, 12 de abril de 2015
Desde a ditadura ninguém metia a mão no bolso do povo desse jeito.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário