E Rachel Sheherazade, a Bondosa, ressurgiu.
Não com seus comentários no SBT, mas na internet. Soube-se que foi ela, em sua conta no twitter, quem mais espalhou a notícia do boletim do Santander que atrelava Dilma a uma catástrofe econômica.
Seu tuíte foi o que mais repercutiu.
Sheherazade, você percebe, não mudou nada. É a versão Jabor em saias.
Seus fãs estão à espera de que Silvio Santos rompa o silêncio que lhe impôs nas opiniões depois que ela defendeu a agressão contra um garoto que foi deixado amarrado a um poste.
Ali ela passou do ponto, e o SBT ficou aterrorizado com a possibilidade de perder os 150 milhões de reais que vem recebendo a cada ano em publicidade do governo federal.
Ficou claro que para SS, que a inventou, Sheherazade vale muito – mas não, definitivamente, 150 milhões.
Sheherazade diz que SS lhe prometeu um programa só dela no futuro, além do retorno do direito de opinar, e não apenas ler as notícias como Patrícia Poeta.
Será?
Parece claro que o futuro de Sheherazade está ligado ao resultado das eleições presidenciais.
Caso Aécio vença, e tome o controle das contas publicitárias do governo, Sheherazade deve voltar com estardalhaço.
Não haverá o risco de perda dos 150 milhões de reais, e ela voltará a bater, como sempre, no PT.
É previsível também que o Brasil se torne subitamente muito melhor, nos comentários de Sheherazade, com Aécio no poder.
A compulsão em mostrar coisas negativas será substituída pela compulsão em mostrar coisas positivas.
O olhar severo e reprovador será trocado por uma expressão sorridente e otimista.
É um velho truque na mídia. No passado recente, a Globo só descobriu que havia problemas no Brasil quando chegou ao fim a ditadura militar.
O Brasil, sob os generais, era o paraíso na terra, na Globo.
A derrota do PT será a vitória de Sheherazade.
As coisas vão ficar mais complicadas para Sheherazade caso Dilma vença.
Silvio Santos dificilmente aceitará colocar em risco seus milhões em publicidade do governo.
“Tudo pelo dinheiro”, como ele consagrou num quadro de seu programa.
Restará a Sheherazade se resignar a ler o que os outros querem que ela diga. Ou procurar outra emissora. Mas qual?
Poucas pessoas devem estar torcendo tanto contra Dilma quanto Sheherazade.
Caso dê Dilma, sua perspectiva é ser uma jornalista morta em vida – o que para muitos, entre os quais me incluo, ela já é.
***
*** *** A razão do protesto de líderes evangélicos contra Dilma e a favor de Israel.
Há dois motivos principais para a mobilização de lideranças evangélicas desgostosas com a condenação de Dilma à ação de Israel em Gaza. O primeiro: negócios. Em segundo lugar, mas não menos importante, os negócios.
Segundo conta a BBC, perto de oitenta pessoas estiveram no Ministério de Relações Exteriores para uma audiência. A articulação coube ao deputado federal Lincoln Portela, estrela da bancada evangélica.
Há uma aproximação clara entre as igrejas pentecostais e o judaísmo. Isso ficou evidente nas imagens da inauguração do Templo de Salomão. Além do monumento em si, inspirado na obra do filho de Davi, o bispo Edir Macedo tem se trajado com o xale sagrado usado por rabinos e, no cocuruto, está exibindo um solidéu. Sem contar a barba de profeta.
Não é, diga-se, um fenômeno exclusivamente nacional.
Agora, o grande receio destes líderes é que um ruído nas relações diplomáticas atrapalhe o turismo para a chamada Terra Santa.
É um nicho que movimento muito dinheiro. Muito. Todos os anos, denominações religiosas — diretamente ou através de operadoras — vendem pacotes para milhares de fieis que querem estar nos lugares onde Jesus Cristo, segundo a tradição, esteve. Dê um Google e comprove.
Para o governo israelense, é uma receita sempre bem vinda. Em 2013, 3,54 milhões de visitantes estiveram no país, oriundos, em sua maioria, dos EUA, Rússia, Itália, Alemanha, Reino Unido, França e Brasil.
Os cristãos são mais da metade do movimento. O circuito “Maravilhas de Israel” pode sair por 3 mil dólares numa agência.
A reverenda Jane Silva, uma voz ativa pró-israelense, organizadora do encontro no Itamaraty, preside a Associação Cristã de Homens e Mulheres de Negócios e a Comunidade Brasil-Israel.
Em seu site oficial, ficamos sabendo que ela, “ao longo de mais de dez anos, tem sido inexcedível no cumprimento do seu compromisso de servir a Deus, investindo-se na defesa da causa da nação de Israel e dopovo judeu, e em divulgar e promover o conhecimento da Terra Santa, possibilitando a centenas de brasileiros todos os anos a realização do sonho de conhecer in loco as Terras Bíblicas”.
O objetivo de sua entidade é “incentivar o turismo em Israel, de modo a ampliar o conhecimento da Bíblia.”
Jane também está montando a terceira edição de um festival gospel por lá. Assíria Nascimento, ex de Pelé, e Cid Moreira estiveram no primeiro, assim como o velho e bom Marco Feliciano — que, aliás, comanda “caravanas” pelo pedaço.
Na falta de pedaços da cruz, os inscritos no festival ganharam um kit com água, terra e óleo.
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TERRAS ALTAS DA MANTIQUEIRA = ALAGOA - AIURUOCA - DELFIM MOREIRA - ITAMONTE - ITANHANDU - MARMELÓPOLIS - PASSA QUATRO - POUSO ALTO - SÃO SEBASTIÃO DO RIO VERDE - VIRGÍNIA.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
A volta de Sheherazade aos holofotes.
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